quarta-feira, 29 de outubro de 2008

Memories of a Dream - FanFic

Pela maneira com a qual Alice se recostava no sofá, eu poderia dizer que ela estava dormindo, ou até sonhando. Pena que os vampiros não podem dormir. Porque ela merecia uma boa noite de sono, principalmente depois do confronto mental com os Volturi por causa de Renesmee. Ela ultimamente vinha pensando muito na sua vida humana, vida essa que ela não lembrava muito bem.
Depois de algumas semanas pensando incansavelmente sobre qualquer vestígio de memória, Alice conseguiu lembrar-se de pequenos flashes de algumas décadas atrás. Agora ela insistia em lembrar-se de qualquer outra coisa, fosse ela boa ou ruim. Então, enquanto não exercia alguma atividade rotineira como comprar roupas ou cuidar de Nessie, ela se sentava em algum canto onde pudesse se abstrair do mundo e forçar o seu exercício diário de volta ao passado.
Hoje, particularmente, Alice estava confiante. Apesar de sua habilidade de prever o futuro, ela não conseguia ver se lembraria de algo do seu passado. Mas ela continuava firme e forte, nunca sucumbindo à dificuldade do processo. Eu me sentei no sofá ao lado do dela e comecei a pensar sobre Bella e Nessie, sobre minha vida, para falar a verdade.
Alguns minutos se foram, algumas horas desapareceram até que de repente, eu olhei para Alice e ela continuava de olhos fechados, o único problema era que, dessa vez, ela parecia sofrer. Eu comecei então a prestar mais atenção nos pensamentos dela e ver se eu poderia ajudá-la a passar por essa angústia. Então o que eu vi não poderia ter sido mais chocante...
Havia uma menina em seus pensamentos, parecia com ela. Na verdade, era idêntica a ela. Mas essa menina tinha cabelos longos e tinha acabado de ficar com as bochechas vermelhas, de vergonha. Isso só poderia significar uma coisa: essa menina tão angelical e viva era Alice ainda humana. A Mary Alice.
Eu sei que deveria ter deixado esses pensamentos para Alice e somente ela. Porém, eu me senti extremamente alucinado pela possibilidade de descobrir o passado de Alice junto com ela. A memória parecia ter sido de antes de ser transformada. Mesmo sendo idêntica a Alice que eu conhecia, a Alice humana ainda parecia mais jovem, menos vivida.
Foi então que na cena apareceu um garoto. Não, um garoto não. Um rapaz, de uns vinte anos mais ou menos. Ele era bonito e parecia que a Alice humana o conhecia bem. Eles se cumprimentaram e começaram a andar pelo jardim da casa onde a lembrança se passava. Andavam compartilhando olhares de mútuo carinho. Era de se esperar, eles deveriam ser apaixonados ou coisas assim.
Alice se sentou embaixo de uma árvore, uma macieira. E o rapaz se sentou ao seu lado. Começaram a conversar sobre assuntos banais como o chá de domingo a tarde, almoços em família, temperatura e clima. Era uma recordação muito nítida, como se fosse uma cena de um filme gravado na memória, como se trata-se de um filme favorito, onde o individuo se lembra de todas as falas e atitudes dos personagens.
Ia tudo indo muito bem, até que Alice focou seu olhar em algum lugar remoto e não continuou a ouvir o que o garoto dizia. Passados alguns segundos, o rapaz olhou para Alice e percebeu que ela não o escutava mais. Chamou-a, como se esperasse uma resposta brincalhona ou algo mais. Ela não o respondeu. Ele por sua vez sacudiu-a e ela simplesmente pareceu acordar.
Numa súbita explosão de sentimentos, Alice o abraçou e falou que ele deveria prometê-la que não iria à taberna da cidade onde moravam naquela noite. Ele, que não havia contado a ela sobre tal fato, achou estranho e perguntou:
- Mary, como você sabe que estou planejando ir lá hoje à noite?
- Como assim, Peter. É claro que você me falou. – ela respondeu, não deixando escapar um suspiro escondido como se dissesse uma mentira.
- Não, Mary. Eu não te contei isso.
- De qualquer forma, Peter. Não importa que você não tenha me contado. Apenas prometa-me que você não irá. – dessa vez, Alice parecia a beira de lágrimas. Qualquer que tenha sido a sua visão, o tal do Peter devia estar em grandes apuros.
- Mary, eu não posso te prometer isso. Você não esta me dizendo do que se trata.
- Eu... Eu... Eu não posso, mesmo. - ela respondeu, ressentida.
- Mary, você tem que me contar. O que houve?
- Se eu contar, você promete que não vai me achar uma maluca?
- Mary, se eu te achasse maluca, eu não seria seu noivo.
Então era isso, Alice tinha tido um noivo. Alguém de quem parecia amar. Nada como o amor dela por Jasper, mas mesmo assim, apaixonada.
- Pete, vão tentar te matar hoje. E eu não sei se você vai morrer ou não. Mas qualquer ameaça a sua vida, já me deixa assustada. – ela falou, enxugando suas lágrimas, com a ponta da manga de seu longo á vou vestido branco.
- Mary, essa é mais alguma de suas visões loucas que você cisma que tem? – ele perguntou, totalmente incrédulo.
- Você não acredita em mim, não é? E eu realmente achava que você era diferente dos outros.
- Mary, meu amor, eu não posso acreditar em tal coisa. Quem tentaria me matar? Quem escolheria a mim para tentar cometer um assassinato?
- Não posso te dizer, você não acreditaria mesmo.
- Então, tente!
- É... – ela parecia relutante em responder – É o seu irmão, Pete. O Larry, ele vai tentar te matar depois que vocês saírem de lá. Por favor, não vá!
Então toda a paciência que ele esbanjava antes foi embora com a simples menção dessas palavras.
- Você está louca, Mary. Eu já vou indo. – e dando um beijo em sua testa, Pete saiu em direção à rua. Nem olhando para trás. Nessa hora a memória de Alice ficou turva e mostrou a mesma vestida de preto chorando em frente a uma lápide. Então apareceu uma menina morena, que parecia extremamente com Alice. Mas essa menina carregava uma expressão de raiva e desespero.
- Não sei com o que você tava na cabeça, Alice. Com as suas paranóias de visão do futuro você acabou causando a briga de Peter e Larry. Como você pôde?
- E-eu... Não foi minha intenção. Eu realmente vi Larry se aproximando com uma faca dele. Eu tentei avisa-lo... Ele não me ouviu!
- Eu não acredito em você, Alice. Você é uma louca! Uma LOUCA! Tomara que mamãe e papai coloquem você num hospício e que você nunca mais saia de lá!
De repente a Alice perto de mim soltou um grito, agonizante. Se pudesse, Alice estaria sentindo dor nesse instante, mais dor do que eu jamais podia imaginar ser possível. Se Alice pudesse chorar, um rio de lágrimas estaria correndo em sua face agora. E então tudo aquilo fazia sentido, toda a sua lembrança. A única coisa que eu poderia fazer agora era abraçá-la e dizer:
- Calma, Alice. Tudo vai ficar bem. Eu prometo!

Nathalia Valladares

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