quinta-feira, 27 de novembro de 2008

Bad Things

Bad Things

 

 

 

 

Desde a primeira inalada de seu cheiro, o sangue de Bella era como um veneno delicioso.

Purgante...

Cortante...

Inebriante.

 

Eu não podia negar, eu estava fadado a matá-la. Matá-la por ter aquele sangue tão apetitoso, que me fazia delirar. Como se fosse um instrumento de tortura medieval, que não tinha escrúpulos em machucar. O sangue dela não parava em nenhum obstáculo. Ele estava a ponto de me seduzir, de uma maneira simplória e mortal.

 

When you came in the air went out / Quando você veio, o ar foi embora

And every shadow filled up with doubt / E cada sombra se encheu de dúvidas

I don't know who you think you are / Eu não sei quem você pensa que é

But before the night is through / Mas antes que a noite acabe

I wanna do bad things with you / Eu quero fazer coisas ruins com você

 

Depois da aula daquele dia, eu a segui até em casa. Obviamente sem ela perceber a minha presença. Ela estacionou sua caminhonete vermelha em frente a sua casa, pegou a chave na sua bolsa e brincou com ela entre os dedos. Abriu a porta e antes mesmo de fechá-la já jogou a mochila pro lado de dentro.

Abriu a geladeira, pegou uma lata de refrigerante e começou a tomá-la. Sentou-se no sofá durante algum tempo e em seguida se levantou para ligar o som. Era uma música agitada, dessas novas que não me apeteciam. Ela começou a dançar, com a latinha na mão, cantando algumas frases, esporadicamente, da música.

O mais estranho era que mesmo o sangue dela sendo maravilhosamente apetitoso, suas curvas davam para dar uma derrapada com o meu Volvo. Ela era bonita, não sei como eu não havia percebido isso. E a maneira pela qual seu corpo se orientava, me deixava entorpecido, como uma droga que me deixava zonzo e mais viciado ainda.

 

 

I'm the kind to sit up in his room / Eu sou o tipo que se levanta na frente dele

Heart sick an' eyes filled up with blue / Coração doente e olhos preenchidos de azul

I don't know what you've done to me / Eu não sei o que você fez comigo

But I know this much is true: / Mas eu sei que isso tudo é verdade:

I wanna do bad things with you / Eu quero fazer coisas ruins com você

 

Deus! Como poderia haver tal criatura na face da terra. Em todos os meus 90 anos como vampiro, eu nunca tinha sentido o sabor ardente que o cheiro do sangue dela aparentava. Ela foi tomar banho e eu me senti obrigado a procurar tudo sobre a vida dela em seu quarto. Ela tinha virado a minha obsessão nessa última semana que havia marcado a vinda dela para Forks.

Mesmo tentando me desvencilhar, eu parecia não conseguir ficar muito tempo longe dela. Eu precisava sentir mais e mais aquele cheiro tão gostoso. Eu precisava mordê-la, eu precisava tomar todo o sangue dela. Gota por gota, até não restar mais. Vasculhei cada cantinho do quarto dela. Abri o armario e senti o perfume que emanava das roupas dela. Era doce e amargo e enlouquecedor, assim como o sangue dela.

O sangue dela: minha obsessão eterna.

 

When you came in the air went out / Quando você veio, o ar foi embora

And every shadow filled up with doubt / E cada sombra se encheu de dúvidas

I don't know who you think you are / Eu não sei quem você pensa que é

But before the night is through / Mas antes que a noite acabe

I wanna do bad things with you / Eu quero fazer coisas ruins com você

I wanna do real bad things with you / Eu quero fazer coisas realmente ruins com você

 

            Ela saiu do banho enrolada numa toalha cor de rosa. Eu sai, como um trovão, pra fora do quarto dela, pela janela. Logo em seguida, ela foi cozinhar. Provavelmente para ela e o pai. Era uma espécie de macarronada. Molho branco e queijo ralado. Comida rápida, sem segredo e, pelo o que eu ouvia, gostosa para o paladar humano. Pelo menos, para o meu paladar, gostoso seria ela. Sem acompanhamentos.

            O pai chegou, jantou com ela. Conversaram um pouco na sala enquanto ele via os melhores momentos dos jogos do dia ao redor do mundo. Depois ele foi se deitar e ela foi lavar a louça. Ao acabar, ela colocou o baby doll, muito sexy por sinal, e foi se deitar. Ela pegou no sono e foi aí que eu não pude controlar meus instintos. Entrei no quarto e me encaminhei até a cama dela, para dar o primeiro e último beijo. O beijo da morte.

 

I don't know what you've done to me / Eu não sei o que você fez comigo

But I know this much is true: / Mas eu sei que isso tudo é verdade:

I wanna do bad things with you / Eu quero fazer coisas ruins com você

I wanna do real bad things with you / Eu quero fazer coisas realmente ruins com você

 

            Esperei até ela se virar para uma posição propícia para que seu pescoço estivesse a mostra. E ela finalmente aconteceu.

            Me debrucei.

            Coloquei minhas presas para fora.

            E ouvi a última frase dita por entre sonhos...

            - Edward...

           

            Dentre tantas frases que poderiam ser ditas... Porque ela escolheu essa?

Fui embora, deixando nada mais que um beijo, o primeiro beijo, em sua bochecha.

 

 

The End

Never Think - Capítulos 21 ao 23

Capítulo 21

 

 

 

Foi assim que a minha filha colocou a nossa inteira existência a prova. Charlie ouviu aquelas palavras e ficou parado como uma estatua. Olhando de mim para Bella e para Jacob, esperando que alguém falasse alguma coisa plausível. Olhou mais uma vez para Renesmee e balançou a cabeça. Não pode ser! Ele pensou. Então uma variedade de momentos ocorridos passou por sua mente. Desde os telefonemas para Bella na época que ela havia voltado da lua-de-mel e estava com suspeita de uma doença tropical, até a primeira vez que a viu depois da transformação e o conhecimento de sua neta, que crescia absurdamente rápido. Ele estava confuso, isso era perceptível. Mas ele não negava a possibilidade.

Seus olhos pousaram em Jacob, como se ele esperasse que Jake negasse tudo aquilo que ele já tinha quase certeza que não era uma besteira qualquer de Renesmee.

- O quê? Não olha pra mim! – Jacob disse. – Eu não tenho nada haver com isso.

- Jacob! – Renesmee gritou em desaprovação.

- Que é, Nessie? Você realmente espera que eu me meta nisso? – ele perguntou.

- Calem a boca vocês dois! – Bella falou alterada. – Olhem para Charlie!

Com certeza, se eu não soubesse da verdade, eu poderia dizer que Charlie também havia virado um vampiro. Ele estava branco como mármore, e eu podia ouvir o ritmo do seu coração se desestabilizar. E aquilo significava apenas uma coisa. Antes que eu pudesse me adiantar, Charlie caiu no chão segurando o peito, com cara de dor. Era um AVC, eu havia estudado em minhas várias faculdades de medicina. Ate porque no meu caso, era bem mais fácil de perceber, pela minha capacidade de ouvir o ritmo cardíaco.

Bella, assustada, soltou um grito e foi ao socorro do pai. Logo em seguida, eu me coloquei ajoelhado ao lado de Charlie, que se contorcia em dor.

- Deus, Edward! – Bella gritou desesperada, tentando abraçar o pai dela. – O que vamos fazer?

- Primeiro... Jacob! – eu gritei – Jacob, tire Bella de perto dele!

- O que? – ela perguntou – você enlouqueceu? Eu não vou sair daqui de perto do meu pai!

- É pro bem dele, Bella. Agora, saia daqui! – eu gritei novamente, olhando para Jacob, que a tirou pelos braços, sem resistências. – Eu preciso de Carlisle! Renesmee! – eu gritei por minha filha, que estava prestes a chorar do meu lado, achando que tudo aquilo era culpa dela. – Ligue pro seu avô e conte o que aconteceu. Agora! Já!

Ela discou e me passou o telefone, que em menos de nanosegundos foi atendido.

- Sim, Ed. – Carlisle respondeu.

- É o Charlie, Pai. Ele teve um AVC. Você acha sensato leva-lo para o hospital daqui de Forks, ou seria melhor o de Seattle?

- Eu acredito que o de Forks é sensato, mas depende da situação. Leve-o ao de Seattle o mais rápido possível, pois na falta de equipamentos ele vai ter que ser removido para Seattle e pode ser tarde demais.

- Obrigado, Pai! – e eu desliguei. Segurei Charlie, já inconsciente, em meus braços. – Vou ter que leva-lo para o hospital de Seattle. Peguem o carro e me encontrem lá. Vou correndo.

E assim eu disparei com a maior velocidade que eu podia, chegando a Seattle míseros três minutos depois. Bem perto do hospital, peguei um táxi para fingir ter vindo de automóvel e não andando até o hospital. Charlie deu entrada no CTI e foi encaminhado para uma cirurgia de emergência, mas eu tinha consciência de que tudo ia ficar bem. Precisava ficar bem.

 

 

Capitulo 22

 

 

Graças a Deus tudo deu certo na cirurgia. Charlie só precisou fazer uma ponte de safena e tal, coisas normais e fatídicas de humanos. É claro que mesmo eu falando com todo o meu conhecimento de Medicina em Harvard e em Oxford, Bella não acreditou de primeira quando eu disse que ele estava bem. Charlie estava dormindo a quase dois dias, mas isso era normal. Ele tinha acabado de ser transferido pro quarto, quando Bella me chamou pra conversar.

- Edward, - ela me perguntou, olhando fundo nos meus olhos – o que vamos fazer agora?

- Eu... – respondi, um pouco sem palavras – Eu realmente não sei.

- Oh, Deus, Edward! Será que isso será um motivo para os Volturi matarem meu pai? Ou até mesmo perseguir a nossa família?

- Não sei, meu amor. Mas eu desconfio que os Volturi serão problemas ínfimos ao lado do que vai acontecer com a nossa relação com Charlie e o que vai ser dito sobre a nossa existência caso ele resolva contar para todos.

- Não, Edward. Ele nunca faria isso! – ela respondeu, se virando para olhar para baixo, mexendo com os dedos – Além do mais, ele não vai acreditar, vai?

- Eu temo que sim, meu amor. – eu respondi, segurando seu rosto para perto do meu. – Veja bem, eu ouvi os últimos pensamentos de Charlie antes de ele desmaiar. E ele estava achando a possibilidade mais que plausível. Ele revisitou memórias importantes para a afirmação de tal fato.

- Será, Edward! – ela perguntou, um pouco confusa.

- Senhor Cullen e Srta. Swan? – um médico perguntou, interrompendo a nossa conversa.

- Sim. – eu e Bella respondemos, uníssonos.

- O senhor Charlie Swan acordou e gostaria de falar com vocês e com a sua irmã e o namorado.

Ok, então Charlie conseguiu uma boa forma de explicar quem Renesmee e Jacob eram.

- Muito obrigado! – eu respondi para o enfermeiro. Bella me olhou com um olhar preocupado, nervoso. – Não se preocupe, Bella! – eu falei, baixo o suficiente para somente nos dois ouvirmos – Vai dar tudo certo.

Entramos no quarto onde Charlie estava e Jacob e Renesmee já estavam ao redor da cama. Olhando para ele.

- Feche a porta, por favor, Edward. – ele disse, com uma voz cansada. Eu obedeci, parecia que ele realmente queria ter uma conversa séria. – Eu gostaria de falar com vocês sobre o que houve.

- Papai... – Bella começou a falar, mas Charlie interrompeu.

- Bella, por favor. Deixe-me acabar... Sobre o que houve... Eu gostaria muito que você soubesse que eu não ligo. - Se pudesse, Bella estaria chorando. Ela soluçou ao ouvir a frase do pai.

- Pai... você sabe mesmo o que você esta fazendo? – ela perguntou.

- Sim, Bella. – ele respondeu, tentando alcançar a mão de Bella que estava perto do seu braço. – Não importa em que categoria animal você se encontra agora, você é minha filha e sempre vai ser.  – Ela abraçou o pai muito forte, dando um beijo na sua cabeça. – Bella! Bella! Não... Me... Esmague!

- Oh, pai! Desculpa! – ela disse rindo.

Renesmee que estava ao meu lado, me abraçou, com uma aparência quase que chorosa. Jacob olhou para mim e piscou. Eu imaginava e esperava que tudo desse certo! Ele pensou.

- Mas agora... – ele falou, tentando levantar um pouco o corpo da cama – Vocês têm que me prometer que irão me contar tudo sobre essa história.

- Pai... – Bella falou, num tom não tão descontraído quanto o dele. – É que é complicado nós contarmos tudo. Existem perigos aos quais o senhor esta exposto agora que sabe da verdade.

- Perigos? – ele perguntou.

- Sim, Charlie, perigos. – Dessa vez foi Jacob quem respondeu. – Acredito que quanto menos o senhor souber, melhor. Mas se o senhor quiser saber tudo mesmo sobre isso, eu terei o prazer de contar ao senhor e também terei o prazer de protegê-lo!

- Você também é...- ele perguntou assustado, mas diminuindo a voz na ultima palavra. – vampiro?

- Não, não! Deus que me livre! – ele respondeu, rindo. Olhando para a cara brava que Renesmee estava fazendo no momento. – Eu sou um lobisomem. Ou pelo menos assumo, as vezes, uma forma de lobo!

- Jesus, apaga a luz! – Charlie exclamou. – E eu achei que minha vida estava estranha no vampiro!

 

 

Capítulo 23

 

 

Dentro de mais dois dias, Charlie foi liberado para voltar pra casa. É claro que, nesses últimos dias no hospital, nós tivemos que contar um pouquinho sobre toda a nossa vida dupla para ele. Jacob contou dos shapeshifters, eu e Bella contamos sobre os vampiros. Pelo menos tudo estava bem agora, Bella não precisava se preocupar em o que seu pai iria pensar sobre tudo isso. Ela já o sabia agora.

Estávamos ficando na casa de Charlie, já que ficaria um pouco estranho se ficássemos na nossa antiga casa que, enquanto o povo de Forks sabia, tinha sido vendida. Renesmee estava usando o antigo quarto de Bella, enquanto Jacob dormia na sala. Como agora Charlie sabia que nem eu nem Bella dormíamos mais, ele não ficou tão relutante quando dissemos que estava tudo bem ficarmos sem quarto. Na primeira noite que Charlie passou em casa, eu e Bella fomos revisitar a nossa clareira.

- Eu vou sentir falta disso aqui. – eu falei para Bella.

- Como assim, sentir falta? – ela me perguntou – Agora que Charlie sabe, nós podemos ficar.

- Meu amor, - eu falei, em um tom bem calmo – Charlie sabe. Mas o resto de Forks não. Quanto tempo mais você pretende ficar levando a vida aqui, esperando pelo dia da revolta da população?

- Mas Edward... – ela disse, tentando não parecer aflita – é meu pai...

- Sim, Bella. Mas a menos que ele venha com a gente pra Inglaterra, vai ser difícil de nós o vermos com freqüência. Você já sabia disso quando você casou comigo.

- Sim, Ed. Mas naquela época eu nunca pensei em Charlie sabendo a verdade.

- Ok, Bella. Agora ele sabe. Mas me diz no que isso é extremamente diferente? – eu disse, usando a minha voz um pouco mais forte – É até mais perigoso, você sabe disso!

- Exato, meu amor. Esse é mais um motivo para nós ficarmos perto. E se os Volturi vierem?

- Isso é fora de cogitação, meu bem. – eu disse, balançando a minha cabeça. – Se nós estivermos aqui será pior, isso sim atrairá os Volturi. E não é isso que nós queremos.

Eu senti Bella ficando mais triste e preocupada. Era claro que ela iria sentir falta absurdamente do pai, não importa o quanto ela dissesse o contrário. Além das saudades, haveria uma preocupação mórbida agora que ele sabia tudo sobre o nosso universo vampírico. Ele necessitava de proteção, mas não conosco. Isso seria arriscado. Foi quando eu me lembrei da frase de Jacob e tudo fez sentido.

Acredito que quanto menos o senhor souber, melhor. Mas se o senhor quiser saber tudo mesmo sobre isso, eu terei o prazer de contar ao senhor e também terei o prazer de protegê-lo!

- É isso, Bella! – eu disse, como se gritasse “eureca!” por cada poro do meu corpo de vampiro. – Preciso resolver uma coisa. Já volto, meu amor!

Fui atrás de Jacob na casa de Charlie. Ele estava dormindo, mas eu nem me importei.

- Acorda, Jacob! – eu sussurrei.

- han? O que? – ele resmungou, assustado. – Po, sogrinho, não se acorda um lobisomem assim não. Ainda mais quando ele está sonhando com o beijo dado na namorada metade vampira dele. – então ele soltou um grande sorriso.

- Toma jeito, Jacob! – eu disse, irritado – Se você tava sonhando com minha filha, graças a Deus eu te acordei!

- Que é que foi? – ele perguntou com muita atitude.

- Primeiro, abaixa a bola, cachorrinho. – eu disse, rindo. – Segundo, preciso que você chame o seu bando para uma conversa. É um pouco sério, no caminho eu te conto.

- Ok! – ele disse, tirando a blusa que estava usando por respeito a Charlie. – Vamos lá pra fora e, por favor, me dê um pouco de privacidade para eu me transformar.

- O que você quiser, lobo mau.

terça-feira, 25 de novembro de 2008

Never Think - Capítulos 19 e 20

Capítulo 19

 

 

No dia seguinte, tudo o que eu prestava atenção era do ponto de vista de Jacob. Ele havia deitado do lado de Renesmee para esperá-la acordar. Nervoso com tudo o que havia acontecido, lembrando da noite de ontem onde subitamente concordamos com uma trégua. Ele observava minha filha com um respeito absurdo. Ele a analisava, mas não ressaltando pontos considerados promíscuos. Todas as curvas de Nessie eram analisadas com um sentimento profundo, quase que de admiração. Enquanto ele acariciava a face dela, ele suspirava internamente e ressaltava cada contorno no qual passava os dedos, carinhosamente.

Depois de alguns minutos ao seu lado, dormindo, Renesmee acordou e olhou para Jacob. Então eu comecei a prestar atenção em mais um pensamento. Era claro que Nessie achava que estava sonhando ainda.

- Boa noite, bela adormecida! – ela havia falado, dando um beijo em sua testa.

- Jacob... – ela resmungou, tentando se espreguiçar. – Oh, Deus! Estou sonhando...

- Não, Nessie! – ele riu – Você não esta sonhando, eu realmente vim te encontrar. Viajei até aqui na África. Por você...

- Impossível. – ela disse, sacudindo a cabeça. – Depois de você e papai brigarem, você nunca mais vai querer falar comigo. E ele também nunca mais vai querer você comigo.

- Na verdade, Nessie – ela falou, enquanto brincava com uma mecha do cabelo dela – Seu pai deixou que eu ficasse aqui no mesmo hotel que você. Inclusive, ele me desculpou e nós firmamos um tipo de trégua!

- Ah ta! – ela disse, fechando os olhos e puxando o edredom de volta ate em cima de sua cabeça – Agora eu tenho certeza de que você é uma alucinação e eu estou, ainda, dormindo.

- Ok, Nessie. Vou te provar de uma vez por todas que você não está sonhando... – ele falou, com um sorriso meio torto no rosto.

E foi assim, por dois pontos de vista diferentes, que eu assisti o primeiro beijo da minha filha.

Eu me controlei demais para não ir lá terminar com o que eles estavam fazendo. Bella, que estava do meu lado, percebeu meu súbito desespero. Ela veio ao meu encontro e me abraçou.

O que foi, amor?

Mas eu não consegui responder, eu estava a ponto de explodir. Pensei em socar a parede, mas eu iria levar o hotel abaixo se usasse força em comparação a minha raiva. Pensei em ir estrangular Jacob, mas isso não seria muito sensato de se fazer desde todas as coisas que aconteceram por causa do meu ciúme de pai. Pensei em ir atrapalhar, mas isso não seria muito sensato de se fazer, partindo do principio de que eu não gostaria que fizessem isso comigo. Então eu descobri como ficar normal de novo.

- Bella, vem comigo!

Puxei Bella pelas mãos e pulei pela janela, não me importando muito em olhar se havia algum mortal la embaixo. Pra minha sorte, não tinha. Sai correndo, carregando Bella nas costas ate que chegássemos nas cavernas da floresta. Lá, não me contive. Rasguei toda a roupa de Bella, que por algum acaso tinha sido um dos vestidos que Alice havia comprado para ela aqui na África do Sul. Isso dava a oportunidade dela comprar outro, caso realmente tivesse gostado. Se bem que Alice nunca deixava a gente usar a mesma roupa mais de uma vez.

Beijei seu corpo quase nu, coberto apenas por uma calcinha de renda branca. Bella gemeu e me olhou com uma cara de fome, vontade de fazer aquilo.

- Ed, - ela disse, em um suspiro – eu te amo... tanto!

- Eu também, Bella. – eu respondi, beijando-a na boca, com o máximo de paixão. – Eu também.

Só voltamos para o hotel na manhã seguinte. E tivemos como recepção olhares desaprovadores de Jasper, risonhos de Alice, encorajadores de Jacob e confusos de Renesmee.

Desculpa por ontem, Jacob pensou, e obrigada pela não-reação de me matar!

Por enquanto, eu pensei, tente não fazer isso de novo, senão eu mato! Mesmo sabendo que ele não poderia me ouvir...

Pelo menos ele a amava.

 

 

 

Capítulo 20

 

 

Nas três semanas seguintes da nossa estadia na África do Sul, foi praticamente uma variação sobre o mesmo tema. Sair, caçar, conhecer novos lugares, jantares luxuosos onde a maioria não comia, traje de gala. Passamos muito bem pelo nosso papel de adolescentes riquinhos em viagem paga pelo papai. Mais ou menos um mês e uma semana depois que chegamos lá, Carlisle chegou, trazendo consigo Esme, Rose e Emmett. Todos estavam bem animados de encontrar a família em paz, sem nenhuma discussão ou problema. Logo na noite em que chegou, Carlisle me chamou para uma conversa particular. Então resolvi sair com ele em direção a floresta que nos havia servido bem em todas as instancias.

- Meu filho, - ele disse com uma voz que eu já conhecia. – nós precisamos conversar. – Legal! Ele esta usando a voz de “Houston, temos um problema!”.

- Oh-ou. – eu exclamei, pensando nas várias possibilidades. – o que houve?

- É o Charlie, meu filho. Eu realmente acho que Bella deveria ter dado tchau para o pai dela antes. Ela esta cada dia mais triste, parece que a cada dia que passa sem ele vê-la, uma parte dele morre junto com esse tempo.

Legal... Era exatamente do jeito que eu passava quando não estava com ela.

- Sim, Carlisle. Eu temia exatamente isso. – eu respondi. – O que você sugere?

- Sugiro – ele disse com uma voz firme – que você a leve para vê-lo, uma ultima vez.

- Mas não é arriscado, pai?

- Sim, é arriscado. Mas ainda é a melhor opção. – ele disse, e levou a mão à testa. – Veja bem, nesses últimos anos, Bella manteve uma relação profunda com ele. Ele conhece Renesmee, ve a neta cada dia maior, não questiona nada. Tudo isso para se manter perto de sua família. O que você acha que ele espera? Ele realmente espera que essa relação perdure. Você não tem noção de como ele estava esses últimos dias em Forks, era desesperador!

- Você acha que eu devo contar pra Bella amanhã? – eu perguntei, um pouco receoso.

- Não, Ed. – ele disse, balançando a cabeça. – Eu realmente acredito que você deva contar pra ela hoje. E pegue o primeiro vôo para Forks amanhã. O nosso prazo naquela região está chegando ao fim! Precisamos deixar Bella e seu pai se despedirem antes que seja tarde demais para a situação oculta da nossa existência.

- Certo.. – eu disse temeroso. – Você acha que eu devo levar Nessie também?

- Edward, deixa eu te ajudar. Eis o que você vai fazer...

Então Carlisle me explicou uma teoria quase que conspiratória de o que iríamos fazer!

Primeiramente, só iríamos eu, Bella, Jacob e Nessie para Forks. O resto já iria se encaminhar para a Inglaterra para arrumar a nova casa e ajeitar todas as coisas. Pegaríamos o primeiro vôo, nos encaminharíamos direto para a casa de Charlie, contaríamos que estamos de mudança e assim que ele aceitasse, voltaríamos.

Simples, rápido e quase seguro. O único problema: lidar com as possíveis reações de Charlie.

 

***

 

Embarcamos no avião e chegamos dentro de poucas horas na península olímpica. Como combinado, fomos direto para a casa de Charlie. Ele ouviu o barulho do carro alugado e colocou o rosto na janela. Logo que viu quem estava chegando, se adiantou para abrir a porta e nos cumprimentar.

- Bella! Nessie! – ele disse, abraçando-as. – E Jacob e Edward também! – ele gritou por cima do ombro delas. Ele parecia super feliz com a visita inesperada.

- Papai! – Bella disse, abraçando-o mais forte que nunca.

- Vovô, que saudades! – Nessie disse, também beijando o avô no rosto.

- Oh, minhas queridas. – ele disse, abraçando-as tão forte quanto elas o abraçavam. – Espera aí! – ele disse, soltando-as. – Você nunca me abraçam tão forte assim.

- Claro que abraçamos, vovô. – Nessie respondeu, parecendo um pouco nervosa. Era claro que ela estava tentando omitir algo para o avô.

- Não, não abraçam. O que esta acontecendo? – ele perguntou, tremendo. – vocês vão embora, não é? É algo relacionado ao ‘quanto menos você souber melhor’?

- Papai, não seja infantil. – Bella falou, com um tom de reprovação.

- o que é isso, Bella? – ele falou, revoltado – você nunca me chama de pai, só de Charlie. E agora você me chama de papai? Tem algo errado sim senhor, desembucha Isabella!

Pois é. Ele ta com a razão agora. Jacob pensou.

- Charlie, não é nada disso. – Bella disse, tremendo. – nos vamos viajar, sim... Mas n-

- O que você vai falar, Bella? – ele disse, alterando a voz – Você vai viajar, mas não por muito tempo? Não minta pra mim, Bella. Você me deve a verdade.

- Não, Charlie. – ela disse, também alterando a voz. – Eu não te devo nada! Eu tenho 23 anos, não devo nada a você.

- Ah, é? – ele disse, quase cuspindo – E já que a senhora tem seus belos 23 aninhos, porque você me parece a mesma Bella de 18 anos? Cansei desse ‘quanto menos você souber melhor’! Pode me falar o que há por trás disso tudo agora!

- Não, pai. – Bella falou, quase chorando. – Não me faça fazer isso! Não mesmo!

- Bella, você me deve isso! Você me deve respostas! Eu sou seu pai!

- Pai, por favor... tudo menos isso!

- Não, Bella! NÃO! Cansei. Ou é isso, ou eu vou esquecer que eu tenho filha... e neta!

Nesse momento, Bella engasgou. Ela parecia que ia vir abaixo. Eu fui abraça-la, com medo do que poderia acontecer.

- Foi você, Edward Cullen! – ele apontou o dedo para mim. – Desde que você apareceu na vida da minha Bella, tudo foi transformado! Eu quero a minha filha de volta. E se eu não posso ter isso, eu vou te matar.

Charlie, então sacou uma arma e apontou pra mim. Renesmee, em um súbito apelo, se jogou em minha frente.

- Não, Renesmee! – quatro vozes gritaram ao mesmo tempo. – Não faça isso! – eu disse por ultimo.

- Não, pai. Eu não vou sair!

- Nessie, saia da frente de seu pai agora! – Charlie falou, pausadamente.

- Não, vovô. Não saio.

- Não, Nessie. Desde que seu pai veio com todos os segredos dele para dentro dessa família, ele estragou tudo!

- Vovô, você não vai matá-lo!

- O que, Nessie. Você acha que eu não vou ter coragem de atirar. EU TENHO!

- Não, vovô. Coragem o senhor tem. Mas você não vai consegui-lo.

- Ah é, Nessie? E porque você acha isso? – ele disse, preparando o gatilho para atirar.

- Porque nós somos imortais. Nós somos vampiros!

sábado, 22 de novembro de 2008

POV [Point Of View]

Point Of View


Edward’s PDV


            Era isso. Eu não conseguia parar de pensar em Bella. Desde que a deixei, naquele estado estático há alguns meses atrás. Mesmo indo atrás de Victoria, em prol da vida de Bella, tudo o que eu mais queria era voltar para os seus braços. Tudo o que eu mais queria era poder dizer que o que eu falei era mentira. Que eu não consigo ficar sem ela. Nunca consegui, nem nunca conseguirei.

            Apesar de todos os pedidos do meu pai, da minha mãe e dos meus irmãos, eu não conseguiria não ir atrás de Bella... Uma ultima vez.

 

 

I’m getting tired of asking/ Estou cansado de perguntar

This is the final time/ Essa é a última vez

So did I make you happy?/ Então eu te fiz feliz?

Because you cried an ocean / Porque você chorou um oceano

When there’s a thousand lines/ Enquanto tem milhares falas

About the way you smile/ Sobre a maneira que você sorri

Written in my mind/ Escrito na minha mente

But every single word’s a lie/ Mas cada palavra é uma mentira

  

            Eu fui embora da casa dos Denali por volta de quatro horas da manhã de uma terça-feira como qualquer outra. Eu corri o mais rápido que pude, para que chegasse ao meu destino final. Corri e nem o vento era páreo para minha vontade de ver Bella mais uma vez. Não queria encontrar com ela assim de cara. Não queria estragar o meu disfarce de não amá-la para protegê-la. Ver Bella se machucar seria o fim para tudo o que existe de bom em mim.

            Quando me dei conta, já estava nos arredores da floresta de Forks. Mas quase na divisa com La Push. O povo de La Push não era muito favorável a nossa existência. Eu já estava prestes a sair da fronteira, quando de repente avistei Jacob, o tal amigo de Bella. Ele estava distraído, cantando alguma canção Quileute. E para minha surpresa, ele estava pensando nela. Na minha Bella.

            Ele estava feliz por ter visto Bella em todos os dias dessa semana. Ele estava pensando agora em como ela estava quando entrou pela primeira vez por sua porta. Simplesmente não era a memória que eu gostaria de ver.  

            Bella, que já era naturalmente branca, estava transparente e apática. Tristeza escorria pelos seus olhos de uma maneira a congelar o coração de todos que agüentassem olhar para sua situação desesperadora. Mesmo o meu coração não pulsante não era páreo para tal dor pessoal. Tudo era frio, mesmo para minha pele de mármore. Tudo era cinza, mesmo que eu não pudesse viver ao sol. Tudo era sem vida, mesmo para um vampiro.

            Será que toda essa tristeza foi gerada pela minha incapacidade de lidar com a natureza da minha própria espécie?

 

I never wanted anything to end this way/Eu nunca quis que nada terminasse desta forma

But you can take the bluest sky and turn it grey / Mas você pode pegar o mais azul dos céus e transformar em cinza

I swore to you that I would do my best to change / Eu juro a você que eu poderia fazer o meu melhor para mudar

But you said it don’t matter / Mas você disse que não importa

I’m looking at you from another point of view/ Estou te observando sob um outro ponto de vista

I don’t know how the hell I fell in love with you / Eu não sei porque diabos me apaixonei por você

I’d never wish for anyone to feel the way I do / Eu nunca desejaria a ninguém se sentir do jeito que eu me sinto

 


            Meu corpo se contorceu com a menor lembrança da memória de Jacob. Eu me senti vazio; desesperado por ter ido embora. Se eu pudesse voltar no tempo, eu nunca teria deixado-a. Aliás, eu não teria nem começado a me relacionar com ela, pois meu amor é grande demais para tê-la e deixar que ela fosse embora logo depois...

 

Bella’s PDV

  

 

            Mesmo com toda a ajuda de Jacob, eu não conseguiria esquecer do meu amor por Edward. Ele estava me ajudando muito depois de tudo o que aconteceu, mas a tristeza ainda existia em meu ser.

            - Jacob, - eu disse – obrigada por ser tão legal comigo. Mas eu não quero falar sobre o... sobre ele.

            - Eu entendo, Bells. Mas você precisa entender. Se ele te amasse, ele não partiria assim.

            - Pára, Jake! – eu respondi, entrando em colapso nervoso. Chorando. – Eu o amava. Aliás, eu o amo, Jacob! Eu o amo!

            - Como você pode amar alguém que te faz mal?

   

Is this a sign from heaven, / É este um sinal dos céus,

Showing me the light? / Me mostrando a luz?

Was this supposed to happen? / Era para isso acontecer?

I’m better off without you / Estou bem melhor sem você

So you can leave tonight / Então pode ir embora

And don’t you dare come back and try to make things right / E nem tente voltar e fazer com que as coisas voltem a ser legais

Cause I’ll be ready for a fight / Porque eu estarei pronta para uma briga

 

 

            Eu saí correndo. Não queria mais ouvir a verdade pela boca de Jacob, pois eu sabia que ele estava certo.

 

 

I never wanted anything to end this way / Eu nunca quis que nada terminasse desta forma

But you can take the bluest sky and turn it grey  / Mas você pode pegar o mais azul dos céus e transformar em cinza

I swore to you that I would do my best to change / Eu juro a você que eu poderia fazer o meu melhor para mudar

But you said it don’t matter / Mas você disse que não importa

I’m looking at you from another point of view / Estou te observando sob um outro ponto de vista

I don’t know how the hell I fell in love with you / Eu não sei porque diabos me apaixonei por você

I’d never wish for anyone to feel the way I do / Eu nunca desejaria a ninguém se sentir do jeito que eu me sinto

 

Edward’s and Bella’s PDV

 

 

 

            E como eu queria viver em perfeição...

 

I don’t know how the hell I fell in love with you / Eu não sei porque diabos me apaixonei por você

I’d never wish for anyone to feel the way I do / Eu nunca desejaria a ninguém se sentir do jeito que eu me sinto

But I do / Mas eu me sinto

And you said it don’t matter / E você disse que não importa

 

 

 


THE END

sexta-feira, 21 de novembro de 2008

Never Think - Capítulos 16 ao 18

Capitulo 16


Acho que pela primeira vez o meu egoísmo foi valido. Eu precisava de um momento assim com a Bella antes que tudo mais ruísse a partir do alicerce da nossa reação. Eu não sabia o que ia acontecer com Jacob e Charlie lá em Forks, na conversa com Carlisle. Mas eu esperava que tudo corresse bem. Voltamos para o hotel muito felizes, e encontramos uma camareira um pouco irritada na nossa volta ao quarto. Ela falava alguma coisa em algum dialeto africano. Eu suspeitava que fosse algo relacionado a despudor e falta de vergonha na cara dos adolescentes. Mal sabe ela que eu tenho quase 115 anos e Bella tem quase 23. Provavelmente o que ela falou triplicaria no espanto.
Chegamos ao quarto e encontramos um bilhete de Alice na mesinha ao lado da porta.

Não se preocupe. Renesmee esta dormindo conosco. Vocês merecem uma noite sem preocupações. Carlisle ligou e disse que volta a ligar amanhã. Esta tudo bem. Beijos, A.

Graças a Deus, pelo o que parecia, estava tudo bem. Bella o leu junto comigo e depois se jogou na cama.
- Ai... é tão gostoso se jogar assim na cama. Não que eu precise dela mais, mas... Eu sinto falta. – ela me disse, fechando os olhos enquanto brincava de fazer um anjo, daqueles que se faz na neve, na colcha.
- Eu entendo você, Bella. Mesmo eu estando vampiro por muito mais tempo que a sua própria existência... – eu ri.
- É claro, eu sempre esqueço desse detalhe, vovô! – ele implicou. – Meu Deus, isso vai ter que ficar pra historia. Entrar no Guiness, eu digo! Menininha de 18 anos casa com tataravô de aproximadamente 110! Haha! – ela se divertia.
Bella mal sabia como ela era madura pra sua própria idade. Ela era bem mais do que todas essas menininhas mimadas e idiotas que viviam por ai. Bella tinha um dos maiores corações que eu conhecia.
Passamos a noite inteira conversando e no dia seguinte descobrimos que Renesmee tinha, finalmente, saído um pouco do seu transe. Ela havia dormido bem durante a noite, com a ajuda de Jasper e sua habilidade maravilhosa de mudar os sentimentos das pessoas. Ela estava bem menos apática e ate arriscava um sorrisinho aqui ou ali. As meninas resolveram aproveitar que estava chovendo de manhã e levaram Nessie para um passeio no shopping.
Ed, eu tenho quase certeza de que Carlisle vai ligar enquanto estivermos no shopping. Então aproveite para perguntar tudo o que tiver que perguntar, ok? Eu peguei Alice pensando, assim que as três saíram pela porta do nosso quarto. Jasper havia ficado comigo para dar um apoio emocional caso as noticias de Carlisle fossem ruins.
Não deu outra e vinte minutos depois que elas saíram, meu telefone celular tocou.
- Edward? – Carlisle falou – Tá tudo certo?
- Sim, Pai. – eu respondi. – O que aconteceu ai?
E então ele me contou tudo o que havia ocorrido. Tinha sido mais ou menos assim...
“Jacob havia entrado pela porta, com mais raiva do que Carlisle pensara. Ele simplesmente quase destruiu a porta. Sendo que ele estava com Charlie em seu encalço.
- Carlisle, - Charlie praticamente gritou – onde esta Bella?
- Eu não tenho certeza no momento, Charlie. – Carlisle disse, calmamente. – Será que você poderia se acalmar?
- Não adianta! - Charlie falou. - Você não me venha com esse papo de que você não sabe onde Nessie e Bella estão. Eu gosto de você e tenho um respeito enorme pela sua pessoa... Mas esconder minha filha de mim?
- Por favor, Charlie. Se acalme...
- Não ser atreva a pedir para ele se acalmar, Carlisle. Ele tem o direito de saber o que aconteceu. – Jacob gritou, cuspindo as palavras com uma violência terrível.
- Jacob, por favor... – Carlisle continuou em sua paz celestial.
- NÃO, CARLISLE! NÃO!!
- Jacob, se acalma! – dessa vez era Charlie quem falava. – Não adianta. Carlisle, por favor, onde estão Bella e Nessie?
- Elas estão viajando com Edward, Alice e Jasper. Não sei o exato local. – Carlisle respondeu, achando que o melhor era contar parte da verdade.
- E é verdade que eles não voltam mais? – ele perguntou, com os olhos marejados.
- Não sei, Charlie. Creio que voltam sim.
- MENTIROSO! – Jacob gritou. – Você não ve que ele esta mentindo, Charlie?
- Não sei para que ele mentiria Jacob. Ele parece tão confuso quanto eu. – Charlie respondeu.
- É isso o que eles fazem, Charlie. Mentem para nos. Como você pode não desconfiar?!
- Eu não entendo Jacob. – Charlie falou.”
Foi ai que Jacob estourou. Charlie olhou e em vez de um homem, havia um lobo ao seu lado.


Capítulo 17


Eu não podia acreditar no que ele havia me contado. Eu surtei no meio do quarto, taquei o telefone longe (sorte minha que não quebrou, pois Jasper o pegou a tempo e mandou Carlisle esperar) e mordi todas as almofadas possíveis. Depois de longos minutos me acalmando, eu ouvi o resto da historia de Carlisle.
“Carlisle fez um gesto quase imperceptível e bateu com toda a gentileza na cabeça de Charlie, apenas para desacorda-lo. Esme, que estava na cabana, ouviu a confusão e foi ao encontro de Carlisle, preocupada. Assim que viu que Charlie estava desacordado e que Jacob estava espumando de raiva.
Num movimento desesperado, Jacob tentou bater em Carlisle.
- Você é louco, Jacob? Você realmente quer que Charlie descubra nossos segredos? – Carlisle perguntou.
Jacob agora estava em movimento ela casa. Correndo, enlouquecendo.
Esme deu uma olhada para Carlisle e nem falou nada, aproveitou que a porta da sala ainda estava aberta, correu ate onde Jacob estava, agarrou-o e arrastou-o para fora da casa. Mesmo ele se debatendo, Esme levou-o ate uma parte mais afastada da casa.
- Você é um menino muito levado, Jacob. – Ela disse, puxando as orelhas de Jacob.
Jacob não pretendia revidar, ele gostava muito de Esme para isso, apesar dela ser uma vampira (se bem que Nessie era meio uma e ela a amava... Jacob era estranho!).
Com muita graciosidade, Esme começou a disciplinar Jacob. Ela o jogava para lá e para cá, falando coisas como quando se da bronca em uma criança. Carlisle se divertiu me contando tudo. Então, quando Jacob não agüentava mais, ele se transformou de volta, ficando realmente vermelho por Esme o ver pelado (Tudo bem, eu me diverti com essa parte. Só não quis demonstrar!). Ele voltou para a casa, se desculpou com Carlisle e depois levou Charlie embora, ainda desacordado, e colocou-o deitado na cama.
Esperou que Charlie acordasse e quando ele perguntou o que tinha acontecido, Jacob respondeu:
- O que aconteceu como, Charlie? Eu vim te chamar pra visitar papai e você dormiu no sofá?
- E essa dor de cabeça? – ele perguntou.
- Ah, - Jacob respondeu, tentando parecer envergonhado. – Foi que eu sem querer te derrubei no caminho, pela escada. Desculpa, eu não tive força o suficiente.”
Bom, pelo menos nenhuma reação em cadeia para acabar com tudo. Ri um pouco da situação com Jasper depois que desliguei a ligação com Carlisle. E terminei o assunto a tempo das meninas voltarem.
Depois de colocar Renesmee para dormir, eu e Bella saímos para passear. Um passeio romântico que tanto precisávamos. Ela se vestiu com um vestido tomara-que-caia azul escuro, que tinha uma faixa na cintura que terminava com um laço atrás. Mas as costas eram quase nuas, tirando a faixa com o laço. A pele branca e fria de Bella reluzia com a luz do luar. Ela também usava uma gargantilha prateada, com detalhes em safira, combinando com a sandália de salto alto prateada que Alice tinha comprado para ela no shopping.
Ela arrancava cada um dos suspiros, ela arrastava cada um dos olhares por onde passava. Desde o elevador até o saguão do hotel, desde o curioso olhar do vallet do estacionamento até o olhar embasbacado da recepcionista do resort onde fomos conhecer. Em uma de nossas identidades novas tinha escrito que tínhamos 18 anos, e tinha sido essa a escolhida para viajarmos para a África do Sul, já que precisaríamos ter menos um pouco quando fossemos desempenhar nossos papéis no Reino Unido.
No resort, escolhido por Alice para ser nossa destinação hoje, tinha varias formas de diversão, como: mesas de carteado, sinucas, passeios em balsas, piscinas em quartos particulares, entre outras. Ficamos um pouco de tempo na roleta, com Bella jogando os dados. Como ela nunca tinha tido uma noite de Las Vegas, ela se divertia muito. Passado um tempinho, fomos para a mesa de pôquer. E, é claro que não havia uma alma naquele recinto que ganhasse de mim já que eu via o que cada um tinha na mão. Bella num primeiro momento achava que roubar era errado, mas quando ela começou a ver a cara de espanto de cada um dos jogadores renomados que havia la, perdendo pra um garoto de 18 anos, ela começou a gostar e a se divertir comigo.
Depois de um tempo, fomos andar de balsa. Eu paguei um pouco mais para o cara que trabalhava na balsa me deixar sozinho com Bella. Aliás, um pouco mais, não. Muito mais. Porque ele não era autorizado a fazer isso, mas como ele viu a exasperação em dar um passeio sozinho com Bella e a quantidade de dólares que eu tinha deixado em seu bolso do paletó, ele não pensou duas vezes. Eu tinha acabado de dar o natal de três anos pras crianças dele no meu suborno.
Eu sempre havia sido um exímio navegador. Comecei a levar a balsa, rumo ao mar aberto. Não era perigoso para nós. Éramos vampiros. Então fomos conversando, rindo, nos divertindo mesmo. Quando chegamos a alto-mar, descobrimos que não era um mar revolto que circundava aquele lugar. Estava tudo muito calmo. Nos abraçamos e eu comecei a cantarolar a canção de ninar da Bella. Estávamos dançando, bochecha com bochecha, coração com coração. Sentia falta do coração pulsante de Bella, mas me contentava com o de Renesmee para escutar.
Me inclinei para beijar Bella, quando de repente o barco virou e a gente caiu na água. Mesmo não tendo ondas.
- Jacob, o que você esta fazendo aqui? – eu perguntei, me dando conta do que havia mandado a minha noite por água abaixo.


Capítulo 18


Que diabos esse cachorro tava pensado ao via pra cá de surpresa? Tudo bem que foi Carlisle que mandou ele pra cá, pagou pelo avião e tudo (eu vou ter uma conversa muito séria com meu pai, acho que ele ta ficando senil!). Mas uma coisa é vir resgatar a princesa encantada, que no caso é minha filha. Uma outra, completamente diferente é cortar com o meu barato e o de Bella na nossa pseudo-noite em Vegas.
- Eu espero que a Nessie fale comigo. – Jacob falou, quando nós já tínhamos conversado sobre como e porque ele tinha vindo. Eu dirigia o carro alugado de Jacob, essa era minha condição. Eu espero que ela não fale, eu pensava.
- Jake, como você achou a gente no resort? – Bella perguntou.
- Ah, Bells. O cheiro de vocês, bloodsuckers, é tão inebriante. – ele disse com um desdém na voz. – Foi fácil, na verdade. Na metade do caminho para o tal hotel que Carlisle havia me mandado procurar, eu me perdi no rastro que vocês tinham deixado. Eu senti o cheiro do sogrinho, digo... Edward. E depois senti o único odor de vampiro que consigo inalar, sem reclamar: o seu, Bella.
Oh! Tocante... Que vontade de vomitar, se eu pudesse.
- Ah ta... – Bella respondeu.
- Chegamos, galera! – eu falei. Assim que entramos no estacionamento do hotel. Jacob teve um bom gosto na escolha do carro. Era um Honda Civic. Um dos melhores na faixa de preço baixa que Jacob queria. Eu escolheria algo mais upper class, mas... Eu podia pagar né?
Saímos do carro e o vallet foi guardá-lo. Fizemos check-in de um quarto para Jacob e depois fomos para o nosso quarto, onde encontraríamos Renesmee e descobriríamos o que ela faria. Já no elevador, Jacob estava pensando no que iria falar para Nessie. Nessie, me desculpa pelo que aconteceu em Forks. Não, não. Nessie, me perdoa, eu não tive intenção... Tá horrível! Er, Nessie, eu te amo. Me desculpa? Agora sim. Ou não?
Eu não podia negar, ele estava tentando. Mas usar a frase mais importante do mundo, eu te amo, era totalmente incabível.
- Jacob, desculpa eu me intrometer, - eu falei, olhando seriamente para Jake. – Eu acho que você não deve se preocupar. Eu realmente acredito que ela vai entender.
Valeu, Edward! Jake pensou.
Eu tava muito bonzinho hoje. Mesmo depois de Jacob ter acabado com minha noite romântica com Bella. Saímos do elevador e nos direcionamos para o nosso quarto, o 1106. Havíamos reservado o 1107 para Jake, já que Alice e Jasper estavam no 1105. Antes que pudéssemos abrir a porta, Alice já havia aberto-a.
- Eu tentei ligar para o seu celular assim que o seu destino sumiu, mas ele tava desligado! – ela disse como se estivesse se desculpando.
- Você falou alguma coisa para Renesmee? – eu perguntei.
- Não, não. – ela me disse, olhando depois para Jacob. – Eca! Cheiro de cachorro molhado! Vai tomar banho Jacob, aproveita que a Nessie esta dormindo.
Ótimo, ele pensou, a Nessie está dormindo. Mais tempo para me preparar! Meu Deus! Será que ele poderia ser mais inseguro! Desisti de falar qualquer coisa.
- Ok. Vou até lá embaixo no carro pegar minhas roupas. – ele falou. Edward, você pode vir comigo? Ele pensou.
- Você quer companhia, Jake? – eu perguntei, acatando o pedido dele.
- Oh, sim! – ele respondeu, como quem não queria nada.
Acompanhei-o até a porta do elevador e nos entramos.
- Edward, - ele falou. – Me desculpa por hoje. Você e a Bella e tal.
- Han? Do que você ta falando? – eu perguntei.
- Hoje, no resort. Eu sei que você ficou com raiva de mim. Dava pra ver no fundo dos seus olhos.
- Ah, tá... – eu respondi, vendo a imagem de mim mesmo na mente dele. É. Realmente eu estava revoltado. – Eu entendo.
- Ok. Mas você sabe que eu precisava ver a Nessie.
- Sim. – eu respondi. – E falando nisso. Porque você é tão inseguro? – perguntei, assim que saímos do elevador.
- O que? – ele perguntou, realmente sem idéia do que eu estava falando.
- Você não percebe mesmo, não é? – eu falei. – Jacob, eu odeio ser a pessoa para te dizer isso, mas... – é... Eu vou me arrepender pra sempre desse momento. – Eu já visitei, de certa forma, a mente de Nessie. Ela realmente gosta muito de você. Não há necessidade de se preocupar.
- Edward, - ele disse, meio sem palavras – isso foi a coisa mais legal que eu já ouvi de você.
- É, eu sei! – eu falei, rindo – Mas se você contar que eu fui legal com você para qualquer um, eu te mato!
- Ok! – ele riu também. Então a mente dele virou um dos meus piores pesadelos. Ele imaginou Nessie... Eca!... Beijando-o!
- Credo, Jacob! Se controla, pelo amor de Deus! – eu reclamei.
- Oh... Desculpa, sogrinho. Nada proposital, ok?
- Aham. – eu disse, um pouco enfezado.
Pegamos a mochila dele no carro, ligamos o alarme de novo e subimos em direção ao elevador. Parece que, por enquanto, aquilo era uma trégua.