Capítulo 19
No dia seguinte, tudo o que eu prestava atenção era do ponto de vista de Jacob. Ele havia deitado do lado de Renesmee para esperá-la acordar. Nervoso com tudo o que havia acontecido, lembrando da noite de ontem onde subitamente concordamos com uma trégua. Ele observava minha filha com um respeito absurdo. Ele a analisava, mas não ressaltando pontos considerados promíscuos. Todas as curvas de Nessie eram analisadas com um sentimento profundo, quase que de admiração. Enquanto ele acariciava a face dela, ele suspirava internamente e ressaltava cada contorno no qual passava os dedos, carinhosamente.
Depois de alguns minutos ao seu lado, dormindo, Renesmee acordou e olhou para Jacob. Então eu comecei a prestar atenção em mais um pensamento. Era claro que Nessie achava que estava sonhando ainda.
- Boa noite, bela adormecida! – ela havia falado, dando um beijo em sua testa.
- Jacob... – ela resmungou, tentando se espreguiçar. – Oh, Deus! Estou sonhando...
- Não, Nessie! – ele riu – Você não esta sonhando, eu realmente vim te encontrar. Viajei até aqui na África. Por você...
- Impossível. – ela disse, sacudindo a cabeça. – Depois de você e papai brigarem, você nunca mais vai querer falar comigo. E ele também nunca mais vai querer você comigo.
- Na verdade, Nessie – ela falou, enquanto brincava com uma mecha do cabelo dela – Seu pai deixou que eu ficasse aqui no mesmo hotel que você. Inclusive, ele me desculpou e nós firmamos um tipo de trégua!
- Ah ta! – ela disse, fechando os olhos e puxando o edredom de volta ate em cima de sua cabeça – Agora eu tenho certeza de que você é uma alucinação e eu estou, ainda, dormindo.
- Ok, Nessie. Vou te provar de uma vez por todas que você não está sonhando... – ele falou, com um sorriso meio torto no rosto.
E foi assim, por dois pontos de vista diferentes, que eu assisti o primeiro beijo da minha filha.
Eu me controlei demais para não ir lá terminar com o que eles estavam fazendo. Bella, que estava do meu lado, percebeu meu súbito desespero. Ela veio ao meu encontro e me abraçou.
O que foi, amor?
Mas eu não consegui responder, eu estava a ponto de explodir. Pensei em socar a parede, mas eu iria levar o hotel abaixo se usasse força em comparação a minha raiva. Pensei em ir estrangular Jacob, mas isso não seria muito sensato de se fazer desde todas as coisas que aconteceram por causa do meu ciúme de pai. Pensei em ir atrapalhar, mas isso não seria muito sensato de se fazer, partindo do principio de que eu não gostaria que fizessem isso comigo. Então eu descobri como ficar normal de novo.
- Bella, vem comigo!
Puxei Bella pelas mãos e pulei pela janela, não me importando muito em olhar se havia algum mortal la embaixo. Pra minha sorte, não tinha. Sai correndo, carregando Bella nas costas ate que chegássemos nas cavernas da floresta. Lá, não me contive. Rasguei toda a roupa de Bella, que por algum acaso tinha sido um dos vestidos que Alice havia comprado para ela aqui na África do Sul. Isso dava a oportunidade dela comprar outro, caso realmente tivesse gostado. Se bem que Alice nunca deixava a gente usar a mesma roupa mais de uma vez.
Beijei seu corpo quase nu, coberto apenas por uma calcinha de renda branca. Bella gemeu e me olhou com uma cara de fome, vontade de fazer aquilo.
- Ed, - ela disse, em um suspiro – eu te amo... tanto!
- Eu também, Bella. – eu respondi, beijando-a na boca, com o máximo de paixão. – Eu também.
Só voltamos para o hotel na manhã seguinte. E tivemos como recepção olhares desaprovadores de Jasper, risonhos de Alice, encorajadores de Jacob e confusos de Renesmee.
Desculpa por ontem, Jacob pensou, e obrigada pela não-reação de me matar!
Por enquanto, eu pensei, tente não fazer isso de novo, senão eu mato! Mesmo sabendo que ele não poderia me ouvir...
Pelo menos ele a amava.
Capítulo 20
Nas três semanas seguintes da nossa estadia na África do Sul, foi praticamente uma variação sobre o mesmo tema. Sair, caçar, conhecer novos lugares, jantares luxuosos onde a maioria não comia, traje de gala. Passamos muito bem pelo nosso papel de adolescentes riquinhos em viagem paga pelo papai. Mais ou menos um mês e uma semana depois que chegamos lá, Carlisle chegou, trazendo consigo Esme, Rose e Emmett. Todos estavam bem animados de encontrar a família em paz, sem nenhuma discussão ou problema. Logo na noite em que chegou, Carlisle me chamou para uma conversa particular. Então resolvi sair com ele em direção a floresta que nos havia servido bem em todas as instancias.
- Meu filho, - ele disse com uma voz que eu já conhecia. – nós precisamos conversar. – Legal! Ele esta usando a voz de “Houston, temos um problema!”.
- Oh-ou. – eu exclamei, pensando nas várias possibilidades. – o que houve?
- É o Charlie, meu filho. Eu realmente acho que Bella deveria ter dado tchau para o pai dela antes. Ela esta cada dia mais triste, parece que a cada dia que passa sem ele vê-la, uma parte dele morre junto com esse tempo.
Legal... Era exatamente do jeito que eu passava quando não estava com ela.
- Sim, Carlisle. Eu temia exatamente isso. – eu respondi. – O que você sugere?
- Sugiro – ele disse com uma voz firme – que você a leve para vê-lo, uma ultima vez.
- Mas não é arriscado, pai?
- Sim, é arriscado. Mas ainda é a melhor opção. – ele disse, e levou a mão à testa. – Veja bem, nesses últimos anos, Bella manteve uma relação profunda com ele. Ele conhece Renesmee, ve a neta cada dia maior, não questiona nada. Tudo isso para se manter perto de sua família. O que você acha que ele espera? Ele realmente espera que essa relação perdure. Você não tem noção de como ele estava esses últimos dias em Forks, era desesperador!
- Você acha que eu devo contar pra Bella amanhã? – eu perguntei, um pouco receoso.
- Não, Ed. – ele disse, balançando a cabeça. – Eu realmente acredito que você deva contar pra ela hoje. E pegue o primeiro vôo para Forks amanhã. O nosso prazo naquela região está chegando ao fim! Precisamos deixar Bella e seu pai se despedirem antes que seja tarde demais para a situação oculta da nossa existência.
- Certo.. – eu disse temeroso. – Você acha que eu devo levar Nessie também?
- Edward, deixa eu te ajudar. Eis o que você vai fazer...
Então Carlisle me explicou uma teoria quase que conspiratória de o que iríamos fazer!
Primeiramente, só iríamos eu, Bella, Jacob e Nessie para Forks. O resto já iria se encaminhar para a Inglaterra para arrumar a nova casa e ajeitar todas as coisas. Pegaríamos o primeiro vôo, nos encaminharíamos direto para a casa de Charlie, contaríamos que estamos de mudança e assim que ele aceitasse, voltaríamos.
Simples, rápido e quase seguro. O único problema: lidar com as possíveis reações de Charlie.
***
Embarcamos no avião e chegamos dentro de poucas horas na península olímpica. Como combinado, fomos direto para a casa de Charlie. Ele ouviu o barulho do carro alugado e colocou o rosto na janela. Logo que viu quem estava chegando, se adiantou para abrir a porta e nos cumprimentar.
- Bella! Nessie! – ele disse, abraçando-as. – E Jacob e Edward também! – ele gritou por cima do ombro delas. Ele parecia super feliz com a visita inesperada.
- Papai! – Bella disse, abraçando-o mais forte que nunca.
- Vovô, que saudades! – Nessie disse, também beijando o avô no rosto.
- Oh, minhas queridas. – ele disse, abraçando-as tão forte quanto elas o abraçavam. – Espera aí! – ele disse, soltando-as. – Você nunca me abraçam tão forte assim.
- Claro que abraçamos, vovô. – Nessie respondeu, parecendo um pouco nervosa. Era claro que ela estava tentando omitir algo para o avô.
- Não, não abraçam. O que esta acontecendo? – ele perguntou, tremendo. – vocês vão embora, não é? É algo relacionado ao ‘quanto menos você souber melhor’?
- Papai, não seja infantil. – Bella falou, com um tom de reprovação.
- o que é isso, Bella? – ele falou, revoltado – você nunca me chama de pai, só de Charlie. E agora você me chama de papai? Tem algo errado sim senhor, desembucha Isabella!
Pois é. Ele ta com a razão agora. Jacob pensou.
- Charlie, não é nada disso. – Bella disse, tremendo. – nos vamos viajar, sim... Mas n-
- O que você vai falar, Bella? – ele disse, alterando a voz – Você vai viajar, mas não por muito tempo? Não minta pra mim, Bella. Você me deve a verdade.
- Não, Charlie. – ela disse, também alterando a voz. – Eu não te devo nada! Eu tenho 23 anos, não devo nada a você.
- Ah, é? – ele disse, quase cuspindo – E já que a senhora tem seus belos 23 aninhos, porque você me parece a mesma Bella de 18 anos? Cansei desse ‘quanto menos você souber melhor’! Pode me falar o que há por trás disso tudo agora!
- Não, pai. – Bella falou, quase chorando. – Não me faça fazer isso! Não mesmo!
- Bella, você me deve isso! Você me deve respostas! Eu sou seu pai!
- Pai, por favor... tudo menos isso!
- Não, Bella! NÃO! Cansei. Ou é isso, ou eu vou esquecer que eu tenho filha... e neta!
Nesse momento, Bella engasgou. Ela parecia que ia vir abaixo. Eu fui abraça-la, com medo do que poderia acontecer.
- Foi você, Edward Cullen! – ele apontou o dedo para mim. – Desde que você apareceu na vida da minha Bella, tudo foi transformado! Eu quero a minha filha de volta. E se eu não posso ter isso, eu vou te matar.
Charlie, então sacou uma arma e apontou pra mim. Renesmee, em um súbito apelo, se jogou em minha frente.
- Não, Renesmee! – quatro vozes gritaram ao mesmo tempo. – Não faça isso! – eu disse por ultimo.
- Não, pai. Eu não vou sair!
- Nessie, saia da frente de seu pai agora! – Charlie falou, pausadamente.
- Não, vovô. Não saio.
- Não, Nessie. Desde que seu pai veio com todos os segredos dele para dentro dessa família, ele estragou tudo!
- Vovô, você não vai matá-lo!
- O que, Nessie. Você acha que eu não vou ter coragem de atirar. EU TENHO!
- Não, vovô. Coragem o senhor tem. Mas você não vai consegui-lo.
- Ah é, Nessie? E porque você acha isso? – ele disse, preparando o gatilho para atirar.
- Porque nós somos imortais. Nós somos vampiros!
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