quarta-feira, 12 de novembro de 2008

Never Think - Capítulos 6 ao 12

Capítulo 6

Naquela mesma noite, Bella e eu resolvemos caçar e “desestressar” um pouco. Contei para ela tudo o que havia acontecido na conversa com Jacob e ela ficou bem mais feliz por eu não ter perdido o controle de mim mesmo. Olhando para ela aquela noite, eu estava mais disposto a mostrar a música para ela logo, logo. Ela não havia tocado mais no assunto desde que contei, provavelmente para que ficasse ao meu critério. Ou talvez para que eu ficasse com uma pulga atrás da orelha sobre seu silencio. E a segunda opção pareceria bem mais provável.
Decidi então que seria no dia seguinte a grande surpresa. Toda a família faria uma visita a Charlie e depois sairiam para o cinema porque Nessie queria ver um filme novo em cartaz. Um tal de ‘Crepúsculo’, que eu não sabia do que se tratava. Logo de manhã, falei com Alice que, obviamente, já sabia o que iria acontecer, e ela se encarregou de falar com Carlisle. Então, esperei todos saírem de casa para surpreendê-la. Trouxe o piano da casa de Carlisle para a nossa e esperei-a sentado, preparado para tocar.
Como forma de despistá-la, usei uma desculpa de que precisava conversar com ela sobre a viagem surpresa de Renesmee que estávamos organizando. Falei para ela ir ver Charlie enquanto eu ia até uma agencia de viagem ver possíveis roteiros de viagem para adolescentes normais. Tudo o que eu não faria, pois roteiros de pessoas normais eram nada comparados ao que eu realmente queria dar para Nessie. Mas, isso serviu como uma isca pra minha Bella.
Como esperado, por volta de seis da tarde, Bella estava de volta da casa de Charlie. Antes mesmo que ela pudesse abrir a porta de casa, eu já havia começado a tocar a sua nova música. Ela abriu a porta e deu de cara comigo, na nossa sala redecorada com um piano, tocando a sua mais nova canção. No mesmo momento em que percebeu o que estava acontecendo, Bella soltou um raio de sol em forma de sorriso. Se ela pudesse chorar, garanto que o teria feito.


“ Even tough I try to speak, / Mesmo que eu tente falar
Soundless words won't come out / Palavras não sairam da minha boca
Even tough I try to change / Mesmo que eu tente mudar
All I really want is to scream so loud / Tudo o que eu quero é gritar bem alto

I don’t need to know what to do / Eu não preciso saber o que fazer
Cause I know it all from the start / Porque você sabe de tudo desde o começo
And I don’t need to memorise you / Eu não preciso te decorar
Cause I already know you by heart! / Porque eu já te conheço de cor


You’re like an unwritten melody /Você é como uma canção não escrita
That keeps ringing inside my head / Que continua tocando em minha cabeça
You’re like a fully-instrumented symphony / Você é como uma sinfonia em todos os instrumentos
That I keep humming lay down on my bed / Que eu continuo cantando em sussurros deitado em minha cama...”

- Edward, - ela me disse, arrebatada em emoção. Tremendo até a ultima ponta do fio de cabelo dela, ela veio em minha direção – Edward, você é... você é... você não existe!
- Claro que existo, Bella. – eu respondi – Eu não sou uma miragem, mesmo eu sendo um mito da humanidade, eu existo. E você também, meu amor. – ela riu, se deliciando com cada nota da música. Edward, eu vou te atrapalhar se sentar do seu lado? Ela perguntou, por entre os vários pensamentos que ela desejava partilhar comigo. Desde o nosso primeiro encontro, o nosso primeiro beijo, o nosso casamento... a Ilha Esme, que por algum acaso ela demorou bem mais tempo revivendo, até a nossa noite na clareira onde eu havia contado a ela sobre a canção.
- Claro que não, my love! E, eu amei o revival da nossa vida juntos. – eu falei. Nesse momento ela me beijou na bochecha e eu percebi que nada poderia ser mais perfeito do que a nossa relação.

“ Maybe I won’t fit in your perfect world / Talvez eu não me encaixe no seu mundo perfeito
But I’m glad to only have you in my mind / Mas eu fico feliz de apenas tê-la em minha mente
Maybe life is not the way you’re told / Talvez a vida não seja tudo o que se é falado
But I’m glad to have you sweet and kind! / Mas eu fico feliz de tê-la doce e generosa!

Still I’m not supposed to have you here / Mesmo que você, supostamente, não poderia estar aqui
My single comfort is to picture you in my dreams / Meu único conforto é te enquadrar em meus sonhos
Still I’m not supposed to keep you near / Mesmo que, supostamente, eu não possa te ter por perto
My other good relief is to know you’ll think of me! / Meu outro grande alívio é saber que você pensará em mim!”


- Bella, você é a minha trilha sonora! – eu disse, em um suspiro. Eu estava chegando ao final da música e não conseguia parar de prestar atenção na feição de Bella. Agora ela repassava em sua cabeça a nossa primeira dança no prom da escola. Ela estava linda, mesmo machucada por culpa do James. Esse sim foi o primeiro vampiro que eu tive mais satisfação de matar, seguido pela Victoria. Agora ela dedilhava por alguns dos nossos beijos.


“What can we do to minimise the suffering? / O que podemos fazer para minimizar o sofrimento?
I still feel the touch of your lips while kissing… / Eu ainda sinto o toque dos seus lábios ao me beijar
Haven’t you heard me screaming loud out there? / Você não me ouviu gritando tão alto lá?
I still think of us together, everywhere, I swear!... / Eu ainda penso em nós dois juntos, eu prometo!”


Depois de acabar de cantar, continuei um pouco brincando com a melodia da música até que acabei de beijei Bella, que se sentava ainda do meu lado, passando por memórias mais recentes agora.
- Edward, - ela começou – você... deu algum nome para a música? Pra essa música perfeita?
- Sim. My bittersweet Melody. – eu respondi, com um sorriso. – Porque você é a minha melodia, a trilha sonora da minha vida, como já havia te dito antes.
- Oh, Ed! Me beije!


Capítulo 7

Só pra variar um pouquinho, naquela noite fizemos amor na nossa própria casa. Sem Renesmee para nos preocuparmos, sem pensamentos inescrupulosos de Jacob. Tudo na mais perfeita paz. No dia seguinte nós resolvemos discutir realmente discutir com Bella o que iríamos fazer na viagem com Renesmee, já que o aniversario dela estava chegando. Saímos bem cedo, por volta de sete da manhã. Nem Jacob tinha chegado de La Push para estudar com Nessie ainda. Eles tinham feito um pacto de estudo juntos. Nessie iria ajudar Jacob a estudar para a prova final de “homeschooling”.
Desde que Jacob havia resolvido retomar os estudos dele, há um ano e meio atrás, Renesmee começou a motivá-lo e começar a estudar junto com ele. É claro que nesses cinco anos, Nessie sabia muito mais do que qualquer adolescente com 14 anos. Até de mais idade, se duvidar. Eu e Bella educávamos a nossa filha com bases muito sólidas. Ela estudava todas as matérias, algumas outras atividades extracurriculares. E sempre buscava novos desafios, como ensinar ao Jacob os mistérios da matemática.
Pegamos o carro de Bella hoje. Depois desses cinco anos de casamentos, ela tinha que ter se acostumado já à vida, com algumas luxúrias que não lhe eram comuns quando era humana. Principalmente com a parte dos carros luxuosos, das preocupações inexistentes com possível falta de dinheiro (Alice era quase a nossa apólice de seguro nesse assunto) e com a beleza totalmente estonteante que nós, vampiros, exalávamos por aí. Ela até se animava a dirigir a mais de 180 km por hora na sua Ferrari vermelha.
- Edward, você já pensou em algum destino para nossa viagem? – Bella me perguntou, meio de supetão assim que entramos no carro.
- Bom, meu amor, - eu respondi – em algumas. Por quê?
- É que... Se você não se importar, eu tinha uma sugestão...
- Não mesmo, Bells. Qual a sua sugestão?
- Erm... – ela respondeu, parecendo meio receosa da minha reação. – Primeiro eu quero deixar claro que o que eu vou falar não é uma reclamação. Eu estou apenas contando fatos. A nossa 1ª lua-de-mel na Ilha Esme foi perfeita. A nossa segunda e a nossa terceira, eu já achei menos emocionantes. Ai, Deus. Eu nunca pensei que fosse falar isso, mas... Eu achei a França e a Rússia um pouco... Chatas.
- Amor, não se preocupe em falar que você se decepcionou. – eu disse, parecendo aliviado – Eu não vou ficar achando você uma metida esnobe que não gosta das coisas. – ah, não tive como não soltar essa e não rir depois.
- Claro que não, Ed. Eu não tenho problemas em falar que me decepcionei. Mas como foram as nossas lua-de-mel, eu não tinha certeza em como falar isso.
- Tudo bem, minha querida! Agora continua e me fala: o que se passa na sua cabeça com relação ao aniversário de Renesmee?
- É que... Você sabe que eu sou totalmente adepta a esportes radicais, né?
- Sim... Eu ainda me lembro de você humana pulando de penhascos e andando com vampiros e lobisomens... Mas continua.
- Aham.. – ela ficou meio envergonhada – Aí, eu estava pensando. O que você acha de irmos pra um lugar onde há chances de fazermos um bungee jumping esporadicamente, andar de motocicletas em alta velocidade e uma enorme variedade de novas espécies de alimentos para provarmos?
- Umm... O que você tem em mente?
- Nada mais, nada menos que... – ela deu uma parada fatídica – África do Sul!
Eu parei, meio chocado com a escolha dela, mas achei bem empolgante. Eu já tinha estado na África, mas só de passagem. Com certeza seria um máximo com Bella e Nessie. Sem contar com Jacob e Alice. E Jasper. Talvez Emmett. Ok... a família inteira, talvez. Ter família grande e unida é legal, pelo menos eu gosto de ter muita gente perto. Solidão quase nunca me faz bem.
- Bella... eu...
- Já sei, você odiou a idéia? – ela me perguntou, meio sem graça.
- Na verdade, Bells... Achei fantástica!
- Mesmo, mesmo, Ed?
- Sim! Achei espetacular. Vamos voltar para casa agora mesmo e contar para todos a nossa decisão, aproveitar que Nessie ainda deve estar dormindo.
- Mas, agora? Você não quer dar mais uma olhada em outras possíveis localizações?
- Não, Bella. E num era você quem tinha dado essa idéia maravilhosa? O que houve, desistiu?
- Não, Ed. De jeito algum...
- Então vamos logo!

Capítulo 8

Assim que entramos na casa de novo, Alice estava sentada no sofá como se esperasse para falar alguma coisa. Carlisle e Esme estavam ao seu lado, abraçados e sorrindo como sempre. Então, tem alguma coisa para nos contar? Alice perguntou, enfatizando ao me olhar, que ela já sabia de tudo.
- Carlisle, Esme... Alice, é claro! – eu falei – Decidimos o nosso itinerário.
- Sim! Sim! – Alice falou, não escondendo a animação.
- Alice, não precisava estragar a surpresa e contar para Carlisle... – Bella falou, olhando-a com uma cara brava.
- Ela não nos contou, Bella. Ela estava esperando vocês nos contarem. – Esme respondeu.
- Ah, não? – Bella parecia meio envergonhada agora.
- Não se preocupe, B. Eu não estou chateada pela reclamação sem precedentes. – riu Alice.
- Ah... brigada, Alice... – totalmente sem graça.
- Edward... – Carlisle começou a falar agora. – Então, qual é o misterioso destino?
- Bella, você se importa de falar o porque e onde? – eu retruquei, tentando fazer com que a Bella parasse de se culpar pelo dito a Alice, principalmente que a Alice não se importava de fato com aquilo.
- Sim... – ela disse, se recompondo. – Eu estava pensando em trilharmos um caminho menos tradicional, sabe... Algo como aventura-para-toda-a-familia... E eu cheguei a conclusão que o que a gente precisava era: África do Sul!
- ieeeei!!! – Alice gritou, mais feliz do que nunca! – Quando fazemos as malas?
- Bom - eu tentei responder – eu não sei, Alice.
- Edward... Vocês iam nos convidar, certo? – Carlisle perguntou, parecendo desconfortável com a animação repentina da Alice. – Nós não queremos interromper nada que inclua só você, a Bella e Renesmee.
- Carlisle – Bella começou, antes que eu pudesse dizer alguma coisa – Nós não só iríamos convidá-los, como também exigimos que vocês vão. Vai ser super divertido para todos nós!
- Obrigada pelo convite, Bella. – Esme falou.
- Não há de que, Esme. Eu amo muito todos vocês. E exijo a companhia de todos.
- E nos também amamos você, Bella. – Agora, Carlisle falava. – Mas, há algo que temos que discutir com vocês. Não é sobre a viagem e é um assunto um pouco complicado.
- Ok! – Bella respondeu.
- É sobre Forks. – Carlisle falou, meio abalado. – Nós vamos ter que nos mudar, e não há muito tempo restante.


Capítulo 9

Tudo o que eu observei em Bella foi um turbilhão de emoções. A face dela demonstrou primeiro: surpresa, uma surpresa de incondicional medo. Depois, ela parecia ameaçada, como se a felicidade dela fosse acabar. E, por final, ela parecia entender o que acontecia e porque deveríamos mudar. Mas o que ela mais tinha medo, eu imagino, era das implicações. Charlie, Jacob, casa.
- Alice, - eu disse, me virando para encarar minha irmã. – Quais são as complicações se ficarmos?
- Pessoas pretendem descobri de um jeito não amigável porque nunca parecemos envelhecer, porque nunca trazemos ninguém a nossa casa e porque somos esquisitos para eles. – Então Alice me mostrou uma pequena parte da visão. Era um caos, policia para todo o lado, Charlie aos prantos por ter que prender Bella. Uma confusão, de fato.
- Bella, meu amor. Não há outro jeito. – eu falei, tentando não olhar diretamente em seus olhos. Eu temia a dor que a desilusão dela poderia me causar.
- Se tiver que ser... – ela falou, com uma visão vaga e melancólica. – então, mudaremos.
- Carlisle – eu falei – Queria que você me desse um tempo para conversar com você sobre uma idéia, caso você me permita, é claro.
- Não, Edward. É claro que eu quero idéias. – Carlisle respondeu, ficando com uma aparência um pouco menos triste por causa da minha repentina vontade de conversar com ele. A verdade era que eu tinha algumas idéias muito boas sobre mudar, e elas eram ótimas para todos nós. Claro que havia implicações para todos; algumas maiores, algumas menores. Mas eu realmente esperava que Carlisle me desse uma chance de discutir pelo menos uma delas com o resto da família.
Era obvio que aconteceria um conselho sobre para onde mudarmos na nossa bela mesa de vidro de jantar, na qual não comíamos, somente conversávamos assuntos de família. Eu ainda me lembro bem o dia em que Bella colocou sua mortalidade à voto. “Quero que todos votem já que essa escolha incluirá a vida de todos vocês.” Ela disse, um pouco depois de voltarmos de Volterra.
Minha Bella era um caso muito especial de mulher. Madura pra idade dela quando ainda era humana, preocupada, carinhosa, one of a kind. Eu faria tudo por ela, porque ela me alucinava, em cada fibra do meu ser.
As idéias se misturavam feito folhas de arvore em uma tempestade na minha cabeça. Eu queria organizar as minhas idéias logo, falar tudo o que eu tinha que falar com Carlisle. Acho que ele ficaria orgulhoso das minhas surpreendentes idéias. Seria tudo o máximo!
- Então Ed, no meu escritório em uma hora? – ele falou depois de alguns segundos em que ele e Esme conversaram algo que eu não ouvi por estar absorvido pelos meus pensamentos – Acho que você precisa de um momento para organizar seus pensamentos.
- Sim, Carlisle, eu preciso mesmo. – respondi, e virei para Bella – Bells, preciso fica sozinho um instante, você se importa?
- Claro que não, Ed, meu amor. – ela me respondeu com um olhar doce, compreensivo e meigo. E sem trocar mais uma palavra com ninguém, eu me virei em direção a porta e sai de casa.

Capítulo 10

Assim que saí de casa, corri pra floresta e comecei a organizar tudo o que eu tinha pensado em menos de dois minutos. O que era inúmeras coisas. Entre elas: idéias, modos de fazer, implicações, complicações, prováveis discussões, prováveis não-aceitações. Pensei em cada um da família, e acreditava que eu poderia ter um ou dois problemas com Rose, e talvez Emmett, já que ele sempre ia atrás dela. Demorei aproximadamente meia-hora para juntar a história toda para Carlisle.
Depois de organizar tudo, corri de volta para a minha casa e encontrei Bella lá, lendo um livro da Jane Austen. Percebi que era Mansfield Park, o mesmo que havia me chamado atenção do seu comportamento há alguns anos atrás.
- Você não cansa desse livro, não é, Bells? – eu perguntei, dando um beijo em sua testa.
- Não. Eu acho esse livro tão... intrigante! – ela me respondeu, dando um sorriso. – Ele me lembra de você!
- Sei, sei! – respondi, entrando na brincadeira.- Bella, vou tomar um banho para falar com Carlisle.
- Ok... Ei, Edward?!
- O que, amor? – eu perguntei.
- Posso ir com você? – ela perguntou, com uma expressão muito tarada no rosto.
- Pega sua toalha e um patinho de borracha pra se divertir, B.
- Edward, eu não preciso de um patinho de borracha, eu tenho coisas melhores com as quais me divertir.
Só porque não tínhamos mais o que fazer, fizemos amor (de novo) no chuveiro. Era uma rotina prazerosa, afinal. Cuidar de Nessie, nos beijar, sair com a família, tentar não matar Jacob, visitar Charlie de vez em quando, sexo, passeios na clareira, sexo na clareira, passeios pela floresta, sexo na floresta, caçadas, diversões no piano, sexo no piano, tomas banho, fazer mais sexo no banho. Ai, ai.
Era tudo arrasador. Mas não entrando nesse plano conspiratório, eu troquei a minha roupa, depois de meus momentos de diversão, e fui falar com Carlisle. Dessa vez, eu não corri ate a minha antiga casa, eu apenas caminhei. Como um humano caminharia. Acho que eu tava tentando relembrar tudo o que eu havia juntado pra falar com ele, como se eu fosse me esquecer de alguma coisa a qualquer hora.
Entrei na casa e encontrei com Alice sentada na sala, tomando conta de Jacob e Nessie que estavam na cozinha. Ela não se importou de olhar pra mim, e ela provavelmente já sabia o que eu iria falar com Carlisle. Eu, particularmente, gostei da idéia. Principalmente como você arranjou pro Jacob e a Nessie nesse complô. Mesmo se o Jake não for, foi uma excelente idéia, Ed. Ela pensou. Sim, ela sabia. Eu olhei de volta, com um olhar que agradecia e ao mesmo tempo pedia um ‘boa sorte’.
Boa sorte, Ed. E, antes que você me pergunte, eu acho que ele vai aceitar, mas eu não posso ter 100% de certeza porque você ainda não contou, o que resulta nele não poder ter tomado uma decisão, certo? Hehe. Sim, certo, Alice. Eu já sabia dessa parte importante da habilidade de Alice. Ela não poderia saber o que iria acontecer desde que uma decisão tivesse sido tomada. Mas eu não estava mais preocupado agora. Eu real,ente acreditava que todos iriam concordar com a minha idéia. Então eu entrei no escritório de Carlisle, com toda a perseverança do mundo.
- Oh, Edward. Você chegou. E na hora certa! – Carlisle falou. – Achei que, do jeito que você estava nervoso, você iria vir antes.
- Aham. Eu me segurei para não vir antes. – respondi – Alias, Bella me segurou. Não intencionalmente, é claro.
- Sim, sim. Eu ouvi daqui. – ela falou, não deixando escapar um risinho. Me senti mal por isso. – Não precisa se envergonhar, filho, é bom que isso esteja acontecendo, é bom você ter encontrado ela. E eu sei que já te disse isso um milhão de vezes.
- isso realmente não é uma inverdade, pai! – eu ri.
- Mas então. Me diga, qual é a sua idéia. Estou contando com você!
- A minha idéia – eu comecei a dissertar meu discurso feito em menos de uma hora, sobre o próximo passo de nossas vidas. – é...


*****

Contei, então, para meu pai tudo aquilo que eu tinha pensado. Em tópicos para ele não se perder é claro.
Nós iríamos para Cambridge, na Inglaterra. Lá não tem muito sol, igual a Forks. Tudo bem que não era tão perto de Forks, alias, não era nem um pouco perto, mas com um avião, ficava fácil encontrar todos de novo. Continuaríamos a ensinar Nessie em casa, como sempre até ela chegar a sua estabilidade etária em aparência.
Eu, Bella, Alice, Jasper, Rose e Emmett, poderíamos estudar em Cambridge, afinal fazia 25 anos desde a ultima vez que tentamos faculdade em vez de Ensino Médio. Quanto a Jacob, ele poderia vir conosco, caso quisesse, entraria em uma universidade também, antes de Nessie, para poder se portar como veterano já que em aparência parecia mais velho que Renesmee. E Nessie entraria na faculdade logo depois que seu crescimento parasse.
Então, para não dar mais motivos pro povo de Forks não nos perseguir, nós faríamos uma viagem extendida com Nessie e iríamos direto para lá. Enquanto nós viajássemos por lugares até Renesmee crescer, Carlisle, Esme, Emmett, Rose e Jacob (caso isso fosse possível) iriam na frente para já estabelecer uma vida lá. E quando nos três voltássemos, Renesmee teria virado nossa irmã. Não seria difícil mentir sobre isso.
Quando eu acabei de falar todas essas idéias, Carlisle me olhava com um olhar perplexo. Acho que ele nunca me ouviu falar tanto em tanto tempo. Eu expliquei com minutos cada um dos meus pontos, explanando porque cada tópico era formidavelmente trabalhado. Eu parecia um psicopata do exercito ou de um desses movimentos contra governos. Ele piscou durante um ou dois minutos. E falou:
- Edward, você se superou em maluquice. Mas... eu gostei! Falaremos sobre isso hoje a noite, quando Jacob e Renesmee estiverem dormindo. E, dependendo da decisão do conselho, a gente conta pra eles amanhã.
- Certo, Carlisle. – eu disse, já saindo do escritório. Já faziam duas horas que eu tava lá dentro contando meus surtos para ele.
- Ei, Edward. – ele me chamou – Eu estou muito orgulhoso de você!
- Obrigado, Pai.


Capítulo 11


Por volta de dez e meia da noite, Jacob havia ido para casa e Nessie estava dormindo na nossa casa. Eu e Carlisle resolvemos avisar da reunião somente na hora em que ela aconteceria. Nos encarregamos de pedir para cada um dos membros da nossa família nos encontrar para a reunião na mesma mesa de jantar em que a votação de Bella havia acontecido. Nós nunca pensávamos que aquela mesa fosse ser o palco de decisões tão importantes quando a compramos para mobilhar nossa casa de Forks. E agora, ela estava sendo o lugar em que decidiríamos a nossa próxima habitação.
Todos chegaram à mesa antes das onze badaladas do relógio da cozinha. Então, Carlisle deu uma educada tossida para que todos se calassem e ele pudesse começar a discutir assuntos.
- Cara família, - ele começou, enquanto todos os olhos pousavam nele – como vocês todos já devem saber, Alice vê grande desgraça acontecendo caso nos decidamos ficar aqui em Forks. Como ninguém deseja esse problema todo em nossa existência numa cidade ate então pacifica, nós, eu e Edward, começamos a pensar em soluções. Depois de uma conversa, eu soube o que Edward tinha em mente e... gostei! – ele apontou pra mim – Edward, por favor, expresse sua idéia.
Então eu contei a todos o que eu havia contado a Carlisle. Depois de longas duas horas respondendo perguntas e contando cada aspecto do meu plano, ate então, infalível, eu passei a palavra para Carlisle. Ele então pediu um minuto para que todo mundo pensasse em cada detalhe de tudo e escolhesse se concordava ou não concordava com a ida para Cambridge. A primeira a falar foi Rose.
- Carlisle, - ela falou, terminando com o silêncio na sala de jantar – eu posso dizer o que eu acho sobre a idéia do Edward?
- Fique a vontade, Rosalie. – ele respondeu.
- Edward, não vou negar que eu fiquei muito surpresa pela idéia que você teve. Nós nunca mudamos dos Estados Unidos e nunca a nossa família foi tão grande. Acredito que não há maneira melhor de recomeçarmos do que fora do país. Eu estou tremendamente animada com a possibilidade de ir para a Inglaterra, tirando a parte da faculdade, e você sabe por quê.
Para aí! A Rosalie, minha irmã mais complexa, chatinha e contra tudo, havia simplesmente concordado com a minha idéia, assim do nada? Não, isso foi tudo minha imaginação. Oh my, não... não foi minha imaginação. E ela não estava blefando. Eu estava tão nervoso com a rejeição de alguém que eu nem tinha me preocupado em me focar nos pensamentos deles. Eu fiquei la, apático, apenas ouvindo o que a Bella falava comigo. E tudo o que ela falava era: Eles vão aceitar, relaxe! Sua idéia foi ótima, você pensou em todos. Carlisle esta muito orgulhoso.
- Então eu acredito – ela continuou – que o meu voto é a favor da mudança. Só que a minha opinião não é univalente. Acho que... é isso. Obrigada, Carlisle.
- Obrigada você pela opinião, Rosalie. Eu concordo com você. – Carlisle falou, sorrindo com o voto positivo de Rose. – Alguém mais tem alguma opinião para dividir conosco?
- Carlisle, - Bella falou – Acho que eu não preciso dizer o quanto eu concordo com Rosalie e com a idéia do Edward, não é?
- Não, Bella, não precisa. Isso já está bem claro em seu olhar.
- Eu também concordo com a Rose, Carlisle. – Emmett disse, concordando com Rosalie, como eu já previa.
- Sim, Emmett, eu sei. Alguém mais?
Dessa vez foi Alice quem falou.
- Carlisle, eu gostaria de ressaltar que, enquanto todos aqui decidiam, eu fui colocada a frente de todas as possibilidades de escolhas de todos. A última que eu tive foi em Cambridge com certeza, e parecia ter sido uma boa escolha. Mas eu não quero que isso mude a opinião de alguém.
- Eu acredito nas suas intenções, Alice. – Carlisle falou. – Agora, só falta saber a escolha de vocês, Jasper e Esme.
- Carlisle, eu concordo com qualquer escolha sua, meu amor. – Esme falou – E acredito que essa é uma opção excelente para a nossa família. Alem do que, não iram ter maiores problemas com os moradores daqui de Forks.
Então a atenção de todos se voltou para Jasper. O problema de Jasper era que ele odiava mudanças, apesar dessa se fazer necessária. Muita insegurança já passou pela cabeça dele. Mas agora ele já sabia o que ele queria.
- Eu... Eu acho que... Eu acho que é uma ótima idéia. E eu confio completamente na minha Alice.
Sim! Sim! Todos aceitaram. Eu estava tão feliz nesse momento. Eu não tinha te dito que você iria conseguir, meu amor. Agora é saber qual vai ser a reação de Nessie e Jacob. Bella pensou. Sim, agora era saber a reação deles. E essa, pra mim era pior parte.

***

Bem cedinho, eu fui até La Push para poder abordar Jacob assim que ele saísse de casa. Não ia ser fácil conversar com ele sobre a nossa decisão de ir para a Inglaterra. Bella me pediu para conversar com ele, enquanto ela conversava com Renesmee. Porque ela sempre ficava com a parte mais fácil?
Cheguei na casa dele e ele não demorou muito para sair de casa.
- Sogrinho! – ele falou, fechando a porta de casa. Eu odeio que me chame de sogrinho! Eu gritava por dentro. Mas eu realmente não podia discutir com Jacob, ainda mais porque eu iria contar que ele teria que praticamente escolher entre Nessie e Billy. Eu era um péssimo sogro, um péssimo amigo e um destruidor de famílias ou de romances. Dei o crédito para ele me chamar de sogrinho.
- Olá, Jakey! Como você está? – eu respondi, não escondendo simpatia em minha voz.
- Ok.. que que tá pegando? – ele me perguntou. Pois é, eu sou um péssimo mentiroso também. – Você não reclamou pelo sogrinho e me tratou com muita simpatia. Já sei... Você quer que eu me afaste de Renesmee?
- Não, Jacob. Não é isso.
- Então o que é? Você veio me matar?
- Claro que não, Jacob? O que diabos você pensa de mim? ... Tá, não responde.
- Tá.
- Eu vim conversar com você algo muito sério. Algo que você terá que escolher. E eu estou muito triste de ter que te pedir para escolher isso. Mas eu não tenho escolhas.
- Ok, Edward. Desembucha...
- Jacob, nós vamos nos mudar para a Inglaterra. Todos os Cullen.


Capítulo 12


Era provável que Jacob tivesse ficado pelo menos trinta segundos sem respirar depois do que eu havia dito. Tudo o que passava pela cabeça dele eram borrões dos momentos já passados, momentos a passar, escolhas e confusões. Eu acho que devia ter amortecido mais a cabecinha dele. Como eu já sou vampiro por mais de cem anos, eu já havia me acostumado com a parte de desapego. Tirando a Bella, é óbvio. Já que ela é uma parte tão preciosa da minha existência. Mas Jacob, coitado, eu entendia, por incrível que pareça, todo o sentimento de revolta e tristeza dele.
Para inicio de conversa, ele só virou lobisomem por nossa culpa. Ele se apaixonou pela minha mulher vampira e continuou a ter problemas enquanto a nossa situação de casal não tinha sido estabilizada. Depois, ainda por cima, ele imprinted na minha filha, Renesmee. O que mais eu poderia tirar dele? O que mais eu poderia fazer para transformar a vida dele de cabeça para baixo mais uma vez?
Ah, é claro. Algo simples: mudar com toda a minha família para outro continente, há um oceano de distancia de onde ele vivia e mais um pouco. Muito bom, Ed. Agora você se superou.
- Edward, - ele falou, voltando seus olhos preenchidos com lágrimas para mim. Ele estava chorando a exatos dois minutos, ininterruptos. – Você está brincando, certo?
- Não, Jakey. Eu nunca brincaria com algo assim. – e é verdade. Eu nunca, nunca mesmo machucaria alguém desse jeito.
- Mas... Mas.... Mas, por quê? – ele me perguntou, depois de um tempo.
Então eu expliquei tudo o que Alice tinha visto, de onde a minha idéia surgiu, porque dessa forma, como eu havia pensado nele e Nessie, todas as implicações de ficarmos, a votação. Ele parecia cada vez mais confuso e transtornado a cada nova frase que saia da minha boca. Não era minha culpa, mas eu estava com pena do Jacob. Mais pena do que eu jamais pensei que fosse sentir por ele. Ele não queria abandonar o pai, mas ainda assim, não conseguia viver sem Renesmee. E esse lado eu entendia completamente, era como eu me sentia com Bella.
- Billy... ou Nessie. – ele falou, tremendo, a ponto de explodir. – Como você espera que eu algum dia me recupere dessa escolha, seu canalha? Por que você não escolheu um lugar mais perto? Seu doente! – e como se fosse uma granada recém lançada, Jacob explodiu em raiva e se transformou, mais monstruosamente do que eu jamais tinha visto.
Ele veio pra cima de mim, querendo me matar. Eu me esquivei, quase que lento o suficiente para ele quase me pegar.
- Jacob, para com isso! Isso não é você! – eu gritei, tentando me livrar dos golpes repetitivos que ele tentava me dar.
Você acha que me dar uma vida com a Nessie durante quatro anos e depois tirar é justo, Edward? Você vai morrer! Ele pensava, furiosamente, uma patada depois da outra. Parecia uma luta de boxe tailandês, só que sem tailandês e sem luvas e completamente infiel aos combates televisivos.
- Jacob! Eu não vou te machucar! Pára com isso! – eu gritei novamente, tentando fazer com que dessa vez ele me ouvisse.
Não tem mais volta, BloodSucker! Você vai cair... Agora! Ele pensou, de novo, vindo com toda a sua força para cima de mim. Eu não tinha medo dele me machucar, o que eu me preocupava era como não machuca-lo. E, como se já não bastassem as minhas varias preocupações com ele, algo totalmente inimaginável aconteceu.
- Jake! Papai! Parem de brigar! – Renesmee gritou, chegando correndo com Bella em seu encalce.
- Nessie! Fique longe disso! Bella, leve-a embora! – eu gritei, preocupado demais com a minha filha para perceber a ultima emboscada da pata de Jacob.
Um barulho surdo e eu fui ao chão. Só Deus sabe o que aconteceu.
Eu ouvi um grito, aliás, dois gritos. Uníssonos. Senti uma mão em minha face que me fez tentar levantar.
- Jacob, eu não acredito que você fez isso! – eu ouvia minha mulher gritar. Foi então que eu me dei conta que eu tinha ficado à parte de tudo por um tempo que nem mesmo eu sabia. Não estava desacordado; somente fora do meu corpo. Jacob já havia retornado à sua forma humana, mas eu não tinha vontade de mata-lo. – Edward não te fez nada. – ela continuava a gritar. – Porque você tinha que mata-lo?
Me matar? Então era isso? Eu não estava morto! Ou estava? Será que havia realmente algo como vida após a morte para nos, vampiros? Eu não me dava conta do que tinha ocorrido. Foi ai que eu tentei me mexer.
- O que está acontecendo? – eu perguntei, em um suspiro.
- Edward! Papai! – eu ouvi Jacob, Bella e Nessie exclamarem juntos.
Nessie. Minha belíssima e pequena Nessie. Eu mal tinha percebido que ela estava ali, e que ela estava chorando. Ela se jogou em cima de mim, tão forte, que se eu pudesse, eu teria sentido dor. Então eu a abracei de volta, ouvindo todos os seus pensamentos. Eu estou tão aliviada que papai esta bem. Mas eu não quero culpar o Jake por nada. O que será que ele fez? Eu estou tão confusa. E a mamãe está tão irritada... o que será que vai acontecer. Estou realmente confusa...
- Renesmee, minha filha, - eu falei, levantando-me do chão onde estava deitado. – não se preocupe com nada. Não há com o que se preocupar. – ela tocou minha bochecha, gentilmente: Papai, eu estou realmente aliviada! E depois me abraçou.

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