quinta-feira, 27 de novembro de 2008

Bad Things

Bad Things

 

 

 

 

Desde a primeira inalada de seu cheiro, o sangue de Bella era como um veneno delicioso.

Purgante...

Cortante...

Inebriante.

 

Eu não podia negar, eu estava fadado a matá-la. Matá-la por ter aquele sangue tão apetitoso, que me fazia delirar. Como se fosse um instrumento de tortura medieval, que não tinha escrúpulos em machucar. O sangue dela não parava em nenhum obstáculo. Ele estava a ponto de me seduzir, de uma maneira simplória e mortal.

 

When you came in the air went out / Quando você veio, o ar foi embora

And every shadow filled up with doubt / E cada sombra se encheu de dúvidas

I don't know who you think you are / Eu não sei quem você pensa que é

But before the night is through / Mas antes que a noite acabe

I wanna do bad things with you / Eu quero fazer coisas ruins com você

 

Depois da aula daquele dia, eu a segui até em casa. Obviamente sem ela perceber a minha presença. Ela estacionou sua caminhonete vermelha em frente a sua casa, pegou a chave na sua bolsa e brincou com ela entre os dedos. Abriu a porta e antes mesmo de fechá-la já jogou a mochila pro lado de dentro.

Abriu a geladeira, pegou uma lata de refrigerante e começou a tomá-la. Sentou-se no sofá durante algum tempo e em seguida se levantou para ligar o som. Era uma música agitada, dessas novas que não me apeteciam. Ela começou a dançar, com a latinha na mão, cantando algumas frases, esporadicamente, da música.

O mais estranho era que mesmo o sangue dela sendo maravilhosamente apetitoso, suas curvas davam para dar uma derrapada com o meu Volvo. Ela era bonita, não sei como eu não havia percebido isso. E a maneira pela qual seu corpo se orientava, me deixava entorpecido, como uma droga que me deixava zonzo e mais viciado ainda.

 

 

I'm the kind to sit up in his room / Eu sou o tipo que se levanta na frente dele

Heart sick an' eyes filled up with blue / Coração doente e olhos preenchidos de azul

I don't know what you've done to me / Eu não sei o que você fez comigo

But I know this much is true: / Mas eu sei que isso tudo é verdade:

I wanna do bad things with you / Eu quero fazer coisas ruins com você

 

Deus! Como poderia haver tal criatura na face da terra. Em todos os meus 90 anos como vampiro, eu nunca tinha sentido o sabor ardente que o cheiro do sangue dela aparentava. Ela foi tomar banho e eu me senti obrigado a procurar tudo sobre a vida dela em seu quarto. Ela tinha virado a minha obsessão nessa última semana que havia marcado a vinda dela para Forks.

Mesmo tentando me desvencilhar, eu parecia não conseguir ficar muito tempo longe dela. Eu precisava sentir mais e mais aquele cheiro tão gostoso. Eu precisava mordê-la, eu precisava tomar todo o sangue dela. Gota por gota, até não restar mais. Vasculhei cada cantinho do quarto dela. Abri o armario e senti o perfume que emanava das roupas dela. Era doce e amargo e enlouquecedor, assim como o sangue dela.

O sangue dela: minha obsessão eterna.

 

When you came in the air went out / Quando você veio, o ar foi embora

And every shadow filled up with doubt / E cada sombra se encheu de dúvidas

I don't know who you think you are / Eu não sei quem você pensa que é

But before the night is through / Mas antes que a noite acabe

I wanna do bad things with you / Eu quero fazer coisas ruins com você

I wanna do real bad things with you / Eu quero fazer coisas realmente ruins com você

 

            Ela saiu do banho enrolada numa toalha cor de rosa. Eu sai, como um trovão, pra fora do quarto dela, pela janela. Logo em seguida, ela foi cozinhar. Provavelmente para ela e o pai. Era uma espécie de macarronada. Molho branco e queijo ralado. Comida rápida, sem segredo e, pelo o que eu ouvia, gostosa para o paladar humano. Pelo menos, para o meu paladar, gostoso seria ela. Sem acompanhamentos.

            O pai chegou, jantou com ela. Conversaram um pouco na sala enquanto ele via os melhores momentos dos jogos do dia ao redor do mundo. Depois ele foi se deitar e ela foi lavar a louça. Ao acabar, ela colocou o baby doll, muito sexy por sinal, e foi se deitar. Ela pegou no sono e foi aí que eu não pude controlar meus instintos. Entrei no quarto e me encaminhei até a cama dela, para dar o primeiro e último beijo. O beijo da morte.

 

I don't know what you've done to me / Eu não sei o que você fez comigo

But I know this much is true: / Mas eu sei que isso tudo é verdade:

I wanna do bad things with you / Eu quero fazer coisas ruins com você

I wanna do real bad things with you / Eu quero fazer coisas realmente ruins com você

 

            Esperei até ela se virar para uma posição propícia para que seu pescoço estivesse a mostra. E ela finalmente aconteceu.

            Me debrucei.

            Coloquei minhas presas para fora.

            E ouvi a última frase dita por entre sonhos...

            - Edward...

           

            Dentre tantas frases que poderiam ser ditas... Porque ela escolheu essa?

Fui embora, deixando nada mais que um beijo, o primeiro beijo, em sua bochecha.

 

 

The End

Never Think - Capítulos 21 ao 23

Capítulo 21

 

 

 

Foi assim que a minha filha colocou a nossa inteira existência a prova. Charlie ouviu aquelas palavras e ficou parado como uma estatua. Olhando de mim para Bella e para Jacob, esperando que alguém falasse alguma coisa plausível. Olhou mais uma vez para Renesmee e balançou a cabeça. Não pode ser! Ele pensou. Então uma variedade de momentos ocorridos passou por sua mente. Desde os telefonemas para Bella na época que ela havia voltado da lua-de-mel e estava com suspeita de uma doença tropical, até a primeira vez que a viu depois da transformação e o conhecimento de sua neta, que crescia absurdamente rápido. Ele estava confuso, isso era perceptível. Mas ele não negava a possibilidade.

Seus olhos pousaram em Jacob, como se ele esperasse que Jake negasse tudo aquilo que ele já tinha quase certeza que não era uma besteira qualquer de Renesmee.

- O quê? Não olha pra mim! – Jacob disse. – Eu não tenho nada haver com isso.

- Jacob! – Renesmee gritou em desaprovação.

- Que é, Nessie? Você realmente espera que eu me meta nisso? – ele perguntou.

- Calem a boca vocês dois! – Bella falou alterada. – Olhem para Charlie!

Com certeza, se eu não soubesse da verdade, eu poderia dizer que Charlie também havia virado um vampiro. Ele estava branco como mármore, e eu podia ouvir o ritmo do seu coração se desestabilizar. E aquilo significava apenas uma coisa. Antes que eu pudesse me adiantar, Charlie caiu no chão segurando o peito, com cara de dor. Era um AVC, eu havia estudado em minhas várias faculdades de medicina. Ate porque no meu caso, era bem mais fácil de perceber, pela minha capacidade de ouvir o ritmo cardíaco.

Bella, assustada, soltou um grito e foi ao socorro do pai. Logo em seguida, eu me coloquei ajoelhado ao lado de Charlie, que se contorcia em dor.

- Deus, Edward! – Bella gritou desesperada, tentando abraçar o pai dela. – O que vamos fazer?

- Primeiro... Jacob! – eu gritei – Jacob, tire Bella de perto dele!

- O que? – ela perguntou – você enlouqueceu? Eu não vou sair daqui de perto do meu pai!

- É pro bem dele, Bella. Agora, saia daqui! – eu gritei novamente, olhando para Jacob, que a tirou pelos braços, sem resistências. – Eu preciso de Carlisle! Renesmee! – eu gritei por minha filha, que estava prestes a chorar do meu lado, achando que tudo aquilo era culpa dela. – Ligue pro seu avô e conte o que aconteceu. Agora! Já!

Ela discou e me passou o telefone, que em menos de nanosegundos foi atendido.

- Sim, Ed. – Carlisle respondeu.

- É o Charlie, Pai. Ele teve um AVC. Você acha sensato leva-lo para o hospital daqui de Forks, ou seria melhor o de Seattle?

- Eu acredito que o de Forks é sensato, mas depende da situação. Leve-o ao de Seattle o mais rápido possível, pois na falta de equipamentos ele vai ter que ser removido para Seattle e pode ser tarde demais.

- Obrigado, Pai! – e eu desliguei. Segurei Charlie, já inconsciente, em meus braços. – Vou ter que leva-lo para o hospital de Seattle. Peguem o carro e me encontrem lá. Vou correndo.

E assim eu disparei com a maior velocidade que eu podia, chegando a Seattle míseros três minutos depois. Bem perto do hospital, peguei um táxi para fingir ter vindo de automóvel e não andando até o hospital. Charlie deu entrada no CTI e foi encaminhado para uma cirurgia de emergência, mas eu tinha consciência de que tudo ia ficar bem. Precisava ficar bem.

 

 

Capitulo 22

 

 

Graças a Deus tudo deu certo na cirurgia. Charlie só precisou fazer uma ponte de safena e tal, coisas normais e fatídicas de humanos. É claro que mesmo eu falando com todo o meu conhecimento de Medicina em Harvard e em Oxford, Bella não acreditou de primeira quando eu disse que ele estava bem. Charlie estava dormindo a quase dois dias, mas isso era normal. Ele tinha acabado de ser transferido pro quarto, quando Bella me chamou pra conversar.

- Edward, - ela me perguntou, olhando fundo nos meus olhos – o que vamos fazer agora?

- Eu... – respondi, um pouco sem palavras – Eu realmente não sei.

- Oh, Deus, Edward! Será que isso será um motivo para os Volturi matarem meu pai? Ou até mesmo perseguir a nossa família?

- Não sei, meu amor. Mas eu desconfio que os Volturi serão problemas ínfimos ao lado do que vai acontecer com a nossa relação com Charlie e o que vai ser dito sobre a nossa existência caso ele resolva contar para todos.

- Não, Edward. Ele nunca faria isso! – ela respondeu, se virando para olhar para baixo, mexendo com os dedos – Além do mais, ele não vai acreditar, vai?

- Eu temo que sim, meu amor. – eu respondi, segurando seu rosto para perto do meu. – Veja bem, eu ouvi os últimos pensamentos de Charlie antes de ele desmaiar. E ele estava achando a possibilidade mais que plausível. Ele revisitou memórias importantes para a afirmação de tal fato.

- Será, Edward! – ela perguntou, um pouco confusa.

- Senhor Cullen e Srta. Swan? – um médico perguntou, interrompendo a nossa conversa.

- Sim. – eu e Bella respondemos, uníssonos.

- O senhor Charlie Swan acordou e gostaria de falar com vocês e com a sua irmã e o namorado.

Ok, então Charlie conseguiu uma boa forma de explicar quem Renesmee e Jacob eram.

- Muito obrigado! – eu respondi para o enfermeiro. Bella me olhou com um olhar preocupado, nervoso. – Não se preocupe, Bella! – eu falei, baixo o suficiente para somente nos dois ouvirmos – Vai dar tudo certo.

Entramos no quarto onde Charlie estava e Jacob e Renesmee já estavam ao redor da cama. Olhando para ele.

- Feche a porta, por favor, Edward. – ele disse, com uma voz cansada. Eu obedeci, parecia que ele realmente queria ter uma conversa séria. – Eu gostaria de falar com vocês sobre o que houve.

- Papai... – Bella começou a falar, mas Charlie interrompeu.

- Bella, por favor. Deixe-me acabar... Sobre o que houve... Eu gostaria muito que você soubesse que eu não ligo. - Se pudesse, Bella estaria chorando. Ela soluçou ao ouvir a frase do pai.

- Pai... você sabe mesmo o que você esta fazendo? – ela perguntou.

- Sim, Bella. – ele respondeu, tentando alcançar a mão de Bella que estava perto do seu braço. – Não importa em que categoria animal você se encontra agora, você é minha filha e sempre vai ser.  – Ela abraçou o pai muito forte, dando um beijo na sua cabeça. – Bella! Bella! Não... Me... Esmague!

- Oh, pai! Desculpa! – ela disse rindo.

Renesmee que estava ao meu lado, me abraçou, com uma aparência quase que chorosa. Jacob olhou para mim e piscou. Eu imaginava e esperava que tudo desse certo! Ele pensou.

- Mas agora... – ele falou, tentando levantar um pouco o corpo da cama – Vocês têm que me prometer que irão me contar tudo sobre essa história.

- Pai... – Bella falou, num tom não tão descontraído quanto o dele. – É que é complicado nós contarmos tudo. Existem perigos aos quais o senhor esta exposto agora que sabe da verdade.

- Perigos? – ele perguntou.

- Sim, Charlie, perigos. – Dessa vez foi Jacob quem respondeu. – Acredito que quanto menos o senhor souber, melhor. Mas se o senhor quiser saber tudo mesmo sobre isso, eu terei o prazer de contar ao senhor e também terei o prazer de protegê-lo!

- Você também é...- ele perguntou assustado, mas diminuindo a voz na ultima palavra. – vampiro?

- Não, não! Deus que me livre! – ele respondeu, rindo. Olhando para a cara brava que Renesmee estava fazendo no momento. – Eu sou um lobisomem. Ou pelo menos assumo, as vezes, uma forma de lobo!

- Jesus, apaga a luz! – Charlie exclamou. – E eu achei que minha vida estava estranha no vampiro!

 

 

Capítulo 23

 

 

Dentro de mais dois dias, Charlie foi liberado para voltar pra casa. É claro que, nesses últimos dias no hospital, nós tivemos que contar um pouquinho sobre toda a nossa vida dupla para ele. Jacob contou dos shapeshifters, eu e Bella contamos sobre os vampiros. Pelo menos tudo estava bem agora, Bella não precisava se preocupar em o que seu pai iria pensar sobre tudo isso. Ela já o sabia agora.

Estávamos ficando na casa de Charlie, já que ficaria um pouco estranho se ficássemos na nossa antiga casa que, enquanto o povo de Forks sabia, tinha sido vendida. Renesmee estava usando o antigo quarto de Bella, enquanto Jacob dormia na sala. Como agora Charlie sabia que nem eu nem Bella dormíamos mais, ele não ficou tão relutante quando dissemos que estava tudo bem ficarmos sem quarto. Na primeira noite que Charlie passou em casa, eu e Bella fomos revisitar a nossa clareira.

- Eu vou sentir falta disso aqui. – eu falei para Bella.

- Como assim, sentir falta? – ela me perguntou – Agora que Charlie sabe, nós podemos ficar.

- Meu amor, - eu falei, em um tom bem calmo – Charlie sabe. Mas o resto de Forks não. Quanto tempo mais você pretende ficar levando a vida aqui, esperando pelo dia da revolta da população?

- Mas Edward... – ela disse, tentando não parecer aflita – é meu pai...

- Sim, Bella. Mas a menos que ele venha com a gente pra Inglaterra, vai ser difícil de nós o vermos com freqüência. Você já sabia disso quando você casou comigo.

- Sim, Ed. Mas naquela época eu nunca pensei em Charlie sabendo a verdade.

- Ok, Bella. Agora ele sabe. Mas me diz no que isso é extremamente diferente? – eu disse, usando a minha voz um pouco mais forte – É até mais perigoso, você sabe disso!

- Exato, meu amor. Esse é mais um motivo para nós ficarmos perto. E se os Volturi vierem?

- Isso é fora de cogitação, meu bem. – eu disse, balançando a minha cabeça. – Se nós estivermos aqui será pior, isso sim atrairá os Volturi. E não é isso que nós queremos.

Eu senti Bella ficando mais triste e preocupada. Era claro que ela iria sentir falta absurdamente do pai, não importa o quanto ela dissesse o contrário. Além das saudades, haveria uma preocupação mórbida agora que ele sabia tudo sobre o nosso universo vampírico. Ele necessitava de proteção, mas não conosco. Isso seria arriscado. Foi quando eu me lembrei da frase de Jacob e tudo fez sentido.

Acredito que quanto menos o senhor souber, melhor. Mas se o senhor quiser saber tudo mesmo sobre isso, eu terei o prazer de contar ao senhor e também terei o prazer de protegê-lo!

- É isso, Bella! – eu disse, como se gritasse “eureca!” por cada poro do meu corpo de vampiro. – Preciso resolver uma coisa. Já volto, meu amor!

Fui atrás de Jacob na casa de Charlie. Ele estava dormindo, mas eu nem me importei.

- Acorda, Jacob! – eu sussurrei.

- han? O que? – ele resmungou, assustado. – Po, sogrinho, não se acorda um lobisomem assim não. Ainda mais quando ele está sonhando com o beijo dado na namorada metade vampira dele. – então ele soltou um grande sorriso.

- Toma jeito, Jacob! – eu disse, irritado – Se você tava sonhando com minha filha, graças a Deus eu te acordei!

- Que é que foi? – ele perguntou com muita atitude.

- Primeiro, abaixa a bola, cachorrinho. – eu disse, rindo. – Segundo, preciso que você chame o seu bando para uma conversa. É um pouco sério, no caminho eu te conto.

- Ok! – ele disse, tirando a blusa que estava usando por respeito a Charlie. – Vamos lá pra fora e, por favor, me dê um pouco de privacidade para eu me transformar.

- O que você quiser, lobo mau.

terça-feira, 25 de novembro de 2008

Never Think - Capítulos 19 e 20

Capítulo 19

 

 

No dia seguinte, tudo o que eu prestava atenção era do ponto de vista de Jacob. Ele havia deitado do lado de Renesmee para esperá-la acordar. Nervoso com tudo o que havia acontecido, lembrando da noite de ontem onde subitamente concordamos com uma trégua. Ele observava minha filha com um respeito absurdo. Ele a analisava, mas não ressaltando pontos considerados promíscuos. Todas as curvas de Nessie eram analisadas com um sentimento profundo, quase que de admiração. Enquanto ele acariciava a face dela, ele suspirava internamente e ressaltava cada contorno no qual passava os dedos, carinhosamente.

Depois de alguns minutos ao seu lado, dormindo, Renesmee acordou e olhou para Jacob. Então eu comecei a prestar atenção em mais um pensamento. Era claro que Nessie achava que estava sonhando ainda.

- Boa noite, bela adormecida! – ela havia falado, dando um beijo em sua testa.

- Jacob... – ela resmungou, tentando se espreguiçar. – Oh, Deus! Estou sonhando...

- Não, Nessie! – ele riu – Você não esta sonhando, eu realmente vim te encontrar. Viajei até aqui na África. Por você...

- Impossível. – ela disse, sacudindo a cabeça. – Depois de você e papai brigarem, você nunca mais vai querer falar comigo. E ele também nunca mais vai querer você comigo.

- Na verdade, Nessie – ela falou, enquanto brincava com uma mecha do cabelo dela – Seu pai deixou que eu ficasse aqui no mesmo hotel que você. Inclusive, ele me desculpou e nós firmamos um tipo de trégua!

- Ah ta! – ela disse, fechando os olhos e puxando o edredom de volta ate em cima de sua cabeça – Agora eu tenho certeza de que você é uma alucinação e eu estou, ainda, dormindo.

- Ok, Nessie. Vou te provar de uma vez por todas que você não está sonhando... – ele falou, com um sorriso meio torto no rosto.

E foi assim, por dois pontos de vista diferentes, que eu assisti o primeiro beijo da minha filha.

Eu me controlei demais para não ir lá terminar com o que eles estavam fazendo. Bella, que estava do meu lado, percebeu meu súbito desespero. Ela veio ao meu encontro e me abraçou.

O que foi, amor?

Mas eu não consegui responder, eu estava a ponto de explodir. Pensei em socar a parede, mas eu iria levar o hotel abaixo se usasse força em comparação a minha raiva. Pensei em ir estrangular Jacob, mas isso não seria muito sensato de se fazer desde todas as coisas que aconteceram por causa do meu ciúme de pai. Pensei em ir atrapalhar, mas isso não seria muito sensato de se fazer, partindo do principio de que eu não gostaria que fizessem isso comigo. Então eu descobri como ficar normal de novo.

- Bella, vem comigo!

Puxei Bella pelas mãos e pulei pela janela, não me importando muito em olhar se havia algum mortal la embaixo. Pra minha sorte, não tinha. Sai correndo, carregando Bella nas costas ate que chegássemos nas cavernas da floresta. Lá, não me contive. Rasguei toda a roupa de Bella, que por algum acaso tinha sido um dos vestidos que Alice havia comprado para ela aqui na África do Sul. Isso dava a oportunidade dela comprar outro, caso realmente tivesse gostado. Se bem que Alice nunca deixava a gente usar a mesma roupa mais de uma vez.

Beijei seu corpo quase nu, coberto apenas por uma calcinha de renda branca. Bella gemeu e me olhou com uma cara de fome, vontade de fazer aquilo.

- Ed, - ela disse, em um suspiro – eu te amo... tanto!

- Eu também, Bella. – eu respondi, beijando-a na boca, com o máximo de paixão. – Eu também.

Só voltamos para o hotel na manhã seguinte. E tivemos como recepção olhares desaprovadores de Jasper, risonhos de Alice, encorajadores de Jacob e confusos de Renesmee.

Desculpa por ontem, Jacob pensou, e obrigada pela não-reação de me matar!

Por enquanto, eu pensei, tente não fazer isso de novo, senão eu mato! Mesmo sabendo que ele não poderia me ouvir...

Pelo menos ele a amava.

 

 

 

Capítulo 20

 

 

Nas três semanas seguintes da nossa estadia na África do Sul, foi praticamente uma variação sobre o mesmo tema. Sair, caçar, conhecer novos lugares, jantares luxuosos onde a maioria não comia, traje de gala. Passamos muito bem pelo nosso papel de adolescentes riquinhos em viagem paga pelo papai. Mais ou menos um mês e uma semana depois que chegamos lá, Carlisle chegou, trazendo consigo Esme, Rose e Emmett. Todos estavam bem animados de encontrar a família em paz, sem nenhuma discussão ou problema. Logo na noite em que chegou, Carlisle me chamou para uma conversa particular. Então resolvi sair com ele em direção a floresta que nos havia servido bem em todas as instancias.

- Meu filho, - ele disse com uma voz que eu já conhecia. – nós precisamos conversar. – Legal! Ele esta usando a voz de “Houston, temos um problema!”.

- Oh-ou. – eu exclamei, pensando nas várias possibilidades. – o que houve?

- É o Charlie, meu filho. Eu realmente acho que Bella deveria ter dado tchau para o pai dela antes. Ela esta cada dia mais triste, parece que a cada dia que passa sem ele vê-la, uma parte dele morre junto com esse tempo.

Legal... Era exatamente do jeito que eu passava quando não estava com ela.

- Sim, Carlisle. Eu temia exatamente isso. – eu respondi. – O que você sugere?

- Sugiro – ele disse com uma voz firme – que você a leve para vê-lo, uma ultima vez.

- Mas não é arriscado, pai?

- Sim, é arriscado. Mas ainda é a melhor opção. – ele disse, e levou a mão à testa. – Veja bem, nesses últimos anos, Bella manteve uma relação profunda com ele. Ele conhece Renesmee, ve a neta cada dia maior, não questiona nada. Tudo isso para se manter perto de sua família. O que você acha que ele espera? Ele realmente espera que essa relação perdure. Você não tem noção de como ele estava esses últimos dias em Forks, era desesperador!

- Você acha que eu devo contar pra Bella amanhã? – eu perguntei, um pouco receoso.

- Não, Ed. – ele disse, balançando a cabeça. – Eu realmente acredito que você deva contar pra ela hoje. E pegue o primeiro vôo para Forks amanhã. O nosso prazo naquela região está chegando ao fim! Precisamos deixar Bella e seu pai se despedirem antes que seja tarde demais para a situação oculta da nossa existência.

- Certo.. – eu disse temeroso. – Você acha que eu devo levar Nessie também?

- Edward, deixa eu te ajudar. Eis o que você vai fazer...

Então Carlisle me explicou uma teoria quase que conspiratória de o que iríamos fazer!

Primeiramente, só iríamos eu, Bella, Jacob e Nessie para Forks. O resto já iria se encaminhar para a Inglaterra para arrumar a nova casa e ajeitar todas as coisas. Pegaríamos o primeiro vôo, nos encaminharíamos direto para a casa de Charlie, contaríamos que estamos de mudança e assim que ele aceitasse, voltaríamos.

Simples, rápido e quase seguro. O único problema: lidar com as possíveis reações de Charlie.

 

***

 

Embarcamos no avião e chegamos dentro de poucas horas na península olímpica. Como combinado, fomos direto para a casa de Charlie. Ele ouviu o barulho do carro alugado e colocou o rosto na janela. Logo que viu quem estava chegando, se adiantou para abrir a porta e nos cumprimentar.

- Bella! Nessie! – ele disse, abraçando-as. – E Jacob e Edward também! – ele gritou por cima do ombro delas. Ele parecia super feliz com a visita inesperada.

- Papai! – Bella disse, abraçando-o mais forte que nunca.

- Vovô, que saudades! – Nessie disse, também beijando o avô no rosto.

- Oh, minhas queridas. – ele disse, abraçando-as tão forte quanto elas o abraçavam. – Espera aí! – ele disse, soltando-as. – Você nunca me abraçam tão forte assim.

- Claro que abraçamos, vovô. – Nessie respondeu, parecendo um pouco nervosa. Era claro que ela estava tentando omitir algo para o avô.

- Não, não abraçam. O que esta acontecendo? – ele perguntou, tremendo. – vocês vão embora, não é? É algo relacionado ao ‘quanto menos você souber melhor’?

- Papai, não seja infantil. – Bella falou, com um tom de reprovação.

- o que é isso, Bella? – ele falou, revoltado – você nunca me chama de pai, só de Charlie. E agora você me chama de papai? Tem algo errado sim senhor, desembucha Isabella!

Pois é. Ele ta com a razão agora. Jacob pensou.

- Charlie, não é nada disso. – Bella disse, tremendo. – nos vamos viajar, sim... Mas n-

- O que você vai falar, Bella? – ele disse, alterando a voz – Você vai viajar, mas não por muito tempo? Não minta pra mim, Bella. Você me deve a verdade.

- Não, Charlie. – ela disse, também alterando a voz. – Eu não te devo nada! Eu tenho 23 anos, não devo nada a você.

- Ah, é? – ele disse, quase cuspindo – E já que a senhora tem seus belos 23 aninhos, porque você me parece a mesma Bella de 18 anos? Cansei desse ‘quanto menos você souber melhor’! Pode me falar o que há por trás disso tudo agora!

- Não, pai. – Bella falou, quase chorando. – Não me faça fazer isso! Não mesmo!

- Bella, você me deve isso! Você me deve respostas! Eu sou seu pai!

- Pai, por favor... tudo menos isso!

- Não, Bella! NÃO! Cansei. Ou é isso, ou eu vou esquecer que eu tenho filha... e neta!

Nesse momento, Bella engasgou. Ela parecia que ia vir abaixo. Eu fui abraça-la, com medo do que poderia acontecer.

- Foi você, Edward Cullen! – ele apontou o dedo para mim. – Desde que você apareceu na vida da minha Bella, tudo foi transformado! Eu quero a minha filha de volta. E se eu não posso ter isso, eu vou te matar.

Charlie, então sacou uma arma e apontou pra mim. Renesmee, em um súbito apelo, se jogou em minha frente.

- Não, Renesmee! – quatro vozes gritaram ao mesmo tempo. – Não faça isso! – eu disse por ultimo.

- Não, pai. Eu não vou sair!

- Nessie, saia da frente de seu pai agora! – Charlie falou, pausadamente.

- Não, vovô. Não saio.

- Não, Nessie. Desde que seu pai veio com todos os segredos dele para dentro dessa família, ele estragou tudo!

- Vovô, você não vai matá-lo!

- O que, Nessie. Você acha que eu não vou ter coragem de atirar. EU TENHO!

- Não, vovô. Coragem o senhor tem. Mas você não vai consegui-lo.

- Ah é, Nessie? E porque você acha isso? – ele disse, preparando o gatilho para atirar.

- Porque nós somos imortais. Nós somos vampiros!

sábado, 22 de novembro de 2008

POV [Point Of View]

Point Of View


Edward’s PDV


            Era isso. Eu não conseguia parar de pensar em Bella. Desde que a deixei, naquele estado estático há alguns meses atrás. Mesmo indo atrás de Victoria, em prol da vida de Bella, tudo o que eu mais queria era voltar para os seus braços. Tudo o que eu mais queria era poder dizer que o que eu falei era mentira. Que eu não consigo ficar sem ela. Nunca consegui, nem nunca conseguirei.

            Apesar de todos os pedidos do meu pai, da minha mãe e dos meus irmãos, eu não conseguiria não ir atrás de Bella... Uma ultima vez.

 

 

I’m getting tired of asking/ Estou cansado de perguntar

This is the final time/ Essa é a última vez

So did I make you happy?/ Então eu te fiz feliz?

Because you cried an ocean / Porque você chorou um oceano

When there’s a thousand lines/ Enquanto tem milhares falas

About the way you smile/ Sobre a maneira que você sorri

Written in my mind/ Escrito na minha mente

But every single word’s a lie/ Mas cada palavra é uma mentira

  

            Eu fui embora da casa dos Denali por volta de quatro horas da manhã de uma terça-feira como qualquer outra. Eu corri o mais rápido que pude, para que chegasse ao meu destino final. Corri e nem o vento era páreo para minha vontade de ver Bella mais uma vez. Não queria encontrar com ela assim de cara. Não queria estragar o meu disfarce de não amá-la para protegê-la. Ver Bella se machucar seria o fim para tudo o que existe de bom em mim.

            Quando me dei conta, já estava nos arredores da floresta de Forks. Mas quase na divisa com La Push. O povo de La Push não era muito favorável a nossa existência. Eu já estava prestes a sair da fronteira, quando de repente avistei Jacob, o tal amigo de Bella. Ele estava distraído, cantando alguma canção Quileute. E para minha surpresa, ele estava pensando nela. Na minha Bella.

            Ele estava feliz por ter visto Bella em todos os dias dessa semana. Ele estava pensando agora em como ela estava quando entrou pela primeira vez por sua porta. Simplesmente não era a memória que eu gostaria de ver.  

            Bella, que já era naturalmente branca, estava transparente e apática. Tristeza escorria pelos seus olhos de uma maneira a congelar o coração de todos que agüentassem olhar para sua situação desesperadora. Mesmo o meu coração não pulsante não era páreo para tal dor pessoal. Tudo era frio, mesmo para minha pele de mármore. Tudo era cinza, mesmo que eu não pudesse viver ao sol. Tudo era sem vida, mesmo para um vampiro.

            Será que toda essa tristeza foi gerada pela minha incapacidade de lidar com a natureza da minha própria espécie?

 

I never wanted anything to end this way/Eu nunca quis que nada terminasse desta forma

But you can take the bluest sky and turn it grey / Mas você pode pegar o mais azul dos céus e transformar em cinza

I swore to you that I would do my best to change / Eu juro a você que eu poderia fazer o meu melhor para mudar

But you said it don’t matter / Mas você disse que não importa

I’m looking at you from another point of view/ Estou te observando sob um outro ponto de vista

I don’t know how the hell I fell in love with you / Eu não sei porque diabos me apaixonei por você

I’d never wish for anyone to feel the way I do / Eu nunca desejaria a ninguém se sentir do jeito que eu me sinto

 


            Meu corpo se contorceu com a menor lembrança da memória de Jacob. Eu me senti vazio; desesperado por ter ido embora. Se eu pudesse voltar no tempo, eu nunca teria deixado-a. Aliás, eu não teria nem começado a me relacionar com ela, pois meu amor é grande demais para tê-la e deixar que ela fosse embora logo depois...

 

Bella’s PDV

  

 

            Mesmo com toda a ajuda de Jacob, eu não conseguiria esquecer do meu amor por Edward. Ele estava me ajudando muito depois de tudo o que aconteceu, mas a tristeza ainda existia em meu ser.

            - Jacob, - eu disse – obrigada por ser tão legal comigo. Mas eu não quero falar sobre o... sobre ele.

            - Eu entendo, Bells. Mas você precisa entender. Se ele te amasse, ele não partiria assim.

            - Pára, Jake! – eu respondi, entrando em colapso nervoso. Chorando. – Eu o amava. Aliás, eu o amo, Jacob! Eu o amo!

            - Como você pode amar alguém que te faz mal?

   

Is this a sign from heaven, / É este um sinal dos céus,

Showing me the light? / Me mostrando a luz?

Was this supposed to happen? / Era para isso acontecer?

I’m better off without you / Estou bem melhor sem você

So you can leave tonight / Então pode ir embora

And don’t you dare come back and try to make things right / E nem tente voltar e fazer com que as coisas voltem a ser legais

Cause I’ll be ready for a fight / Porque eu estarei pronta para uma briga

 

 

            Eu saí correndo. Não queria mais ouvir a verdade pela boca de Jacob, pois eu sabia que ele estava certo.

 

 

I never wanted anything to end this way / Eu nunca quis que nada terminasse desta forma

But you can take the bluest sky and turn it grey  / Mas você pode pegar o mais azul dos céus e transformar em cinza

I swore to you that I would do my best to change / Eu juro a você que eu poderia fazer o meu melhor para mudar

But you said it don’t matter / Mas você disse que não importa

I’m looking at you from another point of view / Estou te observando sob um outro ponto de vista

I don’t know how the hell I fell in love with you / Eu não sei porque diabos me apaixonei por você

I’d never wish for anyone to feel the way I do / Eu nunca desejaria a ninguém se sentir do jeito que eu me sinto

 

Edward’s and Bella’s PDV

 

 

 

            E como eu queria viver em perfeição...

 

I don’t know how the hell I fell in love with you / Eu não sei porque diabos me apaixonei por você

I’d never wish for anyone to feel the way I do / Eu nunca desejaria a ninguém se sentir do jeito que eu me sinto

But I do / Mas eu me sinto

And you said it don’t matter / E você disse que não importa

 

 

 


THE END

sexta-feira, 21 de novembro de 2008

Never Think - Capítulos 16 ao 18

Capitulo 16


Acho que pela primeira vez o meu egoísmo foi valido. Eu precisava de um momento assim com a Bella antes que tudo mais ruísse a partir do alicerce da nossa reação. Eu não sabia o que ia acontecer com Jacob e Charlie lá em Forks, na conversa com Carlisle. Mas eu esperava que tudo corresse bem. Voltamos para o hotel muito felizes, e encontramos uma camareira um pouco irritada na nossa volta ao quarto. Ela falava alguma coisa em algum dialeto africano. Eu suspeitava que fosse algo relacionado a despudor e falta de vergonha na cara dos adolescentes. Mal sabe ela que eu tenho quase 115 anos e Bella tem quase 23. Provavelmente o que ela falou triplicaria no espanto.
Chegamos ao quarto e encontramos um bilhete de Alice na mesinha ao lado da porta.

Não se preocupe. Renesmee esta dormindo conosco. Vocês merecem uma noite sem preocupações. Carlisle ligou e disse que volta a ligar amanhã. Esta tudo bem. Beijos, A.

Graças a Deus, pelo o que parecia, estava tudo bem. Bella o leu junto comigo e depois se jogou na cama.
- Ai... é tão gostoso se jogar assim na cama. Não que eu precise dela mais, mas... Eu sinto falta. – ela me disse, fechando os olhos enquanto brincava de fazer um anjo, daqueles que se faz na neve, na colcha.
- Eu entendo você, Bella. Mesmo eu estando vampiro por muito mais tempo que a sua própria existência... – eu ri.
- É claro, eu sempre esqueço desse detalhe, vovô! – ele implicou. – Meu Deus, isso vai ter que ficar pra historia. Entrar no Guiness, eu digo! Menininha de 18 anos casa com tataravô de aproximadamente 110! Haha! – ela se divertia.
Bella mal sabia como ela era madura pra sua própria idade. Ela era bem mais do que todas essas menininhas mimadas e idiotas que viviam por ai. Bella tinha um dos maiores corações que eu conhecia.
Passamos a noite inteira conversando e no dia seguinte descobrimos que Renesmee tinha, finalmente, saído um pouco do seu transe. Ela havia dormido bem durante a noite, com a ajuda de Jasper e sua habilidade maravilhosa de mudar os sentimentos das pessoas. Ela estava bem menos apática e ate arriscava um sorrisinho aqui ou ali. As meninas resolveram aproveitar que estava chovendo de manhã e levaram Nessie para um passeio no shopping.
Ed, eu tenho quase certeza de que Carlisle vai ligar enquanto estivermos no shopping. Então aproveite para perguntar tudo o que tiver que perguntar, ok? Eu peguei Alice pensando, assim que as três saíram pela porta do nosso quarto. Jasper havia ficado comigo para dar um apoio emocional caso as noticias de Carlisle fossem ruins.
Não deu outra e vinte minutos depois que elas saíram, meu telefone celular tocou.
- Edward? – Carlisle falou – Tá tudo certo?
- Sim, Pai. – eu respondi. – O que aconteceu ai?
E então ele me contou tudo o que havia ocorrido. Tinha sido mais ou menos assim...
“Jacob havia entrado pela porta, com mais raiva do que Carlisle pensara. Ele simplesmente quase destruiu a porta. Sendo que ele estava com Charlie em seu encalço.
- Carlisle, - Charlie praticamente gritou – onde esta Bella?
- Eu não tenho certeza no momento, Charlie. – Carlisle disse, calmamente. – Será que você poderia se acalmar?
- Não adianta! - Charlie falou. - Você não me venha com esse papo de que você não sabe onde Nessie e Bella estão. Eu gosto de você e tenho um respeito enorme pela sua pessoa... Mas esconder minha filha de mim?
- Por favor, Charlie. Se acalme...
- Não ser atreva a pedir para ele se acalmar, Carlisle. Ele tem o direito de saber o que aconteceu. – Jacob gritou, cuspindo as palavras com uma violência terrível.
- Jacob, por favor... – Carlisle continuou em sua paz celestial.
- NÃO, CARLISLE! NÃO!!
- Jacob, se acalma! – dessa vez era Charlie quem falava. – Não adianta. Carlisle, por favor, onde estão Bella e Nessie?
- Elas estão viajando com Edward, Alice e Jasper. Não sei o exato local. – Carlisle respondeu, achando que o melhor era contar parte da verdade.
- E é verdade que eles não voltam mais? – ele perguntou, com os olhos marejados.
- Não sei, Charlie. Creio que voltam sim.
- MENTIROSO! – Jacob gritou. – Você não ve que ele esta mentindo, Charlie?
- Não sei para que ele mentiria Jacob. Ele parece tão confuso quanto eu. – Charlie respondeu.
- É isso o que eles fazem, Charlie. Mentem para nos. Como você pode não desconfiar?!
- Eu não entendo Jacob. – Charlie falou.”
Foi ai que Jacob estourou. Charlie olhou e em vez de um homem, havia um lobo ao seu lado.


Capítulo 17


Eu não podia acreditar no que ele havia me contado. Eu surtei no meio do quarto, taquei o telefone longe (sorte minha que não quebrou, pois Jasper o pegou a tempo e mandou Carlisle esperar) e mordi todas as almofadas possíveis. Depois de longos minutos me acalmando, eu ouvi o resto da historia de Carlisle.
“Carlisle fez um gesto quase imperceptível e bateu com toda a gentileza na cabeça de Charlie, apenas para desacorda-lo. Esme, que estava na cabana, ouviu a confusão e foi ao encontro de Carlisle, preocupada. Assim que viu que Charlie estava desacordado e que Jacob estava espumando de raiva.
Num movimento desesperado, Jacob tentou bater em Carlisle.
- Você é louco, Jacob? Você realmente quer que Charlie descubra nossos segredos? – Carlisle perguntou.
Jacob agora estava em movimento ela casa. Correndo, enlouquecendo.
Esme deu uma olhada para Carlisle e nem falou nada, aproveitou que a porta da sala ainda estava aberta, correu ate onde Jacob estava, agarrou-o e arrastou-o para fora da casa. Mesmo ele se debatendo, Esme levou-o ate uma parte mais afastada da casa.
- Você é um menino muito levado, Jacob. – Ela disse, puxando as orelhas de Jacob.
Jacob não pretendia revidar, ele gostava muito de Esme para isso, apesar dela ser uma vampira (se bem que Nessie era meio uma e ela a amava... Jacob era estranho!).
Com muita graciosidade, Esme começou a disciplinar Jacob. Ela o jogava para lá e para cá, falando coisas como quando se da bronca em uma criança. Carlisle se divertiu me contando tudo. Então, quando Jacob não agüentava mais, ele se transformou de volta, ficando realmente vermelho por Esme o ver pelado (Tudo bem, eu me diverti com essa parte. Só não quis demonstrar!). Ele voltou para a casa, se desculpou com Carlisle e depois levou Charlie embora, ainda desacordado, e colocou-o deitado na cama.
Esperou que Charlie acordasse e quando ele perguntou o que tinha acontecido, Jacob respondeu:
- O que aconteceu como, Charlie? Eu vim te chamar pra visitar papai e você dormiu no sofá?
- E essa dor de cabeça? – ele perguntou.
- Ah, - Jacob respondeu, tentando parecer envergonhado. – Foi que eu sem querer te derrubei no caminho, pela escada. Desculpa, eu não tive força o suficiente.”
Bom, pelo menos nenhuma reação em cadeia para acabar com tudo. Ri um pouco da situação com Jasper depois que desliguei a ligação com Carlisle. E terminei o assunto a tempo das meninas voltarem.
Depois de colocar Renesmee para dormir, eu e Bella saímos para passear. Um passeio romântico que tanto precisávamos. Ela se vestiu com um vestido tomara-que-caia azul escuro, que tinha uma faixa na cintura que terminava com um laço atrás. Mas as costas eram quase nuas, tirando a faixa com o laço. A pele branca e fria de Bella reluzia com a luz do luar. Ela também usava uma gargantilha prateada, com detalhes em safira, combinando com a sandália de salto alto prateada que Alice tinha comprado para ela no shopping.
Ela arrancava cada um dos suspiros, ela arrastava cada um dos olhares por onde passava. Desde o elevador até o saguão do hotel, desde o curioso olhar do vallet do estacionamento até o olhar embasbacado da recepcionista do resort onde fomos conhecer. Em uma de nossas identidades novas tinha escrito que tínhamos 18 anos, e tinha sido essa a escolhida para viajarmos para a África do Sul, já que precisaríamos ter menos um pouco quando fossemos desempenhar nossos papéis no Reino Unido.
No resort, escolhido por Alice para ser nossa destinação hoje, tinha varias formas de diversão, como: mesas de carteado, sinucas, passeios em balsas, piscinas em quartos particulares, entre outras. Ficamos um pouco de tempo na roleta, com Bella jogando os dados. Como ela nunca tinha tido uma noite de Las Vegas, ela se divertia muito. Passado um tempinho, fomos para a mesa de pôquer. E, é claro que não havia uma alma naquele recinto que ganhasse de mim já que eu via o que cada um tinha na mão. Bella num primeiro momento achava que roubar era errado, mas quando ela começou a ver a cara de espanto de cada um dos jogadores renomados que havia la, perdendo pra um garoto de 18 anos, ela começou a gostar e a se divertir comigo.
Depois de um tempo, fomos andar de balsa. Eu paguei um pouco mais para o cara que trabalhava na balsa me deixar sozinho com Bella. Aliás, um pouco mais, não. Muito mais. Porque ele não era autorizado a fazer isso, mas como ele viu a exasperação em dar um passeio sozinho com Bella e a quantidade de dólares que eu tinha deixado em seu bolso do paletó, ele não pensou duas vezes. Eu tinha acabado de dar o natal de três anos pras crianças dele no meu suborno.
Eu sempre havia sido um exímio navegador. Comecei a levar a balsa, rumo ao mar aberto. Não era perigoso para nós. Éramos vampiros. Então fomos conversando, rindo, nos divertindo mesmo. Quando chegamos a alto-mar, descobrimos que não era um mar revolto que circundava aquele lugar. Estava tudo muito calmo. Nos abraçamos e eu comecei a cantarolar a canção de ninar da Bella. Estávamos dançando, bochecha com bochecha, coração com coração. Sentia falta do coração pulsante de Bella, mas me contentava com o de Renesmee para escutar.
Me inclinei para beijar Bella, quando de repente o barco virou e a gente caiu na água. Mesmo não tendo ondas.
- Jacob, o que você esta fazendo aqui? – eu perguntei, me dando conta do que havia mandado a minha noite por água abaixo.


Capítulo 18


Que diabos esse cachorro tava pensado ao via pra cá de surpresa? Tudo bem que foi Carlisle que mandou ele pra cá, pagou pelo avião e tudo (eu vou ter uma conversa muito séria com meu pai, acho que ele ta ficando senil!). Mas uma coisa é vir resgatar a princesa encantada, que no caso é minha filha. Uma outra, completamente diferente é cortar com o meu barato e o de Bella na nossa pseudo-noite em Vegas.
- Eu espero que a Nessie fale comigo. – Jacob falou, quando nós já tínhamos conversado sobre como e porque ele tinha vindo. Eu dirigia o carro alugado de Jacob, essa era minha condição. Eu espero que ela não fale, eu pensava.
- Jake, como você achou a gente no resort? – Bella perguntou.
- Ah, Bells. O cheiro de vocês, bloodsuckers, é tão inebriante. – ele disse com um desdém na voz. – Foi fácil, na verdade. Na metade do caminho para o tal hotel que Carlisle havia me mandado procurar, eu me perdi no rastro que vocês tinham deixado. Eu senti o cheiro do sogrinho, digo... Edward. E depois senti o único odor de vampiro que consigo inalar, sem reclamar: o seu, Bella.
Oh! Tocante... Que vontade de vomitar, se eu pudesse.
- Ah ta... – Bella respondeu.
- Chegamos, galera! – eu falei. Assim que entramos no estacionamento do hotel. Jacob teve um bom gosto na escolha do carro. Era um Honda Civic. Um dos melhores na faixa de preço baixa que Jacob queria. Eu escolheria algo mais upper class, mas... Eu podia pagar né?
Saímos do carro e o vallet foi guardá-lo. Fizemos check-in de um quarto para Jacob e depois fomos para o nosso quarto, onde encontraríamos Renesmee e descobriríamos o que ela faria. Já no elevador, Jacob estava pensando no que iria falar para Nessie. Nessie, me desculpa pelo que aconteceu em Forks. Não, não. Nessie, me perdoa, eu não tive intenção... Tá horrível! Er, Nessie, eu te amo. Me desculpa? Agora sim. Ou não?
Eu não podia negar, ele estava tentando. Mas usar a frase mais importante do mundo, eu te amo, era totalmente incabível.
- Jacob, desculpa eu me intrometer, - eu falei, olhando seriamente para Jake. – Eu acho que você não deve se preocupar. Eu realmente acredito que ela vai entender.
Valeu, Edward! Jake pensou.
Eu tava muito bonzinho hoje. Mesmo depois de Jacob ter acabado com minha noite romântica com Bella. Saímos do elevador e nos direcionamos para o nosso quarto, o 1106. Havíamos reservado o 1107 para Jake, já que Alice e Jasper estavam no 1105. Antes que pudéssemos abrir a porta, Alice já havia aberto-a.
- Eu tentei ligar para o seu celular assim que o seu destino sumiu, mas ele tava desligado! – ela disse como se estivesse se desculpando.
- Você falou alguma coisa para Renesmee? – eu perguntei.
- Não, não. – ela me disse, olhando depois para Jacob. – Eca! Cheiro de cachorro molhado! Vai tomar banho Jacob, aproveita que a Nessie esta dormindo.
Ótimo, ele pensou, a Nessie está dormindo. Mais tempo para me preparar! Meu Deus! Será que ele poderia ser mais inseguro! Desisti de falar qualquer coisa.
- Ok. Vou até lá embaixo no carro pegar minhas roupas. – ele falou. Edward, você pode vir comigo? Ele pensou.
- Você quer companhia, Jake? – eu perguntei, acatando o pedido dele.
- Oh, sim! – ele respondeu, como quem não queria nada.
Acompanhei-o até a porta do elevador e nos entramos.
- Edward, - ele falou. – Me desculpa por hoje. Você e a Bella e tal.
- Han? Do que você ta falando? – eu perguntei.
- Hoje, no resort. Eu sei que você ficou com raiva de mim. Dava pra ver no fundo dos seus olhos.
- Ah, tá... – eu respondi, vendo a imagem de mim mesmo na mente dele. É. Realmente eu estava revoltado. – Eu entendo.
- Ok. Mas você sabe que eu precisava ver a Nessie.
- Sim. – eu respondi. – E falando nisso. Porque você é tão inseguro? – perguntei, assim que saímos do elevador.
- O que? – ele perguntou, realmente sem idéia do que eu estava falando.
- Você não percebe mesmo, não é? – eu falei. – Jacob, eu odeio ser a pessoa para te dizer isso, mas... – é... Eu vou me arrepender pra sempre desse momento. – Eu já visitei, de certa forma, a mente de Nessie. Ela realmente gosta muito de você. Não há necessidade de se preocupar.
- Edward, - ele disse, meio sem palavras – isso foi a coisa mais legal que eu já ouvi de você.
- É, eu sei! – eu falei, rindo – Mas se você contar que eu fui legal com você para qualquer um, eu te mato!
- Ok! – ele riu também. Então a mente dele virou um dos meus piores pesadelos. Ele imaginou Nessie... Eca!... Beijando-o!
- Credo, Jacob! Se controla, pelo amor de Deus! – eu reclamei.
- Oh... Desculpa, sogrinho. Nada proposital, ok?
- Aham. – eu disse, um pouco enfezado.
Pegamos a mochila dele no carro, ligamos o alarme de novo e subimos em direção ao elevador. Parece que, por enquanto, aquilo era uma trégua.

segunda-feira, 17 de novembro de 2008

No Viajar de um Sonho

Capítulo 1

 

Paola estava de férias com sua família. Tinham ido para a Austrália. Havia um clube em Melbourne que dava pra uma praia particular. Tinham se hospedado lá. Era um hotel-clube, tinham três prédios para hóspedes e uma série de lugares de diversão-para-toda-a-família, como piscinas, cavalos para alugar, campos de golfe, quadras de tênis, poli esportivas entre outras atrações.

Paola era muito bonita. Tinha cabelos pretos com cachos bem definidos. Os olhos cor de mel. Era alta, bem alta. Tinha um metro e setenta e cinco. Era de um perfil de corpo longelíneo e com curvas, tinha busto e quadril mais ou menos grandes e era magra. Sua irmã, Ana Paula, era o contrário dela. Não tinha quadril nem peito. Era ruiva, característica que tinha herdado de sua tia por parte de mãe. Tinha olhos castanhos escuro. E cabelos lisos. Mas apesar disso tudo, seus rostos eram parecidos.

Para a viagem para a Austrália, os pais de Paola compraram vários acessórios para surfe, canoeing e wakeboarding, atividades que o clube oferecia para os hóspedes. O pai de Paola tinha ganhado muito dinheiro nesse ano, já que estava empresariando vários artistas. Deu a viagem de presente para a filha e pela primeira vez, o que já não era sem tempo uma vez que Paola tinha dezessete anos, tinha deixado Paola ficar num quarto sozinha com sua irmã mais nova. Apesar de ter que cuidar de Ana Paula, que tinha catorze anos, Paola estava adorando.

Como chegaram à noite, combinaram que iriam investigar o clube no dia seguinte, bem cedo. Iam tomar seu primeiro “breakfast” na Austrália e sair para fuxicar os arredores. Iam procurar todos os lugares divertidos para fazerem as coisas legais do clube. Desfizeram as malas, tomaram banho e enquanto se preparavam para dormir, se prometeram que iriam se divertir apesar de tudo naquele novo lugar.

Acordaram às oito da manhã, tomaram banho e se arrumaram para descer pro saguão do prédio tomar café. Tomaram seu café e foram passear no lugar. Primeiro descobriram a piscina e as quadras de esportes. Depois foram visitar a praia particular de hóspedes do hotel. Estavam procurando pelo estábulo. Paola perguntou pra um grupo de funcionários do hotel onde era. Estava bastante orgulhosa de como o seu inglês tinha melhorado.

Seguiram o que eles tinham falado. Encontraram o estábulo e entraram. Comentando de como os cavalos era fofinhos e coisa e tal. Estavam percorrendo todo o lugar quando, de repente...

-  Arre! – gritou Paola quando caiu no chão. Tinha tropeçado em algo, aliás, em alguém.

-  Sorry, I didn’t mean to hurt you, are you ok? – perguntou um menino que estava cuidando da pata de um cavalo.

-  Paola, você tá bem? – perguntou Ana Paula.

-  Ok! It’s all fine. You just stepped on my foot, I can handle that!

-  Thanks God! I thought you were hurt. – Disse o menino de volta.

-  Você tá bem mesmo, Paola? Se você quiser, eu te levo pro ambulatório do hotel.

-  Claro. Você viu o menino que pisou no meu pé? Ele é um gato! Ainda bem que ele pisou no meu pé! – riu Paola, fazendo Ana Paula rir também.

   Mas no mesmo instante o menino começou a rir também. Elas ficaram intrigadas com isso. O menino era realmente muito bonito. Tinha o cabelo loiro, um pouco grande caindo nos olhos. Que eram azuis, muito azuis mesmo. Era alto, devia ter uns oito centímetros a mais que Paola e era um tipo magro/musculoso.

-  I think we should introduce ourselves. My name is Paola. My sister is Ana Paula. And you? – perguntou Paola pro menino.

-  Meu nome é Gabriel. Prazer!

-  Meu Deus... Você fala português. Você entendeu o que eu falei! Ai, Meu deus! – estremeceu Paola, com Paula rindo ao seu lado.

-  Hahaha! Não, tudo bem. Não tem problema. Se você quiser, eu finjo que não ouvi!

-  Bem, eu agradeceria! Hahaha! Brincadeira, você pode lembrar!

-  Que bom! Estou ouvindo Português de novo! – riu Paula.

-  Hahaha! – riram Gabriel e Paola juntos.

-  Vocês são novas aqui? – perguntou Gabriel.

-  Sim. É nosso primeiro dia. Estamos conhecendo. – respondeu Paola. – tentando achar as coisas!

-  Bom… Se vocês quiserem, depois que eu cuidar do Thunder, eu levo vocês para conhecer tudo daqui. Vocês querem? – perguntou Gabriel.

-  Claro! Seria ótimo! Você não acha Paula?

-  Claro! Eu adoraria. Mas, Gabriel, você num tá trabalhando não, ocupado para se atrapalhar com a gente? – perguntou Ana Paula.

-  Não! Não vou me atrapalhar. Mau pai é que trabalha aqui. Eu só ajudo com os cavalos quando ele não pode porque eu faço veterinária.

-  Que lindo! – exclamaram as duas juntas. – A gente pode ver você cuidando dele? – perguntou Paola.

-  Podem. À vontade. Vocês podem até me ajudar, se vocês quiserem é claro.

-  Claro que ajudamos.

               Depois de ajudarem-no com o Thunder, foram até a lanchonete do hotel tomar sorvete. Gabriel contou para elas que tinha vindo para a Austrália com oito anos, com o pai, depois de a mãe ter se separado deles. O pai tinha vindo trabalhar com os animais do hotel. No momento que ele pisou no pé de Paola, ele tinha ido ver o cavalo Thunder porque o pai estava cuidando do aquário da cobertura do prédio três. Tinha herdado do pai uma paixão pelos animais e resolveu fazer veterinária numa faculdade de Melbourne.

               As meninas contaram o motivo da viagem e perguntaram várias coisas para Gabriel sobre a vida dele, a qual elas acharam fascinante. Primeiro perguntaram se ele era filho único. E ele respondeu que sim. Depois perguntaram de onde ele tinha vindo do Brasil. E ele respondeu que de Brasília. E ele perguntou para elas de onde elas tinham vindo e elas responderam que do Rio de Janeiro. E por fim, perguntaram a idade dele. Ele respondeu que vinte anos e perguntou a delas.

               Gabriel levou-as para conhecer o viveiro de aves exóticas australianas. Ficaram apaixonadas pelas aves que tinham lá. Cada uma mais bela que a outra. Depois foram até o salão de jogos, onde ficaram jogando um pouco de videogame. Um pouco mais tarde foram até o cais onde ficaram assistindo o pôr-do-sol.

-  Nossa! Esse lugar é lindo. Tudo aqui é maravilhoso, parece um sonho. Quem precisa da Disney quando isso aqui existe! – falou Paola para Gabriel.

-  Também acho. Eu vivo aqui há doze anos. E nunca me cansei e acho que nunca vou ficar cansado. Cada dia novo é um amanhecer e um pôr-de-sol diferente. É tudo muito surreal. – respondeu Gabriel. – E apesar de parecer mentira, vocês são as primeiras brasileiras que eu vejo em doze anos!

-  Meu Deus, Gabriel! É verdade? Mas, como você consegue deixar o seu português atualizado? – perguntou Ana Paula.

-  Bem, eu converso com alguns moleques pela internet e eu falo português com meu pai quando não queremos que as pessoas saibam o que estamos falando e em casa.

-  Por falar nisso, onde é sua casa? – perguntou Paola. – você mora dentro do clube?

-  A gente mora no complexo de casas dos funcionários do hotel. É bem atrás do hotel, perto da floresta. Por falar em perguntas, vocês vão ficar aqui até quando?

-  A gente vai ficar aqui um mês e meio ou dois meses. Férias escolares! E eu to indo pra faculdade!

-  Que legal! Você vai fazer o que?

-  Bom, vou fazer Comunicação. Consegui uma boa bolsa na PUC! Ralei bastante.

-  Cara! Que legal, a PUC é super boa. Você deve ser uma ótima aluna!

-  Ela é nerd! – disse Ana Paula.

-  Paula! Eu não sou nerd! – reclamou Paola. – Eu saio e tudo nos finais de semana.

-  Calma, meninas! Não precisam brigar! – disse Gabriel.

-  Não estamos brigando, eu só estou zoando ela! – falou rindo Ana Paula.

-  É verdade, ela AMA me zoar! É o passatempo favorito. – respondeu Paola.

-  E aí? O que vamos fazer amanhã? Barco, cavalos, piscina, praia? – perguntou Ana Paula a Gabriel.

-  Poxa, tava pensando em levar vocês para passearem na cidade. Vocês acham que seus pais deixam?

-  Não, Gabriel! Que isso! A gente num quer atrapalhar a sua rotina, não! Você tem que trabalhar. Paula, que coisa feia. Se convidando. Que vergonha. – se desculpou Paola.

-  Paola, eu ia te perguntar se você queria ir amanhã à cidade. Eu tô de folga amanhã. – falou Gabriel. – A não ser que você não queira sair comigo, aí eu vou entender perfeitamente se você não quiser sair com um funcionário do hotel.

-  Que isso, Gabriel! Você tá pensando isso? Eu não tenho nada contra isso! Eu te adorei. – se retratou Paola. – eu aceito sair com você amanhã. Acho que papai vai deixar sim!

-  Oba! Vamos à cidade amanhã! – exclamou Ana Paula. – se eu puder ir é claro!

-  Claro que pode ir! Não é, Gabriel?

-  É sim! Ela pode ir!

-  Mas vocês têm alguma coisa contra motos?

 

 

Capítulo 2

 

               Assim que chegaram ao quarto, contaram seu dia para seus pais. Contaram do menino que era brasileiro, o Gabriel. Os pais adoraram a idéia de ter um garoto brasileiro trabalhando no hotel. Paola perguntou se elas poderiam ir até a cidade com ele. Os pais deixaram que ela fosse, mas não deixaram a pobre Ana Paula ir alegando que ela era nova demais para ir. Paola bateu o pé para Paula ir, mas os pais não deixaram.

               No dia seguinte, Paola se arrumou toda. Estava com um vestido verde claro de alcinha e sandálias rasteirinhas. Tinha prendido o cabelo bem alto com uma presilha que a mãe havia lhe dado em seu aniversário de quinze anos. Tomou café e depois deixou a irmã na piscina e disse que iria trazer um presente da cidade para ela. Ela, mesmo contrariada, agradeceu. Paola se encaminhou para a entrada do hotel, lugar onde tinha marcado com Gabriel para se encontrarem para ir para a cidade.

               Ele já estava lá. Esperando por ela. Com uma camisa pólo vermelha e uma bermuda branca de tac tel. Sua moto era bem bonita. Era azul e prateada. Simples, mas bonita. Ele tava conversando com um moço mais velho. Parecia com ele. Devia ser o pai dele.

-  Paola! Oi! – falou Gabriel, cumprimentando-a.

-  Oi! Tudo bem?! – respondeu Paola.

-  Tudo. Olha, quero que você conheça o meu pai. Oswald. – apresentou Gabriel, à Paola.

-  Prazer, seu Oswald. Muito prazer! – falou meio envergonhada, Paola.

-  O prazer é todo meu, Paola. Gostei muito de saber que meu filho encontrou uma menina brasileira, para matar a saudade. Do país, da mãe. – falou o pai de Gabriel, Oswald. – Ainda sentimos muito falta dela.

-  Entendo. O Gabriel falou que o senhor faz um belo trabalho cuidando dos bichinhos aqui no hotel eu achei bem legal ele ter escolhido a mesma carreira que o senhor, muito legal mesmo.

-  Obrigado, Paola. Vejo que fiz um belo trabalho com o Gab também. Ainda que ele seja um puxa-saco de primeira! – riu seu Oswald.

-  Pai! Hahaha! Nem sou... – envergonhado, falou Gabriel. – vamos, Paola? Pai, você nos desculpa, mas temos que ir senão a Paola não vai aproveitar as belezas da cidade! Você quer algo de lá?

-  Quero. Que vocês dois se divirtam bastante e que mostre para a Paola os lugares que você mais gosta de ir e o The Shore.

-  Tá ok pai. Obrigada mesmo! – falou Gabriel – Tchau!

-  Tchau, seu Oswald! Prazer imenso em conhecê-lo.

-  Tchau, meus filhos! E divirtam-se! – falou seu Oswald.

               Montaram na moto e foram em direção à cidade. No caminho Gabriel foi mostrando os lugares nos quais passavam, estava dando uma de guia turístico. Assim que entraram no perímetro urbano, viram vários nativos fazendo suas coisas. Passaram na frente de um Shopping Centre. Estacionaram a moto num estacionamento de frente para a praia e foram caminhar no calçadão da praia.

               Ficaram conversando um bom tempo, admirando a praia...

-  Porque a Paula não veio? – perguntou Gabriel.

-  Porque papai não deixou. Ele disse que ela era nova demais, que quando ela fosse mais velha era poderia. Ela esperneou, mas se conformou de ter que ir pra piscina. – respondeu Paola. – Bom, é a vida, algum dia a gente vai saber por que os pais não deixam a gente fazer as coisas!

-  É verdade! Eu já passei por muita coisa antes de eu poder sair e estudar na faculdade. A melhor coisa é quando você faz dezoito anos: independência. É muito bom poder sair à hora que eu quiser para fazer as coisas. Ainda que com certas condições. Meu pai não liga de eu sair, se eu falar pra onde e com quem eu for.

-  Eu sei como é. Meus pais também. Todos os pais se duvidar!

-  É né. Haha! Bom, agora me diz: tá afim de um sorvete?

-  Claro! Está muito quente! Aonde vamos tomar sorvete? No shopping? – perguntou, animada, Paola.

-  Pode ser. O que você acha melhor? Já são onze horas. A gente pode almoçar direto ou tomar sorvete e fazer um lanche mais tarde? – propôs Gabriel.

-  Cara, eu num sei! O que você acha melhor? Eu não me importo de lanchar, mas também não me importo de almoçar!

-  Muito bom! Já sei! Vamos até o Shopping e decidimos lá. O The Shore é lá mesmo.

-  The Shore? Não foi o lugar que seu pai falou? – perguntou Paola

-  Sim. Ele sempre me levava lá quando eu era pequeno, e eu amava! Bom, ainda gosto de ir.

-  Bom, já que seu pai disse, vamos lá! – animou-se Paola. – por falar no seu pai, eu adorei o apelido que ele te deu... Gab... É muito bonitinho!

-  É. Ele me deu faz um tempinho, a gente nem morava aqui ainda.

-  Gabriel, posso te chamar de Gab?

-  Pode. Mas aí se acontecer alguma coisa você vai ter que se entender com meu pai! – riu Gabriel.

-  Então tá! Jóia! – riu, também, Paola.

               Os dois foram para o shopping. Gabriel queria mostrar para Paola tudo o que ele pudesse já que ele só tinha um dia de folga. Começou mostrando os cinemas, depois passou para a parte de diversão, onde tinha um boliche, um parque com fliperamas e uma loja de eletrônicos enorme, na qual se podiam jogar os mais novos jogos de videogame de graça. Paola adorou cada detalhe das coisas que Gabriel mostrava para ela. Enquanto eles andavam, compraram um sorvete porque estava muito calor.

               Mais tarde, tinham se cansado de andar. Resolveram ir comer algo mais consistente que sorvete. Foram até o famoso The Shore, o restaurante onde o pai do Gabriel, o seu Oswald, levava-o quando era pequeno. Era um lugar bem legal. Dentro do restaurante tinha um aquário onde os peixes para consumo ficavam. Você podia escolher qual queria que fosse feito. Sentaram numa mesa perto do aquário para poderem ficar olhando os peixinhos.

-  Caramba, aqui é muito legal, Gab! Esses peixinhos são lindíssimos, mas olhando assim dá pena de comer. – disse Paola.

-  Realmente dá pena. Mas eles vão ser comidos de qualquer jeito. Fazer o que?

-  Pobrezinhos... Então, o que vamos comer?

-  O que você quiser. Podemos pedir frutos do mar, e sanduíches, e, se você preferir, pratos quentes de carne de frango.

-  Nossa, quanta variedade. Agora estou até com dúvidas sobre o que comer! O que você pede quando vem aqui?

-  Bom, quando eu era criança eu não gostava de comer frutos do mar, aprendi a comer aqui em Melbourne. Então, eu comia um sanduíche de carne com queijo e molhos que é uma delícia! Você quer provar?

-  Hum! Tem cara de ser bom. O molho é de que?

-  Tem várias possibilidades: pode ser de tomate com pimenta, que é bem gostoso. Pode ser de maionese com ervas finas, que também é muito bom. E tem o que eu mais gosto que é de catchup e mostarda alemã. Uma delícia! E aí, qual vai querer?

-  Acho que o de tomate com pimenta. Mostarda não é a minha praia, nada contra, mas não gosto.

-  Então tá! Eu vou de mostarda com catchup. Vou pedir!

               Depois que pediram ficaram conversando mais ainda para esperar a comida. Contaram várias coisas um para o outro e discutiram sobre lugares do mundo a conhecer.  Gabriel contou para Paola que já tinha ido a alguns lugares da Oceania e arredores como Nova Zelândia, Papua Nova-Guiné e Filipinas. E que tinha gostado bastante da Nova Zelândia. Paola contou que não tinha ido pra aqueles lados, mas tinha ido para o Canadá em uma viagem de férias com a escola.

               Os sanduíches chegaram e eles aproveitaram bastante. Paola adorou o sanduíche e disse que se ela já não estivesse satisfeita, pediria outro. Resolveram, depois de pagar a conta, que iriam passear mais no calçadão da praia. Era à noite que aquele lugar se enchia. Ficava muito cheio de gente. Crianças, jovens e adultos, todos os tipos.

               Sentaram num quiosque e tomaram milk-shakes. Quando deram dez e meia no relógio de Gabriel, ele disse que já estava tarde, porque teria que trabalhar no dia seguinte e eles foram embora. Quando chegaram ao hotel, foram até o restaurante ver se Paula estava lá. Encontraram-na assistindo TV com os outros hóspedes. Deu quase graças a Deus de ver Paola.

-  Foi ótimo o dia hoje, Paola. Obrigado por ter me dado o prazer de sua companhia. – despediu-se Gabriel.

-  O prazer foi todo meu, Gab. Muito obrigada por ter me levado para conhecer a cidade. Foi muito gratificante. Nossa, pareci minha mãe falando agora... Gratificante! Meu Deus! – riu Paola.

-  Apesar de não ter ido, obrigada por ter levado minha irmã. Garanto que ela está realmente feliz. Olha a cara dela!

-  Muito engraçadinha, Paula. Comeu palhaço no café da manhã? – desdenhou Paola.

-  Que engraçado isso. Gostei dessa expressão! Hahaha! Bom, vou indo, meninas. Amanhã tenho um longo dia de trabalho. Talvez sábado que vem eu possa ir com você de novo na cidade, se você quiser é claro. É minha próxima folga!

-  Eu aceito se não for incomodo! Gostei muito de hoje! Obrigada por tudo. – disse Paola, se despedindo com um beijo na bochecha de Gabriel.

-  Claro que não tem problema. A gente se encontra no clube. Eu estou no estábulo sempre de segunda a quarta e às vezes sextas e domingos de manhã. Nos outros dias minha faculdade é o dia todo.

-  Ok! A gente te visita, né, Paola? – disse Ana Paula.

-  Claro! Amanhã a gente se encontra.

-  Tchau! Tenho que ir. Vou trabalhar amanhã! Boa noite, princesas!

-  Boa noite, Gabriel! – disseram as duas.

               Enquanto Gabriel com uma cara de cansado enorme ia se encaminhando para a sua casa, as meninas, Paola e Paula, foram para seu quarto pegar os biquínis e as toalhas para irem à sauna, pois tinham combinado que iriam assim que Paola chegasse ao hotel.

-  Gab? Como assim? De onde surgiu isso? – perguntou, com uma carinha de safada, Ana Paula.

-  Ué?! Qual o problema? O pai dele o chama assim. E eu achei tão bonitinho que resolvi pedir para chamá-lo assim também. – respondeu Paola.

-  Nenhum problema, mas você conheceu o cara ontem. Já ta com intimidade. É um pouco estranho, até um pouco atirado.

-  Pare de pensar bobagens, Paula. Ele é só um novo amigo de um lugar que acabamos de conhecer. Só! Pegue seu biquíni e vamos para a sauna.

-  Ok!

 

 

Capítulo 3

 

                Nos dias seguintes eles continuaram se esbarrando pelos quatro cantos do clube. Às vezes, iam até lanchar no restaurante juntos nos horários de almoço ou intervalos do Gabriel. Na sexta-feira seguinte, eles estavam conversando durante o almoço e o Gabriel se lembrou que teria uma festa da faculdade no sábado, e se a Paola quisesse, eles podiam ir já que no sábado era o dia de folga dele e não teria que trabalhar muito cedo no domingo. Ela disse que teria que falar com os pais e que achava que eles não deixariam, mas tentaria.

               No lanche da tarde, Paula e Paola tinham combinado de comer com os pais. Ela tentaria lá que o pai deixasse que ela fosse à festa com Gabriel. Tinham marcado lá no restaurante. Quando as duas chegaram, os pais já estavam lá. Sorrindo como de costume.

-  Oi, pai! Oi, mãe! – disseram as duas.

-  Oi, meus amores! Como está sendo o dia? Espero que tudo bem, né? – disse a mãe.

-  Também espero, minha filhas! – falou o pai. – o que vocês fizeram hoje?

-  Nós fomos até a piscina e até o campo de golfe, tentar aprender. – respondeu Ana Paula.

-  E aí? Como foi? – perguntou o pai.

-  Não acertamos nada, mas foi divertido! – riu Paola.

-  Pelo menos nos divertimos. Depois fomos até o restaurante almoçar. Aí encontramos com o menino brasileiro que trabalha aqui, lembra dele pai? – atirou Ana Paula, apesar do olhar nada satisfeito de Paola.

-  Foi é? É o Gustavo, num é? – perguntou a mãe.

-  É Gabriel, mãe. Foi bem legal. Ele me chamou para uma festa num clube na cidade, é da faculdade dele. Vocês me deixam ir?

-  Bom, filha. Nós estamos num país diferente. Nós nem conhecemos o menino. – disse o pai. – Podemos pensar nisso depois.

-  Mas, pai, a festa é amanhã. Se você conhecê-lo, você me deixa ir?

-  Pode ser. Se eu gostar dele. Talvez eu deixe sim. Mas amanhã, porque hoje eu e sua mãe temos um bingo aqui no hotel. Um dos prêmios é mais uma semana de hospedagem grátis. Quem sabe não ganhamos.

-  Então, tá! Amanhã que horas?

-  Pode ser durante o almoço. Chame-o para almoçar conosco.

-  Obrigada, pai! Você é ótimo! – disse Paola, dando um beijo no pai.

-  Ei! Onde você está indo? –perguntou a mãe.

-  Estou indo falar com ele. – respondeu Paola.

-  Eu vou junto! – disse Ana Paula.

               Ana Paula e Paola foram correndo procurar Gabriel. Acharam-no no estábulo, cuidando do Thunder. Falaram com ele e ele concordou em almoçar com os pais de Paola. Ele estava um pouco nervoso depois do que elas falaram. Sobre ter que impressionar os pais dela para levá-la para a festa. Mas elas disseram que ele era ótimo e que não tinha que se preocupar.

               No dia seguinte, elas acordaram bem cedo para ir à praia e depois se prepararem para almoçar. Quando estava na hora do almoço, elas já estavam super ansiosas. Apesar de querer ir junto, Ana Paula estava ajudando bastante à irmã, mesmo que a contra gosto.

               Arrumaram os cabelos e rumaram para o restaurante. Os pais já estavam lá. Assim que chegaram, o Gabriel chegou também. Estava bem bonito. Com uma calça jeans e uma camisa de botão azul. Combinava com os olhos dele. Ele se aproximou e as meninas apresentaram-no aos pais.

               Depois de conversarem bastante e comerem, os pais de Paola tinham gostado dele. Mas queriam saber de vários detalhes de como ele se portaria no caso de um assalto ou seqüestro-relâmpago. Mas ele se safou bem dizendo que nos arredores não acontecia muito isso, mas que se tivesse que dar a vida para salvá-la, ele daria.

               Paola ficou pensando se seria uma verdade ou uma boa mentira para que os pais dela deixassem-no levá-la à festa. Mas de qualquer forma, mentira ou não, deu certo. Os pais o deixaram levá-la. Ela ficou tão feliz que até pulou em cima do pai para dar-lhe um beijo!

               Após o almoço, Paola e Gabriel combinaram um horário para se encontrarem e irem para a festa. Marcaram as nove. Ele iria passar em baixo do prédio dela e depois seguiriam para onde estaria a moto dele. Agora Paola tinha que escolher uma roupa bem bonita e elegante para ir à festa. Ia tentar achar uma manicura no salão de beleza do hotel. Suas unhas não eram feitas há quinze dias.

               Tinha escolhido um vestido frente-única preto, que comprara para a viagem, para ir à festa. Era meio rodado e um pouco acima do joelho. Muito bonito, por sinal. Colocou uma sandália preta de salto fino, não muito grande, mas bem elegante. Pôs o cabelo de lado e prendeu com uma presilha de strass, que combinava com os brincos prateados que estava usando. Estava muito linda.

               Eram oito e cinco quando Paola desceu para o saguão do prédio. Gabriel já estava lá, com uma rosa, esperando-a. Estava realmente lindo. Usava uma calça social e uma blusa de botão e manga comprida pretas. Tinha um blazer por cima de tudo. Seu cabelo estava levemente pro lado, dando lhe um ar sapeca.

               Cumprimentou-a e deu-lhe a rosa. Disse que a rosa era para que colocasse no cabelo e que a sua moto estava parada perto do portão. Foram caminhando até o portão para pegar a moto. Chegaram lá, montaram na moto e saíram para a festa. Ao chegarem lá, Gabriel encontrou com vários amigos da faculdade. Apresentou Paola a todos e todos gostaram bastante dela.

               Foram até a pista de dança e começaram a dançar. Dançaram bastante e depois foram tomar alguma coisa. Ele pediu uma cerveja enquanto ela pediu um refrigerante. Em seguida ela ficou pensando o que os meninos tinham com bebidas alcoólicas. Todos os seus amigos adoravam beber.

-  Pode deixar, eu não passo de uma latinha por noite. Não gosto muito. É só pra descontrair. Além disso, você acha que eu iria bêbado pra casa uma vez que tenho que levar você! Até parece. – falou Gabriel, explicando-se.

-  Eu sei que você não faria isso. Você é diferente. – respondeu Paola.

-  Diferente, é? Diferente como?

-  Ah, sei lá! Você é especial. Nunca me senti assim com nenhum menino. Parece que com você eu estou segura sabe, mesmo que você beba, eu não teria medo.

-  Nossa, fico até encabulado. Você pensa assim mesmo?

-  Penso. E olha que a gente nem se conhece há muito tempo.

-  É mesmo. Faz uma semana e alguns dias.

               Nesse momento começou a tocar uma música bem calminha. Tipo uma balada romântica. Gabriel chamou Paola para dançar. Ela aceitou e foram para o meio da roda. Começaram a dançar, num estilo cheek-to-cheek. Estava bem agradável para ambos. Começou a ficar mais compassivo. Eles estavam mais perto um do outro agora. E de repente, eles se beijaram.

               Mas não foi um beijo qualquer. Parecia um daqueles beijos de cinema. Muito agradável de se apreciar. Durou um longo momento. E assim que eles se afastaram, ele começou a se desculpar.

-  Desculpe-me, Paola. Não foi muito bom e honesto da minha parte.

-  Não, não se desculpe. Eu também queria. – abriu-se Paola.

-  É? Queria?

-  Queria, alias, eu ainda quero. Mais... – e eles se beijaram de novo. Com mais intensidade dessa vez. – Eu estou gostando de verdade de você.

-  Eu também estou gostando pra caramba de você. Mas fiquei pensando se não era muito cedo pra pedir para te dar um beijo ou coisa parecida.

-  Desde que fomos para a cidade juntos, meus sentimentos sobre você mudaram.

-  Pra mim, desde quando eu fiz você cair. Quando você caiu, e eu te vi eu pensei: essa é a menina mais bonita que eu já vi na vida!

-  Mentira sua.

-  Não, não é mentira. E eu ainda achei engraçado quando você falou que eu era gato. Fiquei até envergonhado.

-  Meu Deus, Gabriel. Eu pedi pra você esquecer isso!

-  Foi, mas depois você disse que eu podia lembrar.

-  Ih é. Foi mesmo!

-  Hahaha! E já estava brigando comigo a toa!

-  É. Desculpe!

-  Tudo bem! No problems.

-  Você é tão divertido, Gab!

               Nisso ela beijou-o de novo. E dessa vez eles ficaram quase sem ar. Resolveram sair para conversarem melhor. Foram até a piscina do clube onde estava sendo a festa. Sentaram num banquinho e ficaram conversando, vendo a lua e as estrelas.

-  Gab, amanhã você vai trabalhar?

-  Bom, eu num sei. Na verdade, amanhã não é meu dia de trabalhar. Eu só vou ficar de vigia pra, se acontecer alguma coisa, eu ter como ajudar papai. Por quê?

-  Porque eu quero te ver amanhã. Eu quero muito.

-  Paola, eu posso te perguntar uma parada?

-  Até duas!

-  Você se importaria de namorar com um reles estudante de veterinária que ajuda o pai nas horas vagas, à distância, ainda por cima?

-  Depende de quem seria essa reles personagem! Se fosse você, eu aceitaria! – disse Paola, rindo.

-  Bem, muito bom. Paola, você quer namorar comigo?

-  Hum... Sim!

-  Mesmo que no final do verão nós teremos de ficar com alguns quilômetros de água e terra entre nós?

-  Mesmo que você fosse de Marte! – riu Paola.

-  Então tudo bem! – e se beijaram novamente.

               Ficaram conversando e beijando por mais duas horas. Já eram quase quatro horas da manhã. Resolveram ir embora para que tivessem mais tempo juntos no dia seguinte. Despediram-se dos amigos de Gabriel e foram embora.

               Ainda ficaram mais alguns minutinhos perto do portão se despedindo como se o mundo fosse acabar naquele instante. Depois foram para suas camas com a esperança de que a noite passaria rápida e que eles se veriam logo.

               Assim que entrou no quarto, encontrou uma Ana Paula acordada esperando para que contasse da festa. Paola contou tudo, inclusive do pedido de namoro, enquanto Ana Paula dava gritinhos de felicidade. Estava achando aquilo tudo mágico e queria partilhar de um amor de verão assim como a irmã. Paola tomou banho e se arrumou para dormir para que na manhã seguinte se encontrasse com Gabriel.

 

 

Capítulo 4

 

 

               Na manhã seguinte, Gabriel e Paola eram só beijos e carinhos. Estavam super felizes juntos. Iam de um lado pro outro, com uma Ana Paula a tira colo, tentando fazer com que ela parasse de segui-los para que pudessem namorar em paz.

               No final do dia, eles aproveitaram o pôr-do-sol. Olhando-o da praia. O pôr-do-sol parecia ainda mais bonito na Austrália. Não se sabia se era por causa do lugar ou da companhia. Depois de tudo, quando já tinha escurecido, Gabriel deu para Paola um dos seus celulares, dizendo que era para eles trocarem, mensagens enquanto ela estivesse na Austrália. E foi uma ótima coisa, já que os celulares dele trocavam mensagens de texto de graça entre si.

               Após passarem o dia inteiro juntos, Gabriel levou-a até o prédio para que ela pudesse dormir já que era quase meia-noite. Despediram-se e ele foi embora. Paola era uma pessoa muito feliz naquele exato momento. Ela tinha um namorado maravilhoso e estava de férias na Austrália.       Entretanto na manhã seguinte ela recebeu uma péssima notícia.

-  Oi, Gab’s! Como está? –perguntou Paola, dando-lhe um beijo na boca.

-  Paola, tenho uma notícia horrível. Nós não podemos mais nos ver.

-  Mas... Mas por quê?

-  Porque tem uma regra idiota e muito velha no regulamento que proíbe o namoro de hospedes com funcionários. – disse Gabriel com uma cara péssima. – ontem depois que eu fui te levar no prédio, o cara da recepção me deu um toque. Ele disse que já estava sendo discutido entre os funcionários isso e queriam levar o caso aos superiores.

-  Mas que pessoas horríveis. E que lei idiota e ridícula! E se as pessoas realmente se gostarem, o seu amor esta sendo arriscado por conta de uma lei estúpida e abusiva como essa! Absurdo!

-  De qualquer forma. Eles não precisam saber que ainda estamos juntos. Nós fingimos que terminamos e nos encontramos na calada da noite! – sugeriu Gabriel.

-  Claro! É por isso que eu te adoro! Você é um gênio, Gab! Vamos tentar hoje. À noite eu te encontro perto da enseada e nós vamos para a cidade!

-  Na enseada não dá muito certo. Se fosse assim a gente teria que se encontrar fora dos limites do hotel ou então eu tiro minha moto e estaciono em algum lugar...

               Dessa maneira eles tramaram a escapada para que pudessem namorar em serem pegos. Paola disse para a irmã o ocorrido. Paula ficou horrorizada e prestou total apoio à irmã. Elas combinaram em dizer para a mãe que ela teve de ir à festa que estava rolando no hotel e que iriam juntas.

               A mãe deixou e assim as duas saíram juntas, só que Paula foi à festa enquanto Paola se extraviou no meio do caminho para se encontrar com Gabriel. Estava a caminho do estábulo onde tinham combinado para e encontrar, toda feliz, quando de repente uma mão puxou-a num beco.

               Puxou-a e lhe tapou a boca. Era apenas Gabriel fazendo uma surpresa. Beijou-a como se nunca tivesse provado de sua boca antes. Estavam fazendo algo errado, isso era excitante. Deixava-os animados e com medo de serem pegos. Tudo ao mesmo tempo.

-  Fiz uma surpresa para você. Não vamos mais sair daqui! – sussurrou Gabriel, no ouvido de Paola.

-  É. E que surpresa é essa? Estou curiosa. – sussurrou, de volta, Paola.

-  Você vai saber. Daqui a pouco. Colocarei uma venda em você. – e puxou um lenço preto para tapar os olhos de Paola.

-  Você está me deixando nervosa.

-  É pra ser assim. Você vai adorar.

-  Tomara!

               Então eles seguiram pra onde ele tinha preparado uma surpresa para ela. A surpresa era na praia reservada dos funcionários. Ele tinha armado uma barraca de camping na areia e dentro tinham almofadas e a maior surpresa da noite: um telescópio portátil.

-  Olhe agora! – disse tirando a venda dos olhos de Paola.

-  Meu Deus, Gabriel! Você fez isso tudo? Sinto-me lisonjeada. Oh, Gab, é um telescópio!

-  Aham. Para que nós lembremos de nossa primeira noite juntos de verdade, quando admiramos estrelas e a lua.

-  Você é um fofo, Gabriel! Muito obrigada! – disse Paola, dando-lhe outro beijo.

-  Vamos entrar para admirar as estrelas.

-  Vamos.

               Eles entraram e Gabriel começou a ajeitar o foco do telescópio. Depois que terminou de ajeitar, começou a ver o que tinha no céu. Paola já começava a reclamar de que ele não queria deixá-la ver. E ele brincando não deu. Ela foi tentar pegar a luneta da mão de Gabriel, mas só conseguiu cair em cima dele e fazê-los rolar pela areia.

               Depois de rolarem umas três vezes, eles pararam. Paola estava em cima de Gabriel. Apesar da situação, começaram a se beijar. E sem se darem conta do que estavam fazendo, Gabriel começou a beijar o pescoço de Paola. E ela em troca beijou-o com mais ardor.

               Com nenhuma percepção a mais, ele começou a tirar a blusa de botão de Paola, deixando a mostra o biquíni azul-marinho que ela estava vestindo. Depois tirou a própria camiseta, deixando a mostra o seu abdômen, muito bem trabalhado inclusive. Algum momento depois, encontravam-se deitados dentro da barraca. Tentando imaginar como puderam fazer o que acabaram de fazer, mas sem deixar transparecer pro outro. Apenas configurando sua própria cabeça.

-  Gabriel, o que a gente acabou de fazer? – perguntou, com um pouco de culpa, Paola.

-  A melhor coisa que jamais poderíamos ter feito. Você esta arrependida?

-  Um pouco. Num sei. Ainda não absorvi o que realmente aconteceu. Foi tudo tão... Rápido!

-  Sei. Eu também estou com problemas de absorção, mas não estou culpado. Acho que foi a melhor coisa que aconteceu na minha vida em todos esses anos. – respondeu um sorridente Gabriel.

-  Foi muito bom, realmente. Mas as conseqüências. O que pode acontecer se meus pais souberem. Ai de mim!

-  Entendo. Vamos deixar em segredo até termos certeza de que ninguém vai sair prejudicado disso.

-  É a melhor opção agora.

-  Na verdade, a melhor opção agora é que nós curtamos o resto de tempo que nos resta aqui na praia.

-  Já são que horas?

-  São duas horas.

-  O que?!

-  Duas horas...

-  Ai, Meu Deus! Tinha que me encontrar com Ana Paula duas horas.

-  Ainda são duas horas, ela pode esperar um pouco de tempo.

-  Talvez. Você vai comigo?

-  Num sei se devo?

-  Por favor. Depois dessa noite eu num quero sair de perto de você nunca!

-  Hahaha! Eu te amo! Eu nunca vou sair de perto de você!

-  Gabriel, eu penso muito em como será quando eu voltar pro Brasil. Como vamos fazer com o nosso relacionamento.

-  Às vezes eu também penso nisso. Acho que não deveríamos pensar nisso agora. Estamos juntos agora, nesse instante, isso é o que importa!

-  É verdade. Mas eu não quero te perder... Nunca!

-  Você não vai me perder. Enquanto nos amarmos eu sempre estarei ao seu lado. Agora vamos antes que Paula fique louca.

-  Vamos!

               Eles foram até o salão onde estava sendo a festa. Encontraram com Ana Paula e deram um beijo de despedida. Gabriel foi para casa e Paola foi para seu quarto com Ana Paula. Assim que chegaram ao quarto, Ana Paula começou a perguntar coisas para Paola.

-  Paola, você tá estranha. O que aconteceu?

-  Eu? Estranha? Sua cabeça!

-  Minha cabeça nada. Você tá diferente, sim. E você vai me contar o que aconteceu. Agora!

-  Eu... É... A gente transou. Na praia. Foi sem querer. Quando vimos, já tínhamos feito. – respondeu um pouco temerosa, Paola, enquanto Ana Paula fazia uma cara de muito incrédula.

-  Não brinca!!! É mesmo?!

-  É! Você acha que eu não deveria ter feito?

-  Não. Não tenho nada contra você ter feito. Ai se mamãe e papai soubessem disso. Você e eu estaríamos fritas ao quadrado.

-  É mesmo. Por isso eles não podem nem sonhar que isso aconteceu.

-  Da minha boca não sai, você sabe disso!

-  Sei. Por isso que eu amo a minha irmãzinha!

-  Também te amo, Paola. Mas agora me conta: como foi tudo! Quero detalhes!

-  Não todos eles, ok?! Apenas os não-impróprios para a sua idade! Hahaha! – riu Paola.

 

Capítulo 5

 

 

No dia seguinte, Paola foi procurar por Gabriel. Foi até o estábulo, mas ele não estava lá. Foi até o aquário, mas ele não estava lá. Foi até o restaurante, mas ele não estava lá. No meio do caminha de volta para o estábulo, pensando que eles poderiam ter se desencontrado, Paola encontrou com um funcionário do hotel que era amigo do Gabriel.

-  Hey! Michael, do you know where Gabriel is?

-  Hey, Paola! Haven’t you heard? His dad, Oswald, is in the hospital. He had a stroke. Very harsh one. We don’t know if he is going to recover. – Respondeu o amigo de Gabriel, Michael.

-  Oh, my god! He is surely bad, so bad. I wish I could be beside him, now. Do you know how can I contact him?

-  I think he is with his cell phone. Do you know his number?

-  Sure. I have it. Thanks, Michael.

               Nesse exato momento, Paola ligou para o celular dele. Ele não atendeu. Na verdade, estava desligado. Paola passou o resto da semana tentando falar com ele, mas não conseguia. Na segunda-feira seguinte veio a notícia. O seu Oswald tinha falecido. Paola chorava muito, no colo da Ana Paula, que a consolava. Chorava porque queria consolar Gabriel, mas ele não ligava o celular. Não conseguia nem falar com ele, ouvir a voz dele.

               Decidiu ir ao enterro do seu Oswald. Lá, avistou Gabriel, pálido. Não havia mais nenhum vestígio de felicidade em seu rosto. Abraçou-o, disse-lhe que tudo iria ficar bem. Ele chorava em seu ombro, sentia-se melhor agora que estava com ela. Dizia que era cedo. Mas sempre é cedo para a morte. Paola mirava em seus olhos e lhe dizia que a vida é assim, cheia de truques. Mentia porque nem ela conseguia parar de pensar no ocorrido.

               No final do velório, Gabriel precisou de Paola mais do que nunca. Ele não queria ver o corpo do pai ser enterrado. Não queria. Paola falava que se ele não quisesse, não precisava ver a cena. Que o pai dele não iria ficar chateado com ele, onde quer que ele estivesse. Isso fez o estômago de Gabriel dar um solavanco ainda maior. Dava voltas e voltas agora.

               Resolveu ser forte e agüentar a sensação de ver o corpo, do próprio pai, ser levado pela terra. Estava sendo forte, mais forte do que jamais imaginaria ser na vida. Chorou, segurou firme no ombro de Paola e agüentou. Diante de uma revoada de pássaros, o pai dele tinha se despedido do mundo.

               Quando tudo acabou, voltaram para o hotel. Gabriel pediu um tempo para organizar os pensamentos depois do ocorrido. Paola consentiu e disse que o que ele precisasse, ela poderia fazer. Ele despediu-se de Ana Paula e da própria Paola e foi embora.

               Quatro dias se passaram e nenhum sinal de Gabriel. Os pais de Paola resolveram ir embora dentro de dois dias. Ela não tinha falado com Gabriel. Não o achava. Resolveu pedir para que Michael levasse-a até a casa dele. Quando chegou lá, bateu na porta. Duas vezes. Na terceira vez, identificou-se. Gabriel abriu a porta para ela.

               Estava mais pálido do que estivera no dia do enterro. Estava segurando um par de luvas e uma fotografia, ambas do pai. Estava num estado de morbidez interior interminável. Seu olhar era vago, indiferente. Mesmo sem falar Paola entendia o que estava passando com ele.

               Parecia que mesmo sem se falar eles se entendiam. Muito bem até. Ela achou que estava na hora de falar o que tinha acontecido pra ele. Ela falou que teria que ir embora em dois dias. Ele pareceu absurdamente triste com a noticia. Falou pra ela ficar, que ela poderia ficar na casa dele. Mas ela respondeu que não podia. Tinha que voltar, por causa da faculdade. Ele apenas chorou.

-  Tudo de bom da minha vida esta se esvaindo. Primeiro minha mãe quando eu era pequeno, agora meu pai e não tem mais volta. Até você, Paola! Agora meu mundo tá caindo aos pedaços mesmo.

-  Meu amor, nada vai mudar. Se você quiser me visitar, minha casa e coração estarão abertos para você entra a hora que quiser. Eu só não tenho condições de ficar agora. Eu posso tentar voltar nas férias. O que você acha?

-  Eu acho que minha vida esta uma droga. As três pessoas que eu mais amo na vida foram embora ou estão indo. No seu caso.

-  Gab, não fica assim. Lembra que a gente se prometeu que não ia ficar chateado quando eu partisse?

-  Lembro, mas eu não consigo... Estou à deriva agora. Não sei pra onde nadar.

-  Vem conosco pro Brasil. Você pode ficar lá em casa por uns tempos, até você arranjar um lugar para morar. Creio que meus pais não se incomodariam.

-  Não, eu não quero deixar esse lugar onde meu pai me criou assim, do nada.

-  Gabriel, não é do nada. Você não tem mais o que fazer aqui. Agora nada mais te prende aqui.

-  Tenho sim. Minha vida. Ela me prende aqui.

-  Bom, você é quem sabe. Eu não posso ficar insistindo para sempre. E eu muito menos quero sair daqui brigada com você.

-  Nem eu quero que você brigue comigo. Eu te amo demais. Você promete que me escreve?

-  Prometo. Eu só quero um beijo seu agora. Um que possa durar na minha cabeça pela eternidade.

               Assim eles se beijaram. Não se viram mais até o dia em que Paola foi embora. Ela deixou com ele um papel com o endereço, e-mail e telefone dela, caso ele precisasse. Devolveu o telefone celular dele também. Ele ajudou-a com as malas e levou-a até o portão onde sempre se encontravam. Deu-lhe um beijo demorado na boca e despediu-se de Ana Paula e os pais delas. Depois voltou para dentro e a família foi embora.

               Uma semana depois da viagem de volta, chegou uma carta da Austrália endereçada à Paola. Era de Gabriel. Dizia que sentia saudades e que pretendia visitá-las no Rio o mais rápido que pudesse. Mas o que Paola não sabia era que o rápido dele era mais rápido do que ela jamais imaginaria. Dois dias depois de receber a carta, ele apareceu na porta dela com malas e tudo.

-  Hey, ma’am! Do you mind if I stay? For… I don’t know… Forever?

-  Where? In my house?

-  No, in your heart!

-  Kiss me! Now!

 

 

 

 

 

The ende gabriel.depois da viagem de volta, chegou uma carta da australia  ele precisasse.

sexta-feira, 14 de novembro de 2008

Never Think - Capítulo 14

Durante as próximas cinco horas eu não consegui pensar direito. Eu não contei pra Bella por medo da reação que ela pudesse ter. Resolvi então dar uma volta pelo hotel, já que era noite. Coloquei meus trajes de banho e fui dar um mergulho na piscina para ver se relaxa (Se bem que existiam muitos outros meios ilícitos de relaxamento. A totalidade deles envolvia, em perfeita conjunção: eu, Bella e sem roupa!). Fiquei, durante alguns minutos, submerso, tentando focar minha cabeça em outro assunto. Emergi assim que ouvi vários pensamentos sobre como um humano poderia ficar tanto tempo debaixo d’água. Eu tinha que me lembrar de respirar. Nem que fosse de vez em quando.

Eram duas horas da manhã agora e não havia mais ninguém na piscina. Eu estava boiando, admirando a lua que pairava em cima de mim, quando uma mão muito suave e gentil tocou meu peito nu e molhado.

- Bella – eu falei, percebendo quem era o anjo que estava ao meu lado na piscina. – Você desceu... e Renesmee?

- Não se preocupe, Ed! Alice esta cuidando dela. – ela me sorriu de volta. E isso não me ajudou em nada. Qualquer coisa que tenha sido que eu esqueci, voltaram como uma onda, numa ressaca, para dentro da minha cabeça.

Bella tirou seu vestido, feito com um tecido de algodão levinho, e caiu na piscina de biquíni tomara-que-caia azul. Como eu adorava quando ela se vestia de azul. Ainda mais quando eram peças com pouca quantidade de pano. Ela emergiu, depois de uns três segundos, e tirou os cabelos do rosto. Me enlouqueci com a quantidade de pensamentos que afloraram na minha mente sobre nós dois... “desestressando”.

Num impulso, eu agarrei Bella e dei-lhe um beijo molhado na boca. Ela gemeu ao menor toque de nossas línguas. A dela estava fria, com um pouco de gosto de cloro, provavelmente por culpa da piscina. Nossos corpos se contorciam a medida que o beijo ficava mais rápido e mais eloqüente. Ela me beijava de volta com enorme pressão, tentando me deixar sem fôlego. Uns minutos depois, nossas bocas se separaram, temendo que aquilo fosse uma despedida por tempo indeterminado, mas eu estava certo de que eu não ia conseguir ficar mais longe dela.

Saí da piscina, enquanto ela me olhava de uma maneira estranha. Edward, aonde você vai? Ela pensou. Então eu me abaixei na borda da piscina, segurei em seus braços e puxei-a para fora, segurando-a em meus braços.

- Você vai ver, Bella. Você vai ver... – eu respondi, pegando as coisas dela com a outra mão e correndo para longe, adentrando a floresta, com toda a pressa que podia.

Lembrei de um lugar, onde tinham umas cavernas, que eu tinha visto na hora em que estávamos caçando. Como fazer barulho e destruição no hotel não era uma boa coisa, nada melhor do que ir para um lugar bem longe e abandonado. A floresta era a melhor resposta. Não que floresta fosse um bom substantivo para nomear esse lugar, mas era o que eu julgava mais parecido. Estávamos numa savana, mas eu preferia chamar de floresta, para me lembrar do parque nacional de Forks e talvez da nossa clareira.

Peguei o vestido de Bella com uma mão e estendi-o no chão da caverna. Deitei-a em cima dele e comecei a beijá-la ainda mais. Ela, entendendo as minhas intenções, começou a tirar a minha sunga. Eu praticamente rasguei seu biquíni, mas eu tinha certeza de que ela havia trazido mais de um. Até porque se ela não tinha trazido, provavelmente Alice o tinha feito. Achei que fosse demorar mais um dia ate que você fosse finalmente fazer a minha vontade. Bella pensou.

- É, realmente, eu não consigo me fazer de bandido, já que foi você a meliante que roubou meu coração!