segunda-feira, 17 de novembro de 2008

No Viajar de um Sonho

Capítulo 1

 

Paola estava de férias com sua família. Tinham ido para a Austrália. Havia um clube em Melbourne que dava pra uma praia particular. Tinham se hospedado lá. Era um hotel-clube, tinham três prédios para hóspedes e uma série de lugares de diversão-para-toda-a-família, como piscinas, cavalos para alugar, campos de golfe, quadras de tênis, poli esportivas entre outras atrações.

Paola era muito bonita. Tinha cabelos pretos com cachos bem definidos. Os olhos cor de mel. Era alta, bem alta. Tinha um metro e setenta e cinco. Era de um perfil de corpo longelíneo e com curvas, tinha busto e quadril mais ou menos grandes e era magra. Sua irmã, Ana Paula, era o contrário dela. Não tinha quadril nem peito. Era ruiva, característica que tinha herdado de sua tia por parte de mãe. Tinha olhos castanhos escuro. E cabelos lisos. Mas apesar disso tudo, seus rostos eram parecidos.

Para a viagem para a Austrália, os pais de Paola compraram vários acessórios para surfe, canoeing e wakeboarding, atividades que o clube oferecia para os hóspedes. O pai de Paola tinha ganhado muito dinheiro nesse ano, já que estava empresariando vários artistas. Deu a viagem de presente para a filha e pela primeira vez, o que já não era sem tempo uma vez que Paola tinha dezessete anos, tinha deixado Paola ficar num quarto sozinha com sua irmã mais nova. Apesar de ter que cuidar de Ana Paula, que tinha catorze anos, Paola estava adorando.

Como chegaram à noite, combinaram que iriam investigar o clube no dia seguinte, bem cedo. Iam tomar seu primeiro “breakfast” na Austrália e sair para fuxicar os arredores. Iam procurar todos os lugares divertidos para fazerem as coisas legais do clube. Desfizeram as malas, tomaram banho e enquanto se preparavam para dormir, se prometeram que iriam se divertir apesar de tudo naquele novo lugar.

Acordaram às oito da manhã, tomaram banho e se arrumaram para descer pro saguão do prédio tomar café. Tomaram seu café e foram passear no lugar. Primeiro descobriram a piscina e as quadras de esportes. Depois foram visitar a praia particular de hóspedes do hotel. Estavam procurando pelo estábulo. Paola perguntou pra um grupo de funcionários do hotel onde era. Estava bastante orgulhosa de como o seu inglês tinha melhorado.

Seguiram o que eles tinham falado. Encontraram o estábulo e entraram. Comentando de como os cavalos era fofinhos e coisa e tal. Estavam percorrendo todo o lugar quando, de repente...

-  Arre! – gritou Paola quando caiu no chão. Tinha tropeçado em algo, aliás, em alguém.

-  Sorry, I didn’t mean to hurt you, are you ok? – perguntou um menino que estava cuidando da pata de um cavalo.

-  Paola, você tá bem? – perguntou Ana Paula.

-  Ok! It’s all fine. You just stepped on my foot, I can handle that!

-  Thanks God! I thought you were hurt. – Disse o menino de volta.

-  Você tá bem mesmo, Paola? Se você quiser, eu te levo pro ambulatório do hotel.

-  Claro. Você viu o menino que pisou no meu pé? Ele é um gato! Ainda bem que ele pisou no meu pé! – riu Paola, fazendo Ana Paula rir também.

   Mas no mesmo instante o menino começou a rir também. Elas ficaram intrigadas com isso. O menino era realmente muito bonito. Tinha o cabelo loiro, um pouco grande caindo nos olhos. Que eram azuis, muito azuis mesmo. Era alto, devia ter uns oito centímetros a mais que Paola e era um tipo magro/musculoso.

-  I think we should introduce ourselves. My name is Paola. My sister is Ana Paula. And you? – perguntou Paola pro menino.

-  Meu nome é Gabriel. Prazer!

-  Meu Deus... Você fala português. Você entendeu o que eu falei! Ai, Meu deus! – estremeceu Paola, com Paula rindo ao seu lado.

-  Hahaha! Não, tudo bem. Não tem problema. Se você quiser, eu finjo que não ouvi!

-  Bem, eu agradeceria! Hahaha! Brincadeira, você pode lembrar!

-  Que bom! Estou ouvindo Português de novo! – riu Paula.

-  Hahaha! – riram Gabriel e Paola juntos.

-  Vocês são novas aqui? – perguntou Gabriel.

-  Sim. É nosso primeiro dia. Estamos conhecendo. – respondeu Paola. – tentando achar as coisas!

-  Bom… Se vocês quiserem, depois que eu cuidar do Thunder, eu levo vocês para conhecer tudo daqui. Vocês querem? – perguntou Gabriel.

-  Claro! Seria ótimo! Você não acha Paula?

-  Claro! Eu adoraria. Mas, Gabriel, você num tá trabalhando não, ocupado para se atrapalhar com a gente? – perguntou Ana Paula.

-  Não! Não vou me atrapalhar. Mau pai é que trabalha aqui. Eu só ajudo com os cavalos quando ele não pode porque eu faço veterinária.

-  Que lindo! – exclamaram as duas juntas. – A gente pode ver você cuidando dele? – perguntou Paola.

-  Podem. À vontade. Vocês podem até me ajudar, se vocês quiserem é claro.

-  Claro que ajudamos.

               Depois de ajudarem-no com o Thunder, foram até a lanchonete do hotel tomar sorvete. Gabriel contou para elas que tinha vindo para a Austrália com oito anos, com o pai, depois de a mãe ter se separado deles. O pai tinha vindo trabalhar com os animais do hotel. No momento que ele pisou no pé de Paola, ele tinha ido ver o cavalo Thunder porque o pai estava cuidando do aquário da cobertura do prédio três. Tinha herdado do pai uma paixão pelos animais e resolveu fazer veterinária numa faculdade de Melbourne.

               As meninas contaram o motivo da viagem e perguntaram várias coisas para Gabriel sobre a vida dele, a qual elas acharam fascinante. Primeiro perguntaram se ele era filho único. E ele respondeu que sim. Depois perguntaram de onde ele tinha vindo do Brasil. E ele respondeu que de Brasília. E ele perguntou para elas de onde elas tinham vindo e elas responderam que do Rio de Janeiro. E por fim, perguntaram a idade dele. Ele respondeu que vinte anos e perguntou a delas.

               Gabriel levou-as para conhecer o viveiro de aves exóticas australianas. Ficaram apaixonadas pelas aves que tinham lá. Cada uma mais bela que a outra. Depois foram até o salão de jogos, onde ficaram jogando um pouco de videogame. Um pouco mais tarde foram até o cais onde ficaram assistindo o pôr-do-sol.

-  Nossa! Esse lugar é lindo. Tudo aqui é maravilhoso, parece um sonho. Quem precisa da Disney quando isso aqui existe! – falou Paola para Gabriel.

-  Também acho. Eu vivo aqui há doze anos. E nunca me cansei e acho que nunca vou ficar cansado. Cada dia novo é um amanhecer e um pôr-de-sol diferente. É tudo muito surreal. – respondeu Gabriel. – E apesar de parecer mentira, vocês são as primeiras brasileiras que eu vejo em doze anos!

-  Meu Deus, Gabriel! É verdade? Mas, como você consegue deixar o seu português atualizado? – perguntou Ana Paula.

-  Bem, eu converso com alguns moleques pela internet e eu falo português com meu pai quando não queremos que as pessoas saibam o que estamos falando e em casa.

-  Por falar nisso, onde é sua casa? – perguntou Paola. – você mora dentro do clube?

-  A gente mora no complexo de casas dos funcionários do hotel. É bem atrás do hotel, perto da floresta. Por falar em perguntas, vocês vão ficar aqui até quando?

-  A gente vai ficar aqui um mês e meio ou dois meses. Férias escolares! E eu to indo pra faculdade!

-  Que legal! Você vai fazer o que?

-  Bom, vou fazer Comunicação. Consegui uma boa bolsa na PUC! Ralei bastante.

-  Cara! Que legal, a PUC é super boa. Você deve ser uma ótima aluna!

-  Ela é nerd! – disse Ana Paula.

-  Paula! Eu não sou nerd! – reclamou Paola. – Eu saio e tudo nos finais de semana.

-  Calma, meninas! Não precisam brigar! – disse Gabriel.

-  Não estamos brigando, eu só estou zoando ela! – falou rindo Ana Paula.

-  É verdade, ela AMA me zoar! É o passatempo favorito. – respondeu Paola.

-  E aí? O que vamos fazer amanhã? Barco, cavalos, piscina, praia? – perguntou Ana Paula a Gabriel.

-  Poxa, tava pensando em levar vocês para passearem na cidade. Vocês acham que seus pais deixam?

-  Não, Gabriel! Que isso! A gente num quer atrapalhar a sua rotina, não! Você tem que trabalhar. Paula, que coisa feia. Se convidando. Que vergonha. – se desculpou Paola.

-  Paola, eu ia te perguntar se você queria ir amanhã à cidade. Eu tô de folga amanhã. – falou Gabriel. – A não ser que você não queira sair comigo, aí eu vou entender perfeitamente se você não quiser sair com um funcionário do hotel.

-  Que isso, Gabriel! Você tá pensando isso? Eu não tenho nada contra isso! Eu te adorei. – se retratou Paola. – eu aceito sair com você amanhã. Acho que papai vai deixar sim!

-  Oba! Vamos à cidade amanhã! – exclamou Ana Paula. – se eu puder ir é claro!

-  Claro que pode ir! Não é, Gabriel?

-  É sim! Ela pode ir!

-  Mas vocês têm alguma coisa contra motos?

 

 

Capítulo 2

 

               Assim que chegaram ao quarto, contaram seu dia para seus pais. Contaram do menino que era brasileiro, o Gabriel. Os pais adoraram a idéia de ter um garoto brasileiro trabalhando no hotel. Paola perguntou se elas poderiam ir até a cidade com ele. Os pais deixaram que ela fosse, mas não deixaram a pobre Ana Paula ir alegando que ela era nova demais para ir. Paola bateu o pé para Paula ir, mas os pais não deixaram.

               No dia seguinte, Paola se arrumou toda. Estava com um vestido verde claro de alcinha e sandálias rasteirinhas. Tinha prendido o cabelo bem alto com uma presilha que a mãe havia lhe dado em seu aniversário de quinze anos. Tomou café e depois deixou a irmã na piscina e disse que iria trazer um presente da cidade para ela. Ela, mesmo contrariada, agradeceu. Paola se encaminhou para a entrada do hotel, lugar onde tinha marcado com Gabriel para se encontrarem para ir para a cidade.

               Ele já estava lá. Esperando por ela. Com uma camisa pólo vermelha e uma bermuda branca de tac tel. Sua moto era bem bonita. Era azul e prateada. Simples, mas bonita. Ele tava conversando com um moço mais velho. Parecia com ele. Devia ser o pai dele.

-  Paola! Oi! – falou Gabriel, cumprimentando-a.

-  Oi! Tudo bem?! – respondeu Paola.

-  Tudo. Olha, quero que você conheça o meu pai. Oswald. – apresentou Gabriel, à Paola.

-  Prazer, seu Oswald. Muito prazer! – falou meio envergonhada, Paola.

-  O prazer é todo meu, Paola. Gostei muito de saber que meu filho encontrou uma menina brasileira, para matar a saudade. Do país, da mãe. – falou o pai de Gabriel, Oswald. – Ainda sentimos muito falta dela.

-  Entendo. O Gabriel falou que o senhor faz um belo trabalho cuidando dos bichinhos aqui no hotel eu achei bem legal ele ter escolhido a mesma carreira que o senhor, muito legal mesmo.

-  Obrigado, Paola. Vejo que fiz um belo trabalho com o Gab também. Ainda que ele seja um puxa-saco de primeira! – riu seu Oswald.

-  Pai! Hahaha! Nem sou... – envergonhado, falou Gabriel. – vamos, Paola? Pai, você nos desculpa, mas temos que ir senão a Paola não vai aproveitar as belezas da cidade! Você quer algo de lá?

-  Quero. Que vocês dois se divirtam bastante e que mostre para a Paola os lugares que você mais gosta de ir e o The Shore.

-  Tá ok pai. Obrigada mesmo! – falou Gabriel – Tchau!

-  Tchau, seu Oswald! Prazer imenso em conhecê-lo.

-  Tchau, meus filhos! E divirtam-se! – falou seu Oswald.

               Montaram na moto e foram em direção à cidade. No caminho Gabriel foi mostrando os lugares nos quais passavam, estava dando uma de guia turístico. Assim que entraram no perímetro urbano, viram vários nativos fazendo suas coisas. Passaram na frente de um Shopping Centre. Estacionaram a moto num estacionamento de frente para a praia e foram caminhar no calçadão da praia.

               Ficaram conversando um bom tempo, admirando a praia...

-  Porque a Paula não veio? – perguntou Gabriel.

-  Porque papai não deixou. Ele disse que ela era nova demais, que quando ela fosse mais velha era poderia. Ela esperneou, mas se conformou de ter que ir pra piscina. – respondeu Paola. – Bom, é a vida, algum dia a gente vai saber por que os pais não deixam a gente fazer as coisas!

-  É verdade! Eu já passei por muita coisa antes de eu poder sair e estudar na faculdade. A melhor coisa é quando você faz dezoito anos: independência. É muito bom poder sair à hora que eu quiser para fazer as coisas. Ainda que com certas condições. Meu pai não liga de eu sair, se eu falar pra onde e com quem eu for.

-  Eu sei como é. Meus pais também. Todos os pais se duvidar!

-  É né. Haha! Bom, agora me diz: tá afim de um sorvete?

-  Claro! Está muito quente! Aonde vamos tomar sorvete? No shopping? – perguntou, animada, Paola.

-  Pode ser. O que você acha melhor? Já são onze horas. A gente pode almoçar direto ou tomar sorvete e fazer um lanche mais tarde? – propôs Gabriel.

-  Cara, eu num sei! O que você acha melhor? Eu não me importo de lanchar, mas também não me importo de almoçar!

-  Muito bom! Já sei! Vamos até o Shopping e decidimos lá. O The Shore é lá mesmo.

-  The Shore? Não foi o lugar que seu pai falou? – perguntou Paola

-  Sim. Ele sempre me levava lá quando eu era pequeno, e eu amava! Bom, ainda gosto de ir.

-  Bom, já que seu pai disse, vamos lá! – animou-se Paola. – por falar no seu pai, eu adorei o apelido que ele te deu... Gab... É muito bonitinho!

-  É. Ele me deu faz um tempinho, a gente nem morava aqui ainda.

-  Gabriel, posso te chamar de Gab?

-  Pode. Mas aí se acontecer alguma coisa você vai ter que se entender com meu pai! – riu Gabriel.

-  Então tá! Jóia! – riu, também, Paola.

               Os dois foram para o shopping. Gabriel queria mostrar para Paola tudo o que ele pudesse já que ele só tinha um dia de folga. Começou mostrando os cinemas, depois passou para a parte de diversão, onde tinha um boliche, um parque com fliperamas e uma loja de eletrônicos enorme, na qual se podiam jogar os mais novos jogos de videogame de graça. Paola adorou cada detalhe das coisas que Gabriel mostrava para ela. Enquanto eles andavam, compraram um sorvete porque estava muito calor.

               Mais tarde, tinham se cansado de andar. Resolveram ir comer algo mais consistente que sorvete. Foram até o famoso The Shore, o restaurante onde o pai do Gabriel, o seu Oswald, levava-o quando era pequeno. Era um lugar bem legal. Dentro do restaurante tinha um aquário onde os peixes para consumo ficavam. Você podia escolher qual queria que fosse feito. Sentaram numa mesa perto do aquário para poderem ficar olhando os peixinhos.

-  Caramba, aqui é muito legal, Gab! Esses peixinhos são lindíssimos, mas olhando assim dá pena de comer. – disse Paola.

-  Realmente dá pena. Mas eles vão ser comidos de qualquer jeito. Fazer o que?

-  Pobrezinhos... Então, o que vamos comer?

-  O que você quiser. Podemos pedir frutos do mar, e sanduíches, e, se você preferir, pratos quentes de carne de frango.

-  Nossa, quanta variedade. Agora estou até com dúvidas sobre o que comer! O que você pede quando vem aqui?

-  Bom, quando eu era criança eu não gostava de comer frutos do mar, aprendi a comer aqui em Melbourne. Então, eu comia um sanduíche de carne com queijo e molhos que é uma delícia! Você quer provar?

-  Hum! Tem cara de ser bom. O molho é de que?

-  Tem várias possibilidades: pode ser de tomate com pimenta, que é bem gostoso. Pode ser de maionese com ervas finas, que também é muito bom. E tem o que eu mais gosto que é de catchup e mostarda alemã. Uma delícia! E aí, qual vai querer?

-  Acho que o de tomate com pimenta. Mostarda não é a minha praia, nada contra, mas não gosto.

-  Então tá! Eu vou de mostarda com catchup. Vou pedir!

               Depois que pediram ficaram conversando mais ainda para esperar a comida. Contaram várias coisas um para o outro e discutiram sobre lugares do mundo a conhecer.  Gabriel contou para Paola que já tinha ido a alguns lugares da Oceania e arredores como Nova Zelândia, Papua Nova-Guiné e Filipinas. E que tinha gostado bastante da Nova Zelândia. Paola contou que não tinha ido pra aqueles lados, mas tinha ido para o Canadá em uma viagem de férias com a escola.

               Os sanduíches chegaram e eles aproveitaram bastante. Paola adorou o sanduíche e disse que se ela já não estivesse satisfeita, pediria outro. Resolveram, depois de pagar a conta, que iriam passear mais no calçadão da praia. Era à noite que aquele lugar se enchia. Ficava muito cheio de gente. Crianças, jovens e adultos, todos os tipos.

               Sentaram num quiosque e tomaram milk-shakes. Quando deram dez e meia no relógio de Gabriel, ele disse que já estava tarde, porque teria que trabalhar no dia seguinte e eles foram embora. Quando chegaram ao hotel, foram até o restaurante ver se Paula estava lá. Encontraram-na assistindo TV com os outros hóspedes. Deu quase graças a Deus de ver Paola.

-  Foi ótimo o dia hoje, Paola. Obrigado por ter me dado o prazer de sua companhia. – despediu-se Gabriel.

-  O prazer foi todo meu, Gab. Muito obrigada por ter me levado para conhecer a cidade. Foi muito gratificante. Nossa, pareci minha mãe falando agora... Gratificante! Meu Deus! – riu Paola.

-  Apesar de não ter ido, obrigada por ter levado minha irmã. Garanto que ela está realmente feliz. Olha a cara dela!

-  Muito engraçadinha, Paula. Comeu palhaço no café da manhã? – desdenhou Paola.

-  Que engraçado isso. Gostei dessa expressão! Hahaha! Bom, vou indo, meninas. Amanhã tenho um longo dia de trabalho. Talvez sábado que vem eu possa ir com você de novo na cidade, se você quiser é claro. É minha próxima folga!

-  Eu aceito se não for incomodo! Gostei muito de hoje! Obrigada por tudo. – disse Paola, se despedindo com um beijo na bochecha de Gabriel.

-  Claro que não tem problema. A gente se encontra no clube. Eu estou no estábulo sempre de segunda a quarta e às vezes sextas e domingos de manhã. Nos outros dias minha faculdade é o dia todo.

-  Ok! A gente te visita, né, Paola? – disse Ana Paula.

-  Claro! Amanhã a gente se encontra.

-  Tchau! Tenho que ir. Vou trabalhar amanhã! Boa noite, princesas!

-  Boa noite, Gabriel! – disseram as duas.

               Enquanto Gabriel com uma cara de cansado enorme ia se encaminhando para a sua casa, as meninas, Paola e Paula, foram para seu quarto pegar os biquínis e as toalhas para irem à sauna, pois tinham combinado que iriam assim que Paola chegasse ao hotel.

-  Gab? Como assim? De onde surgiu isso? – perguntou, com uma carinha de safada, Ana Paula.

-  Ué?! Qual o problema? O pai dele o chama assim. E eu achei tão bonitinho que resolvi pedir para chamá-lo assim também. – respondeu Paola.

-  Nenhum problema, mas você conheceu o cara ontem. Já ta com intimidade. É um pouco estranho, até um pouco atirado.

-  Pare de pensar bobagens, Paula. Ele é só um novo amigo de um lugar que acabamos de conhecer. Só! Pegue seu biquíni e vamos para a sauna.

-  Ok!

 

 

Capítulo 3

 

                Nos dias seguintes eles continuaram se esbarrando pelos quatro cantos do clube. Às vezes, iam até lanchar no restaurante juntos nos horários de almoço ou intervalos do Gabriel. Na sexta-feira seguinte, eles estavam conversando durante o almoço e o Gabriel se lembrou que teria uma festa da faculdade no sábado, e se a Paola quisesse, eles podiam ir já que no sábado era o dia de folga dele e não teria que trabalhar muito cedo no domingo. Ela disse que teria que falar com os pais e que achava que eles não deixariam, mas tentaria.

               No lanche da tarde, Paula e Paola tinham combinado de comer com os pais. Ela tentaria lá que o pai deixasse que ela fosse à festa com Gabriel. Tinham marcado lá no restaurante. Quando as duas chegaram, os pais já estavam lá. Sorrindo como de costume.

-  Oi, pai! Oi, mãe! – disseram as duas.

-  Oi, meus amores! Como está sendo o dia? Espero que tudo bem, né? – disse a mãe.

-  Também espero, minha filhas! – falou o pai. – o que vocês fizeram hoje?

-  Nós fomos até a piscina e até o campo de golfe, tentar aprender. – respondeu Ana Paula.

-  E aí? Como foi? – perguntou o pai.

-  Não acertamos nada, mas foi divertido! – riu Paola.

-  Pelo menos nos divertimos. Depois fomos até o restaurante almoçar. Aí encontramos com o menino brasileiro que trabalha aqui, lembra dele pai? – atirou Ana Paula, apesar do olhar nada satisfeito de Paola.

-  Foi é? É o Gustavo, num é? – perguntou a mãe.

-  É Gabriel, mãe. Foi bem legal. Ele me chamou para uma festa num clube na cidade, é da faculdade dele. Vocês me deixam ir?

-  Bom, filha. Nós estamos num país diferente. Nós nem conhecemos o menino. – disse o pai. – Podemos pensar nisso depois.

-  Mas, pai, a festa é amanhã. Se você conhecê-lo, você me deixa ir?

-  Pode ser. Se eu gostar dele. Talvez eu deixe sim. Mas amanhã, porque hoje eu e sua mãe temos um bingo aqui no hotel. Um dos prêmios é mais uma semana de hospedagem grátis. Quem sabe não ganhamos.

-  Então, tá! Amanhã que horas?

-  Pode ser durante o almoço. Chame-o para almoçar conosco.

-  Obrigada, pai! Você é ótimo! – disse Paola, dando um beijo no pai.

-  Ei! Onde você está indo? –perguntou a mãe.

-  Estou indo falar com ele. – respondeu Paola.

-  Eu vou junto! – disse Ana Paula.

               Ana Paula e Paola foram correndo procurar Gabriel. Acharam-no no estábulo, cuidando do Thunder. Falaram com ele e ele concordou em almoçar com os pais de Paola. Ele estava um pouco nervoso depois do que elas falaram. Sobre ter que impressionar os pais dela para levá-la para a festa. Mas elas disseram que ele era ótimo e que não tinha que se preocupar.

               No dia seguinte, elas acordaram bem cedo para ir à praia e depois se prepararem para almoçar. Quando estava na hora do almoço, elas já estavam super ansiosas. Apesar de querer ir junto, Ana Paula estava ajudando bastante à irmã, mesmo que a contra gosto.

               Arrumaram os cabelos e rumaram para o restaurante. Os pais já estavam lá. Assim que chegaram, o Gabriel chegou também. Estava bem bonito. Com uma calça jeans e uma camisa de botão azul. Combinava com os olhos dele. Ele se aproximou e as meninas apresentaram-no aos pais.

               Depois de conversarem bastante e comerem, os pais de Paola tinham gostado dele. Mas queriam saber de vários detalhes de como ele se portaria no caso de um assalto ou seqüestro-relâmpago. Mas ele se safou bem dizendo que nos arredores não acontecia muito isso, mas que se tivesse que dar a vida para salvá-la, ele daria.

               Paola ficou pensando se seria uma verdade ou uma boa mentira para que os pais dela deixassem-no levá-la à festa. Mas de qualquer forma, mentira ou não, deu certo. Os pais o deixaram levá-la. Ela ficou tão feliz que até pulou em cima do pai para dar-lhe um beijo!

               Após o almoço, Paola e Gabriel combinaram um horário para se encontrarem e irem para a festa. Marcaram as nove. Ele iria passar em baixo do prédio dela e depois seguiriam para onde estaria a moto dele. Agora Paola tinha que escolher uma roupa bem bonita e elegante para ir à festa. Ia tentar achar uma manicura no salão de beleza do hotel. Suas unhas não eram feitas há quinze dias.

               Tinha escolhido um vestido frente-única preto, que comprara para a viagem, para ir à festa. Era meio rodado e um pouco acima do joelho. Muito bonito, por sinal. Colocou uma sandália preta de salto fino, não muito grande, mas bem elegante. Pôs o cabelo de lado e prendeu com uma presilha de strass, que combinava com os brincos prateados que estava usando. Estava muito linda.

               Eram oito e cinco quando Paola desceu para o saguão do prédio. Gabriel já estava lá, com uma rosa, esperando-a. Estava realmente lindo. Usava uma calça social e uma blusa de botão e manga comprida pretas. Tinha um blazer por cima de tudo. Seu cabelo estava levemente pro lado, dando lhe um ar sapeca.

               Cumprimentou-a e deu-lhe a rosa. Disse que a rosa era para que colocasse no cabelo e que a sua moto estava parada perto do portão. Foram caminhando até o portão para pegar a moto. Chegaram lá, montaram na moto e saíram para a festa. Ao chegarem lá, Gabriel encontrou com vários amigos da faculdade. Apresentou Paola a todos e todos gostaram bastante dela.

               Foram até a pista de dança e começaram a dançar. Dançaram bastante e depois foram tomar alguma coisa. Ele pediu uma cerveja enquanto ela pediu um refrigerante. Em seguida ela ficou pensando o que os meninos tinham com bebidas alcoólicas. Todos os seus amigos adoravam beber.

-  Pode deixar, eu não passo de uma latinha por noite. Não gosto muito. É só pra descontrair. Além disso, você acha que eu iria bêbado pra casa uma vez que tenho que levar você! Até parece. – falou Gabriel, explicando-se.

-  Eu sei que você não faria isso. Você é diferente. – respondeu Paola.

-  Diferente, é? Diferente como?

-  Ah, sei lá! Você é especial. Nunca me senti assim com nenhum menino. Parece que com você eu estou segura sabe, mesmo que você beba, eu não teria medo.

-  Nossa, fico até encabulado. Você pensa assim mesmo?

-  Penso. E olha que a gente nem se conhece há muito tempo.

-  É mesmo. Faz uma semana e alguns dias.

               Nesse momento começou a tocar uma música bem calminha. Tipo uma balada romântica. Gabriel chamou Paola para dançar. Ela aceitou e foram para o meio da roda. Começaram a dançar, num estilo cheek-to-cheek. Estava bem agradável para ambos. Começou a ficar mais compassivo. Eles estavam mais perto um do outro agora. E de repente, eles se beijaram.

               Mas não foi um beijo qualquer. Parecia um daqueles beijos de cinema. Muito agradável de se apreciar. Durou um longo momento. E assim que eles se afastaram, ele começou a se desculpar.

-  Desculpe-me, Paola. Não foi muito bom e honesto da minha parte.

-  Não, não se desculpe. Eu também queria. – abriu-se Paola.

-  É? Queria?

-  Queria, alias, eu ainda quero. Mais... – e eles se beijaram de novo. Com mais intensidade dessa vez. – Eu estou gostando de verdade de você.

-  Eu também estou gostando pra caramba de você. Mas fiquei pensando se não era muito cedo pra pedir para te dar um beijo ou coisa parecida.

-  Desde que fomos para a cidade juntos, meus sentimentos sobre você mudaram.

-  Pra mim, desde quando eu fiz você cair. Quando você caiu, e eu te vi eu pensei: essa é a menina mais bonita que eu já vi na vida!

-  Mentira sua.

-  Não, não é mentira. E eu ainda achei engraçado quando você falou que eu era gato. Fiquei até envergonhado.

-  Meu Deus, Gabriel. Eu pedi pra você esquecer isso!

-  Foi, mas depois você disse que eu podia lembrar.

-  Ih é. Foi mesmo!

-  Hahaha! E já estava brigando comigo a toa!

-  É. Desculpe!

-  Tudo bem! No problems.

-  Você é tão divertido, Gab!

               Nisso ela beijou-o de novo. E dessa vez eles ficaram quase sem ar. Resolveram sair para conversarem melhor. Foram até a piscina do clube onde estava sendo a festa. Sentaram num banquinho e ficaram conversando, vendo a lua e as estrelas.

-  Gab, amanhã você vai trabalhar?

-  Bom, eu num sei. Na verdade, amanhã não é meu dia de trabalhar. Eu só vou ficar de vigia pra, se acontecer alguma coisa, eu ter como ajudar papai. Por quê?

-  Porque eu quero te ver amanhã. Eu quero muito.

-  Paola, eu posso te perguntar uma parada?

-  Até duas!

-  Você se importaria de namorar com um reles estudante de veterinária que ajuda o pai nas horas vagas, à distância, ainda por cima?

-  Depende de quem seria essa reles personagem! Se fosse você, eu aceitaria! – disse Paola, rindo.

-  Bem, muito bom. Paola, você quer namorar comigo?

-  Hum... Sim!

-  Mesmo que no final do verão nós teremos de ficar com alguns quilômetros de água e terra entre nós?

-  Mesmo que você fosse de Marte! – riu Paola.

-  Então tudo bem! – e se beijaram novamente.

               Ficaram conversando e beijando por mais duas horas. Já eram quase quatro horas da manhã. Resolveram ir embora para que tivessem mais tempo juntos no dia seguinte. Despediram-se dos amigos de Gabriel e foram embora.

               Ainda ficaram mais alguns minutinhos perto do portão se despedindo como se o mundo fosse acabar naquele instante. Depois foram para suas camas com a esperança de que a noite passaria rápida e que eles se veriam logo.

               Assim que entrou no quarto, encontrou uma Ana Paula acordada esperando para que contasse da festa. Paola contou tudo, inclusive do pedido de namoro, enquanto Ana Paula dava gritinhos de felicidade. Estava achando aquilo tudo mágico e queria partilhar de um amor de verão assim como a irmã. Paola tomou banho e se arrumou para dormir para que na manhã seguinte se encontrasse com Gabriel.

 

 

Capítulo 4

 

 

               Na manhã seguinte, Gabriel e Paola eram só beijos e carinhos. Estavam super felizes juntos. Iam de um lado pro outro, com uma Ana Paula a tira colo, tentando fazer com que ela parasse de segui-los para que pudessem namorar em paz.

               No final do dia, eles aproveitaram o pôr-do-sol. Olhando-o da praia. O pôr-do-sol parecia ainda mais bonito na Austrália. Não se sabia se era por causa do lugar ou da companhia. Depois de tudo, quando já tinha escurecido, Gabriel deu para Paola um dos seus celulares, dizendo que era para eles trocarem, mensagens enquanto ela estivesse na Austrália. E foi uma ótima coisa, já que os celulares dele trocavam mensagens de texto de graça entre si.

               Após passarem o dia inteiro juntos, Gabriel levou-a até o prédio para que ela pudesse dormir já que era quase meia-noite. Despediram-se e ele foi embora. Paola era uma pessoa muito feliz naquele exato momento. Ela tinha um namorado maravilhoso e estava de férias na Austrália.       Entretanto na manhã seguinte ela recebeu uma péssima notícia.

-  Oi, Gab’s! Como está? –perguntou Paola, dando-lhe um beijo na boca.

-  Paola, tenho uma notícia horrível. Nós não podemos mais nos ver.

-  Mas... Mas por quê?

-  Porque tem uma regra idiota e muito velha no regulamento que proíbe o namoro de hospedes com funcionários. – disse Gabriel com uma cara péssima. – ontem depois que eu fui te levar no prédio, o cara da recepção me deu um toque. Ele disse que já estava sendo discutido entre os funcionários isso e queriam levar o caso aos superiores.

-  Mas que pessoas horríveis. E que lei idiota e ridícula! E se as pessoas realmente se gostarem, o seu amor esta sendo arriscado por conta de uma lei estúpida e abusiva como essa! Absurdo!

-  De qualquer forma. Eles não precisam saber que ainda estamos juntos. Nós fingimos que terminamos e nos encontramos na calada da noite! – sugeriu Gabriel.

-  Claro! É por isso que eu te adoro! Você é um gênio, Gab! Vamos tentar hoje. À noite eu te encontro perto da enseada e nós vamos para a cidade!

-  Na enseada não dá muito certo. Se fosse assim a gente teria que se encontrar fora dos limites do hotel ou então eu tiro minha moto e estaciono em algum lugar...

               Dessa maneira eles tramaram a escapada para que pudessem namorar em serem pegos. Paola disse para a irmã o ocorrido. Paula ficou horrorizada e prestou total apoio à irmã. Elas combinaram em dizer para a mãe que ela teve de ir à festa que estava rolando no hotel e que iriam juntas.

               A mãe deixou e assim as duas saíram juntas, só que Paula foi à festa enquanto Paola se extraviou no meio do caminho para se encontrar com Gabriel. Estava a caminho do estábulo onde tinham combinado para e encontrar, toda feliz, quando de repente uma mão puxou-a num beco.

               Puxou-a e lhe tapou a boca. Era apenas Gabriel fazendo uma surpresa. Beijou-a como se nunca tivesse provado de sua boca antes. Estavam fazendo algo errado, isso era excitante. Deixava-os animados e com medo de serem pegos. Tudo ao mesmo tempo.

-  Fiz uma surpresa para você. Não vamos mais sair daqui! – sussurrou Gabriel, no ouvido de Paola.

-  É. E que surpresa é essa? Estou curiosa. – sussurrou, de volta, Paola.

-  Você vai saber. Daqui a pouco. Colocarei uma venda em você. – e puxou um lenço preto para tapar os olhos de Paola.

-  Você está me deixando nervosa.

-  É pra ser assim. Você vai adorar.

-  Tomara!

               Então eles seguiram pra onde ele tinha preparado uma surpresa para ela. A surpresa era na praia reservada dos funcionários. Ele tinha armado uma barraca de camping na areia e dentro tinham almofadas e a maior surpresa da noite: um telescópio portátil.

-  Olhe agora! – disse tirando a venda dos olhos de Paola.

-  Meu Deus, Gabriel! Você fez isso tudo? Sinto-me lisonjeada. Oh, Gab, é um telescópio!

-  Aham. Para que nós lembremos de nossa primeira noite juntos de verdade, quando admiramos estrelas e a lua.

-  Você é um fofo, Gabriel! Muito obrigada! – disse Paola, dando-lhe outro beijo.

-  Vamos entrar para admirar as estrelas.

-  Vamos.

               Eles entraram e Gabriel começou a ajeitar o foco do telescópio. Depois que terminou de ajeitar, começou a ver o que tinha no céu. Paola já começava a reclamar de que ele não queria deixá-la ver. E ele brincando não deu. Ela foi tentar pegar a luneta da mão de Gabriel, mas só conseguiu cair em cima dele e fazê-los rolar pela areia.

               Depois de rolarem umas três vezes, eles pararam. Paola estava em cima de Gabriel. Apesar da situação, começaram a se beijar. E sem se darem conta do que estavam fazendo, Gabriel começou a beijar o pescoço de Paola. E ela em troca beijou-o com mais ardor.

               Com nenhuma percepção a mais, ele começou a tirar a blusa de botão de Paola, deixando a mostra o biquíni azul-marinho que ela estava vestindo. Depois tirou a própria camiseta, deixando a mostra o seu abdômen, muito bem trabalhado inclusive. Algum momento depois, encontravam-se deitados dentro da barraca. Tentando imaginar como puderam fazer o que acabaram de fazer, mas sem deixar transparecer pro outro. Apenas configurando sua própria cabeça.

-  Gabriel, o que a gente acabou de fazer? – perguntou, com um pouco de culpa, Paola.

-  A melhor coisa que jamais poderíamos ter feito. Você esta arrependida?

-  Um pouco. Num sei. Ainda não absorvi o que realmente aconteceu. Foi tudo tão... Rápido!

-  Sei. Eu também estou com problemas de absorção, mas não estou culpado. Acho que foi a melhor coisa que aconteceu na minha vida em todos esses anos. – respondeu um sorridente Gabriel.

-  Foi muito bom, realmente. Mas as conseqüências. O que pode acontecer se meus pais souberem. Ai de mim!

-  Entendo. Vamos deixar em segredo até termos certeza de que ninguém vai sair prejudicado disso.

-  É a melhor opção agora.

-  Na verdade, a melhor opção agora é que nós curtamos o resto de tempo que nos resta aqui na praia.

-  Já são que horas?

-  São duas horas.

-  O que?!

-  Duas horas...

-  Ai, Meu Deus! Tinha que me encontrar com Ana Paula duas horas.

-  Ainda são duas horas, ela pode esperar um pouco de tempo.

-  Talvez. Você vai comigo?

-  Num sei se devo?

-  Por favor. Depois dessa noite eu num quero sair de perto de você nunca!

-  Hahaha! Eu te amo! Eu nunca vou sair de perto de você!

-  Gabriel, eu penso muito em como será quando eu voltar pro Brasil. Como vamos fazer com o nosso relacionamento.

-  Às vezes eu também penso nisso. Acho que não deveríamos pensar nisso agora. Estamos juntos agora, nesse instante, isso é o que importa!

-  É verdade. Mas eu não quero te perder... Nunca!

-  Você não vai me perder. Enquanto nos amarmos eu sempre estarei ao seu lado. Agora vamos antes que Paula fique louca.

-  Vamos!

               Eles foram até o salão onde estava sendo a festa. Encontraram com Ana Paula e deram um beijo de despedida. Gabriel foi para casa e Paola foi para seu quarto com Ana Paula. Assim que chegaram ao quarto, Ana Paula começou a perguntar coisas para Paola.

-  Paola, você tá estranha. O que aconteceu?

-  Eu? Estranha? Sua cabeça!

-  Minha cabeça nada. Você tá diferente, sim. E você vai me contar o que aconteceu. Agora!

-  Eu... É... A gente transou. Na praia. Foi sem querer. Quando vimos, já tínhamos feito. – respondeu um pouco temerosa, Paola, enquanto Ana Paula fazia uma cara de muito incrédula.

-  Não brinca!!! É mesmo?!

-  É! Você acha que eu não deveria ter feito?

-  Não. Não tenho nada contra você ter feito. Ai se mamãe e papai soubessem disso. Você e eu estaríamos fritas ao quadrado.

-  É mesmo. Por isso eles não podem nem sonhar que isso aconteceu.

-  Da minha boca não sai, você sabe disso!

-  Sei. Por isso que eu amo a minha irmãzinha!

-  Também te amo, Paola. Mas agora me conta: como foi tudo! Quero detalhes!

-  Não todos eles, ok?! Apenas os não-impróprios para a sua idade! Hahaha! – riu Paola.

 

Capítulo 5

 

 

No dia seguinte, Paola foi procurar por Gabriel. Foi até o estábulo, mas ele não estava lá. Foi até o aquário, mas ele não estava lá. Foi até o restaurante, mas ele não estava lá. No meio do caminha de volta para o estábulo, pensando que eles poderiam ter se desencontrado, Paola encontrou com um funcionário do hotel que era amigo do Gabriel.

-  Hey! Michael, do you know where Gabriel is?

-  Hey, Paola! Haven’t you heard? His dad, Oswald, is in the hospital. He had a stroke. Very harsh one. We don’t know if he is going to recover. – Respondeu o amigo de Gabriel, Michael.

-  Oh, my god! He is surely bad, so bad. I wish I could be beside him, now. Do you know how can I contact him?

-  I think he is with his cell phone. Do you know his number?

-  Sure. I have it. Thanks, Michael.

               Nesse exato momento, Paola ligou para o celular dele. Ele não atendeu. Na verdade, estava desligado. Paola passou o resto da semana tentando falar com ele, mas não conseguia. Na segunda-feira seguinte veio a notícia. O seu Oswald tinha falecido. Paola chorava muito, no colo da Ana Paula, que a consolava. Chorava porque queria consolar Gabriel, mas ele não ligava o celular. Não conseguia nem falar com ele, ouvir a voz dele.

               Decidiu ir ao enterro do seu Oswald. Lá, avistou Gabriel, pálido. Não havia mais nenhum vestígio de felicidade em seu rosto. Abraçou-o, disse-lhe que tudo iria ficar bem. Ele chorava em seu ombro, sentia-se melhor agora que estava com ela. Dizia que era cedo. Mas sempre é cedo para a morte. Paola mirava em seus olhos e lhe dizia que a vida é assim, cheia de truques. Mentia porque nem ela conseguia parar de pensar no ocorrido.

               No final do velório, Gabriel precisou de Paola mais do que nunca. Ele não queria ver o corpo do pai ser enterrado. Não queria. Paola falava que se ele não quisesse, não precisava ver a cena. Que o pai dele não iria ficar chateado com ele, onde quer que ele estivesse. Isso fez o estômago de Gabriel dar um solavanco ainda maior. Dava voltas e voltas agora.

               Resolveu ser forte e agüentar a sensação de ver o corpo, do próprio pai, ser levado pela terra. Estava sendo forte, mais forte do que jamais imaginaria ser na vida. Chorou, segurou firme no ombro de Paola e agüentou. Diante de uma revoada de pássaros, o pai dele tinha se despedido do mundo.

               Quando tudo acabou, voltaram para o hotel. Gabriel pediu um tempo para organizar os pensamentos depois do ocorrido. Paola consentiu e disse que o que ele precisasse, ela poderia fazer. Ele despediu-se de Ana Paula e da própria Paola e foi embora.

               Quatro dias se passaram e nenhum sinal de Gabriel. Os pais de Paola resolveram ir embora dentro de dois dias. Ela não tinha falado com Gabriel. Não o achava. Resolveu pedir para que Michael levasse-a até a casa dele. Quando chegou lá, bateu na porta. Duas vezes. Na terceira vez, identificou-se. Gabriel abriu a porta para ela.

               Estava mais pálido do que estivera no dia do enterro. Estava segurando um par de luvas e uma fotografia, ambas do pai. Estava num estado de morbidez interior interminável. Seu olhar era vago, indiferente. Mesmo sem falar Paola entendia o que estava passando com ele.

               Parecia que mesmo sem se falar eles se entendiam. Muito bem até. Ela achou que estava na hora de falar o que tinha acontecido pra ele. Ela falou que teria que ir embora em dois dias. Ele pareceu absurdamente triste com a noticia. Falou pra ela ficar, que ela poderia ficar na casa dele. Mas ela respondeu que não podia. Tinha que voltar, por causa da faculdade. Ele apenas chorou.

-  Tudo de bom da minha vida esta se esvaindo. Primeiro minha mãe quando eu era pequeno, agora meu pai e não tem mais volta. Até você, Paola! Agora meu mundo tá caindo aos pedaços mesmo.

-  Meu amor, nada vai mudar. Se você quiser me visitar, minha casa e coração estarão abertos para você entra a hora que quiser. Eu só não tenho condições de ficar agora. Eu posso tentar voltar nas férias. O que você acha?

-  Eu acho que minha vida esta uma droga. As três pessoas que eu mais amo na vida foram embora ou estão indo. No seu caso.

-  Gab, não fica assim. Lembra que a gente se prometeu que não ia ficar chateado quando eu partisse?

-  Lembro, mas eu não consigo... Estou à deriva agora. Não sei pra onde nadar.

-  Vem conosco pro Brasil. Você pode ficar lá em casa por uns tempos, até você arranjar um lugar para morar. Creio que meus pais não se incomodariam.

-  Não, eu não quero deixar esse lugar onde meu pai me criou assim, do nada.

-  Gabriel, não é do nada. Você não tem mais o que fazer aqui. Agora nada mais te prende aqui.

-  Tenho sim. Minha vida. Ela me prende aqui.

-  Bom, você é quem sabe. Eu não posso ficar insistindo para sempre. E eu muito menos quero sair daqui brigada com você.

-  Nem eu quero que você brigue comigo. Eu te amo demais. Você promete que me escreve?

-  Prometo. Eu só quero um beijo seu agora. Um que possa durar na minha cabeça pela eternidade.

               Assim eles se beijaram. Não se viram mais até o dia em que Paola foi embora. Ela deixou com ele um papel com o endereço, e-mail e telefone dela, caso ele precisasse. Devolveu o telefone celular dele também. Ele ajudou-a com as malas e levou-a até o portão onde sempre se encontravam. Deu-lhe um beijo demorado na boca e despediu-se de Ana Paula e os pais delas. Depois voltou para dentro e a família foi embora.

               Uma semana depois da viagem de volta, chegou uma carta da Austrália endereçada à Paola. Era de Gabriel. Dizia que sentia saudades e que pretendia visitá-las no Rio o mais rápido que pudesse. Mas o que Paola não sabia era que o rápido dele era mais rápido do que ela jamais imaginaria. Dois dias depois de receber a carta, ele apareceu na porta dela com malas e tudo.

-  Hey, ma’am! Do you mind if I stay? For… I don’t know… Forever?

-  Where? In my house?

-  No, in your heart!

-  Kiss me! Now!

 

 

 

 

 

The ende gabriel.depois da viagem de volta, chegou uma carta da australia  ele precisasse.

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